Ayla
A cidade parecia um pouco mais silenciosa sob o manto da chuva. As gotas caíam em pingos suaves no início, espalhando-se pelas ruas molhadas e refletindo as luzes dos postes como um tapete de estrelas líquidas. Era uma paisagem que, em outras circunstâncias, eu acharia linda. Mas agora, eu me sentia perdida, sufocada pela sombra daquele rosto que me assombrava.
Dylan segurava minha mão com força, como se pudesse me ancorar à realidade. Ele não precisava dizer nada para que eu soubesse o que ele estava fazendo: tentando me trazer de volta para ele, para nós, para algo que fosse seguro.
— Não me leve para longe. — murmurei, apertando os dedos dele como se minha vida dependesse disso.
Ele parou no meio da calçada, virou-se para mim e encontrou meu olhar.
— Nunca — respondeu com firmeza e uma suavidade que derreteu as paredes de medo ao redor do meu coração.
E naquele momento, mesmo com a chuva que começava a engrossar, eu soube que ele não estava mentindo.
(...)
A chuva tornou-se mais pesada, os pingos grossos batendo contra o chão e contra nossas roupas já encharcadas. Soltei uma risada curta, mais pelo absurdo da situação do que por realmente achar graça.
— Estamos ensopados, — murmurei, tentando esconder o arrepio causado pelo frio.
Ele olhou para mim, seus cabelos escuros grudando na testa, a camisa delineando cada detalhe de seu corpo. Ele estava lindo, irresistível, e, mesmo em meio ao caos na minha mente, aquilo não passou despercebido.
— Então vamos aproveitar — ele disse, o sorriso preguiçoso e gostoso iluminando seu rosto.
Antes que eu pudesse questionar, ele me puxou para baixo de uma árvore. Estávamos parcialmente protegidos ali, mas o som da chuva continuava a nos cercar, criando uma trilha sonora quase mágica.
Dylan deslizou as mãos pela minha cintura, puxando-me para mais perto.
— Você está muito linda agora, sabia? — ele murmurou, os olhos escuros brilhando de uma forma que fez meu coração tropeçar.
— Dylan, eu devo estar parecendo um panda molhado. — respondi, tentando conter o sorriso que já se formava nos meus lábios.
— Panda ou não, você é a mulher mais linda que eu já vi. — ele retrucou, sem hesitar.
Meu coração acelerou, e meu rosto esquentou, apesar do frio. Como ele conseguia fazer isso? Depois de tanto tempo juntos, ele ainda tinha esse poder de me fazer sentir especial, única, como se o mundo inteiro desaparecesse quando ele estava ali.
— Você é bom com palavras, sabia? — provoquei, tentando disfarçar o impacto que suas palavras tinham em mim.
Ele inclinou a cabeça, um sorriso travesso nos lábios.
— Sou melhor com ações.
E antes que eu pudesse responder, ele abaixou a cabeça e me beijou.
O beijo era quente, urgente, como se ele quisesse me apagar por completo qualquer memória ruim, qualquer sombra de medo. Suas mãos apertaram minha cintura, me trazendo para mais perto, enquanto meus dedos se enroscavam nos cabelos dele. A chuva parecia parar ao nosso redor, o mundo inteiro se dissolvendo até restarmos apenas nós dois.
Quando ele se afastou, encostou a testa na minha, e sua respiração misturou-se com a minha.
— Eu vou cuidar de você, sempre.
Aquelas palavras me desmontaram. Meu peito parecia mais leve, mesmo que meus olhos ainda estivessem marejados.
— Eu sei — sussurrei, antes de puxá-lo para outro beijo.
(...)
Andamos pelas ruas da cidade por mais tempo do que o planejado, mas nada parecia importar. Ele me contava histórias da infância, pequenas lembranças que me faziam rir até as lágrimas caírem, não de tristeza, mas de felicidade.
Em um momento, a chuva nos pegou de surpresa novamente. Dylan puxou-me pela mão até uma pracinha quase deserta, onde apenas o som da água e nossos passos nos rodeavam.
— Já que estamos aqui, que tal uma dança? — ele sugeriu, inclinando-se em uma reverência exagerada.
Eu soltei uma risada.
— Dylan, nós estamos molhados e ridículos.
— Melhor assim, linda!
Ele me puxou, girando-me em um movimento desajeitado e divertido. Eu ri tanto que precisei me segurar nele para não escorregar, e então ele me pegou nos braços, segurando-me contra si.
— Viu?
Eu ri. Eu o amo tanto.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
