Aquele Idiota 2 - 81_ Não importa

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Ayla

Meu coração estava disparado enquanto corria pela floresta os gritos de Clara ecoavam atrás de mim. Não sabia como tinha conseguido sair viva dali. Theo tinha me ajudado, mas só até certo ponto. Ele me ajudou a fugir do fogo...

— Isso é loucura demais, Ayla.  — Ele disse, soltando meu braço e dando um passo para trás. — Você tá segura agora, e eu... eu não vou ficar aqui pra ser preso por isso.

Eu o encarei, incrédula.

— Você acha que isso acaba aqui? Clara tá louca, Theo! Ela vai me perseguir até o inferno, se for preciso!

Ele desviou o olhar, depois se virou e desapareceu, me deixando sozinha.

Não tive tempo de pensar. Clara apareceu logo depois, com os olhos ardendo de ódio.

— Você acha que vai escapar, sua vadia? — Ela gritou, avançando.

Não hesitei. Pulei em cima dela com toda a força que ainda tinha. Caímos no chão, rolando sobre as folhas. Clara arranhou meu rosto e tentou me sufocar.

Comecei a socar Clara com força. Ela me empurrou conseguindo se levantar. Estava ensanguentada, os cabelos bagunçado, mas ainda tinha aquele olhar de superioridade.

— Isso não acabou. — Ela sibilou, antes de correr para o meio da floresta.

Eu caí de joelhos, o corpo exausto, mas os olhos fixos na direção que ela tinha ido.

(...)

Edson

— Achei ele! — Gritou um dos bombeiros, sua voz ecoando acima do som das sirenes.

Corri até onde Dylan estava sendo tirado.o corpo dele estava mole, e com algumas marcas de queimaduras.

— Ele tá vivo? — Minha voz saiu quase num sussurro.

— Tá. Mas foi por pouco. — O bombeiros respondeu, enquanto colocava Dylan numa maca.

Olhei para ele, inconsciente, a respiração ainda pesada, e pensei no quanto ele arriscou por minha filha.

— Você realmente ama a Ayla... — Murmurei, seguindo a maca enquanto eles o colocavam na ambulância.

Ele não desistiu, mesmo sabendo que podia morrer.

(...)

A floresta parecia um labirinto sombrio e interminável, cada árvore como um gigante silencioso testemunhando o caos. A fumaça ainda impregnava o ar, ardendo nos meus pulmões e me fazendo engasgar a cada respiração. O cheiro de queimado misturado ao de terra molhada criava uma sensação sufocante, mas eu não ia parar. Não enquanto não encontrasse minha filha.

— Ayla! — Meu grito ecoou pela milésima vez, rouco e desesperado, como se cada palavra carregasse o peso do mundo.

O silêncio da floresta me devolveu apenas o som distante de folhas sendo esmagadas e o vento cortando entre os galhos. Mas então, algo. Um som fraco, quase inaudível, vindo da minha direita.

— Pai...

A voz dela. Tão débil, mas inconfundível. Meu coração disparou, e um nó se formou na minha garganta.

— Ayla! — Corri na direção do som, desviando de galhos, tropeçando em raízes.

E então a vi.

Ela estava sentada no chão, encolhida, o rosto sujo de sangue e lama, os cabelos desgrenhados cobrindo parcialmente os olhos marejados. Ela parecia tão pequena, tão frágil. A imagem dela assim quase me destruiu.

— Filha... — Minha voz falhou enquanto me ajoelhava ao lado dela.

Ela ergueu os olhos, e as lágrimas começaram a escorrer com força. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela se jogou nos meus braços, soluçando como uma criança.

— Pai... eu pensei que nunca ia te ver de novo... — A voz dela era um sussurro trêmulo, cada palavra carregada de dor e alívio.

Eu a apertei contra mim, sentindo seu corpo tremer.

— Está tudo bem agora, princesa.  Eu tô aqui. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, mas por dentro, eu estava desmoronando.

— A Clara... ela fugiu... — Ela murmurou, o rosto enterrado no meu peito.

Por um momento, o nome dela acendeu minha raiva, mas eu a suprimi. Não era o momento para ódio, apenas para amor.

— Não importa. — Sussurrei, beijando o topo de sua cabeça enquanto acariciava seus cabelos desgrenhados. — Você está aqui comigo, Ayla. E isso é o que importa.

Ela continuou chorando nos meus braços, e eu a segurei como se nunca mais fosse soltar. A dor, o medo, tudo se dissolvia naquele abraço. Minha filha estava viva. E enquanto isso fosse verdade, eu enfrentaria qualquer coisa.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora