Aquele Idiota 2 - 67_ Me solta!

5.8K 352 122
                                        

Ayla

O parque estava tranquilo, um contraste com a agitação do centro. Crianças brincavam, casais caminhavam, e o vento fresco trazia um alívio inesperado.

Maevie e Samantha foram comprar sorvete em uma barraquinha enquanto eu sentei em um banco, observando o movimento.

Me senti estranhamente em paz.

Mas aquela paz durou pouco.

Enquanto meus olhos vagavam pelo parque, uma figura parada próxima a um poste de luz me fez prender a respiração.

Um homem.

Alto, de jaqueta escura e boné.

Ele não estava olhando diretamente pra mim, mas... algo nele parecia fora de lugar.

Me encolhi no banco, tentando afastar os pensamentos paranoicos.

— É só um cara qualquer, Ayla. Relaxa.

Olhei para a barraquinha, procurando pelas meninas. Elas ainda estavam lá, rindo de algo.

Voltei a encarar o homem, mas ele havia desaparecido.

Meu coração acelerou.

— Eu tô ficando louca.

Me levantei, apertando o casaco contra o corpo.

— Ayla! — A voz de Samantha me fez respirar aliviada. Ela e Maevie se aproximaram, segurando três casquinhas de sorvete. — Tá tudo bem?

— Tô. — Forçei um sorriso. — Só... tô cansada.

Maevie franziu o cenho, mas não insistiu.

— Então toma, isso deve ajudar.

Peguei o sorvete, sentando de novo.

Talvez eu só estivesse mesmo cansada.

(...)

Estávamos no estacionamento.

O sol já tinha se posto quando decidimos ir embora.

Samantha foi a primeira a ir embora. A mãe dela precisava de ajuda com umas coisas.

— Preciso passar na farmácia rapidinho,  eu te deixo em casa depois. — Maevie falou, destravando o carro.

— Não precisa, vou pedir um Uber.

— Tem certeza?

— Tenho. — Sorri fraco. — Quero dar uma andada antes.

— Tá bom... mas se cuida.

Ela entrou no carro e partiu, me deixando sozinha no estacionamento quase vazio.

Caminhei devagar em direção à saída, mexendo no celular para pedir o Uber.

Foi quando senti alguém atrás de mim.

Meu coração disparou, mas tentei ignorar. Devia ser outro visitante saindo.

Mas, à medida que eu andava, os passos seguiam o mesmo ritmo.

Parei bruscamente, fingindo procurar algo na bolsa.

Os passos também pararam.

O medo gelou minha espinha.

Olhei de relance para o reflexo de uma vitrine ao lado.

Ele estava lá.

O mesmo homem da jaqueta escura.

Engoli em seco e comecei a andar mais rápido.

— Calma... calma... — sussurrei pra mim mesma.

O Uber estava a dois minutos de distância.

Mas ele começou a se aproximar.

Foi quando eu corri.

O barulho dos meus passos ecoava no estacionamento, mas os dele eram ainda mais altos, cada vez mais perto.

— Ei! — Gritei, na esperança de que alguém ouvisse.

Mas o parque estava vazio.

A mão dele agarrou meu braço com força, e eu gritei, me debatendo.

— Me solta!

— Shhh, Ayla... não vai adiantar.

Aquela voz...

Marcos.

Meu corpo congelou. Era como se eu tivesse sido mergulhada em gelo. Eu me debati com todas as forças, mas ele me puxou em direção a um carro estacionado mais à frente.

— Entra logo. — Ele sussurrou no meu ouvido, e meu estômago se revirou de nojo.

As portas do carro se abriram, e, para meu desespero, Sienna estava sentada no banco do passageiro, olhando para mim com frieza.

— Por que você tá fazendo isso?! — gritei, lágrimas já escorrendo pelo meu rosto.

Sienna apenas desviou o olhar.

Antes que eu pudesse reagir, Marcos me empurrou para dentro do carro e a porta se fechou.

Eu estava presa.
.
.
.
.
Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora