Ayla
As lágrimas começaram a cair, sem que eu pudesse impedir.
— Dylan... Eu... — Eu soluçava, mal conseguindo falar. — Eu vi o Marcos outra vez. Ele estava... estava me observando. Eu não sabia mais o que fazer. Eu fiquei tão assustada. Ele... ele estava lá, me olhando, e eu não consegui parar de pensar naquilo. Naquilo tudo que ele fez comigo.
Eu não queria que ele me visse assim. Eu não queria que ele visse o quanto tudo aquilo me afetava. Eu queria ser forte, mas não conseguia.
Dylan ficou em silêncio por um momento, observando a mudança em mim. Eu sabia que ele devia estar furioso, mas o olhar dele foi diferente, mais suave, mais preocupado, ele se aproximou de mim com cautela, como se tivesse medo de me quebrar ainda mais.
— Não, não se aproxima. Eu não quero que você me veja assim. Eu sei o que você vai pensar. Eu sei que está com raiva, mas... foi isso. Ele estava me observando, e foi como se tudo aquilo voltasse de repente. Eu... eu não sei mais como lidar com isso.
Então ele me abraçou. Ele me abraçou e eu desabei.
— Amor, me desculpa, me desculpa! — Ele disse claramente arrependido. Eu não sabia que você tinha visto o Marcos de novo. Caralho, eu sou um filho da puta do cacete! Me perdoa, me desculpa, querida...
Eu senti os braços de Dylan me envolvendo com uma força desesperada, como se ele quisesse me proteger de tudo, até mesmo da dor que eu estava sentindo.
— Não, não... — eu soluçava, tentando afastá-lo um pouco. — Não é sua culpa, não é. Eu só... Eu não sei mais como lidar com isso. Toda voltou quando eu vi ele, as duas vezes. Toda a dor, o medo, tudo. E eu fico me sentindo fraca, como se nada tivesse mudado. Como se eu fosse aquela menina indefesa de antes. E fico me perguntando como é possível ele estar vivo, meu Deus!
Eu sentia o calor do corpo dele contra o meu, e aquilo me dava um pouco de consolo, mas também me fazia sentir mais vulnerável. Eu queria ser forte, queria ser capaz de lidar com tudo sozinha, mas não era assim. Não conseguia.
Dylan me apertou mais contra ele, como se estivesse tentando me proteger não só fisicamente, mas também emocionalmente.
— Eu não vou deixar ele fazer nada com você, Ayla. Eu não vou. Eu vou te proteger, e você não vai passar por isso sozinha. Nunca mais. Eu não me importo com o que aconteceu, com o que você passou, porque agora é diferente. Agora sou eu que vou cuidar, sou eu que vou lutar por você.
Eu respirei fundo, sentindo a sinceridade nas palavras dele, mas também o peso das responsabilidades que ele estava tentando carregar. Ele não precisava carregar tudo isso por mim, mas ao mesmo tempo, eu não queria que ele se afastasse. Eu precisava dele, mesmo que estivesse com medo de tudo o que estava acontecendo.
— Eu não sei o que fazer, amor. Eu não sei se posso mais confiar nas pessoas, no mundo... Eu não sei o que fazer com esse medo, com essa sensação de que o Marcos vai voltar e fazer algo pior. Eu só queria que as coisas fossem mais fáceis.
Ele passou a mão nas minhas costas, suavemente, tentando me acalmar, mas sabia que as palavras não eram o suficiente. Nada era. O medo que eu sentia estava dentro de mim, e não podia ser simplesmente apagado.
— Eu sei, meu anjo... Eu sei. — Ele murmurou, os dedos se entrelaçando no meu cabelo. — Mas você tem que entender uma coisa: eu não vou deixar você enfrentar isso sozinha. Eu não vou permitir que ele te machuque de novo. O que ele fez com você, o que ele fez com a sua vida, eu sei que isso não vai desaparecer facilmente. Mas a gente vai lutar, e você vai sair dessa mais forte. Eu prometo.
Ele me olhou com tanta intensidade, uma mistura de dor e determinação no olhar, que eu senti meu coração acelerar. Eu sabia que ele estava comprometido a me proteger, mas a sensação de impotência era grande. Eu não sabia como continuar. Não sabia o que fazer com todo esse medo que estava se acumulando dentro de mim.
Eu respirei fundo, tentando reunir forças, mas as palavras saíram mais fracas do que eu esperava.
— Eu não sei se consigo, Dylan. Eu não sei se consigo mais viver assim. Eu só queria que isso fosse diferente. Eu só queria estar segura.
Ele me olhou com ternura, e então, ao invés de falar, ele me beijou. Não foi um beijo apressado, não foi nada impulsivo. Era um beijo cheio de promessas, de proteção, de algo mais profundo do que palavras podiam expressar.
Quando nos separamos, ele ainda me olhava como se quisesse que eu acreditasse nele, acreditasse nas promessas que ele estava fazendo.
— Você vai conseguir, Ayla. Porque você não está sozinha. Eu tô com você. Sempre e sempre.
Eu não sabia se ele estava certo. Não sabia se algum dia eu seria capaz de superar tudo isso, mas a verdade era que naquele momento, com Dylan ao meu lado, eu me sentia um pouco mais segura, um pouco mais forte.
— Eu só... — Eu hesitei, mas precisava falar. — Eu só queria que ele fosse embora. Eu queria que o Marcos sumisse da minha vida de uma vez por todas.
Dylan apertou ainda mais o abraço.
— Ele vai sumir, anjo. Vai sumir, e a gente vai fazer isso juntos. Você não precisa se preocupar mais com ele. Eu prometo.
Eu fechei os olhos, sentindo o calor do abraço dele me envolver, e, pela primeira vez em muito tempo, me permiti relaxar um pouco. A luta ainda estava longe de acabar, mas, por aquele momento, eu queria acreditar na promessa dele. Queria acreditar que, talvez, eu conseguisse superar tudo aquilo.
.
.
.
.
Continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
