Dylan
A chuva desabava sobre mim, gelada e implacável, mas eu não sentia nada além da fúria pulsando nas veias. Minhas mãos ainda estavam ensanguentadas, cada nó dos dedos latejando. Eu queria sentir dor, mas nada parecia machucar mais do que o pensamento de Ayla com outro homem... com ele.
Um som de passos arrastados ecoou pela rua deserta.
Theo.
Ele vinha tropeçando, o rosto desfigurado pelos socos que eu dei, o lábio partido, olhos inchados quase fechados... todo fodido. Cada respiração sua era um gemido de dor reprimido.
Eu avancei como uma fera, ignorando o cansaço. Ele me viu e parou, tentando endireitar o corpo. Patético.
Theo ergueu uma das mãos trêmulas, como se tentasse afastar a tempestade que eu me tornara.
— Eu... não quero mais briga... — murmurou, tossindo e cuspindo sangue.
Cheguei mais perto, meu rosto a centímetros do dele, vendo a covardia estampada em seus olhos. Isso deveria bastar, mas a raiva ainda ardia como fogo.
— Se você chegar perto dela de novo... — Murmurei, baixo, letal. — Eu juro por tudo.. vou te matar, desgraçado.
Ele tentou manter a postura, mas seu corpo tremia. Ele sabia que não era uma ameaça vazia.
— A Ayla é minha, porra! — rosnei, pegando-o pela gola mesmo com ele há fraco. — Minha mulher! Entendeu?
Theo arfou, respirando com dificuldade.
Empurrei-o contra uma parede com força antes de soltá-lo, vendo-o escorregar até o chão como um boneco quebrado.
— Se eu souber que você chegou perto da minha mulher de novo... Nem Deus vai conseguir te salvar de mim.
Me afastei lentamente, deixando-o jogado na calçada, ensopado e ensanguentado. A raiva ainda queimava no meu peito, mas o medo... O medo de perder Ayla... esse nunca iria embora.
(...)
Ayla
Meu pai ainda estava de pé na sala, com as mãos nos quadris e a expressão dura.
— O que foi isso? — Questionou.
Tentei engolir o nó na garganta, mas as palavras saíram em um jorro incontrolável:
— Pai... eu vi o Marcos. — minha voz falhou no fim. — Duas vezes.
Edson congelou. Seus olhos se estreitaram como se tentasse entender se eu estava falando sério ou se era só mais uma ilusão da minha mente exausta.
— Não... — ele balançou a cabeça, negando enfaticamente. — Ayla, isso é impossível. O Marcos está morto!
— Não está! — gritei, sentindo meu peito se apertar. — Eu juro, pai! Eu o vi... Ele estava me observando. Ele piscou pra mim!
Meu pai esfregou o rosto com as duas mãos, como se tentasse afastar uma realidade impossível.
— Não pode ser... nós... nós enterramos aquele desgraçado. Eu vi o corpo. Ele está morto, Ayla.
Seus olhos estavam cheios de pânico, mas também de negação. Ele não queria acreditar. Ele não podia acreditar.
— Pai, ele está vivo! — insisti, as lágrimas queimando meus olhos. — E ele está perto... as mensagens... é ele...
Ele balançou a cabeça novamente, mas eu vi algo mudar em sua expressão, como se uma pequena parte dele tivesse sido atingida pelo meu desespero.
Depois de alguns segundos, ele suspirou pesadamente e se jogou no sofá, parecendo derrotado.
— Eu... eu não sei mais no que acreditar... — ele murmurou. — Mas tem outra coisa que está me deixando louco...
— O quê? — perguntei, limpando as lágrimas.
Edson olhou para o chão, como se estivesse envergonhado do que estava prestes a dizer.
— Eu acho que a Fernanda... — ele hesitou, como se pronunciar o nome dela fosse uma facada no peito. — Eu acho que ela está me traindo.
Minha boca se abriu em choque.
— O quê?! Não, pai... isso não pode ser verdade! Fernanda ama você!
Ele riu amargamente, uma risada sem alegria.
— Ela anda estranha, distante... às vezes parece assustada, como se estivesse escondendo algo. Eu não sei mais o que pensar...
Não acredito! Por que parece que ultimamente tudo está dando errado?
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
