Aquele Idiota 2 - 80_ Ayla!

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Dylan

O calor era sufocante. Cada passo que eu dava parecia um desafio maior do que o anterior. A fumaça grossa queimava meus olhos e meus pulmões, mas nada disso importava. Só uma coisa me mantinha em pé, continuando em direção ao inferno: Ayla. Ela estava ali, em algum lugar.

Tropecei em um pedaço de madeira que desabou do teto, me apoiando na parede para não cair. As chamas lambiam as laterais do corredor, avançando rapidamente, ameaçando engolir tudo à minha volta. Mas a ideia de desistir nunca cruzou minha mente.

— Ayla! — Gritei novamente, minha voz rouca, quase inaudível no meio do rugido ensurdecedor do fogo.

Cheguei à porta entreaberta no final do corredor. Meu coração disparou de esperança, mas também de medo. Se ela estava ali dentro, então eu não tinha muito tempo. Reuni o resto das minhas forças e a chutei com toda a intensidade que consegui reunir. A porta se abriu com um estrondo, batendo contra a parede.

O quarto estava vazio.

O impacto da cena me atingiu como um soco. Meu coração parou por um instante, antes de acelerar novamente, dessa vez carregado de desespero.

— Não... Não, não, não... Ela tem que estar aqui! — Murmurei para mim mesmo, vasculhando o cômodo com o olhar.

Avancei para dentro, abrindo armários, jogando móveis ao chão, verificando cada canto.

— Ayla! — Meu grito saiu mais como um gemido, carregado de frustração e medo.

Mas ela não estava lá.

Minha mente gritava para eu sair, mas meu corpo se recusava. Eu não podia acreditar que ela não estava ali. Ela tinha que estar. Onde mais ela poderia estar?

Saí do quarto e voltei ao corredor em chamas, ignorando o calor que parecia derreter minha pele. Minhas roupas estavam grudadas no corpo, encharcadas de suor e fumaça, mas continuei.

Fui de porta em porta, chutando cada uma, ignorando os estalos ameaçadores do teto acima de mim. O fogo estava se espalhando mais rápido do que eu imaginava, e o ar estava ficando cada vez mais pesado.

— A-Ayla! — A dor na minha voz era palpável.

Abri mais uma porta. Vazia. Mais uma. Nada.

Minha visão estava começando a turvar, mas eu não ia parar. Não até encontrá-la. Não até saber que ela estava segura.

A fumaça estava preenchendo meus pulmões, cada respiração era como engolir brasas. Meus passos ficaram mais lentos, mas minha determinação permanecia firme.

— Você vai sair daqui comigo, Ayla... Eu prometo. — Minha voz era quase um sussurro, mas aquelas palavras eram minha âncora.

A estrutura ao meu redor começou a ceder, pedaços de madeira caindo ao meu redor como uma chuva mortal. Uma viga desabou a poucos metros de mim, levantando uma nuvem de cinzas que quase me cegou.

— Não... Não vou parar... — Murmurei para mim mesmo, forçando meu corpo a continuar.

Cheguei a uma escada que levava ao andar de cima, mas metade dela já estava destruída. Olhei para cima, tentando avaliar o risco, mas minha mente já estava decidida. Se Ayla estivesse lá, eu tinha que ir.

Subi com dificuldade, me equilibrando nos poucos degraus que ainda estavam inteiros. O calor era insuportável, minha pele parecia queimar a cada passo.

— Ayla! — Gritei de novo, mesmo sabendo que minha voz estava ficando mais fraca.

No topo da escada, encontrei mais portas. Mais quartos. Mais possibilidades. Cada uma delas era uma nova chance, uma nova esperança.

Chutei a primeira porta. Vazia.

A segunda. Nada.

A terceira. O quarto estava completamente tomado pelas chamas. Eu recuei, protegendo o rosto do calor intenso, mas não desisti.

— Ayla! Responde! — Minha voz era quase um grito de desespero agora, misturada ao som do fogo devorando tudo ao redor.

Mas não houve resposta.

Meus joelhos cederam de repente, e eu caí no chão, apoiando as mãos para não desabar completamente. Minha visão estava embaçada, e minha cabeça girava. Cada respiração era uma tortura, o ar pesado e intoxicado pela fumaça.

— Não... Não pode ser... — Murmurei, tentando me levantar, mas meu corpo não respondia mais.

Mesmo assim, forcei meus músculos a se moverem. Usei as paredes como apoio, me arrastando para frente. Cada metro parecia uma eternidade, mas eu não ia desistir.

— Ayla... Eu vou te achar... Eu juro... — Minha voz falhou, mas o sentimento por trás das palavras era inabalável.

Finalmente, meu corpo cedeu. Caí de joelhos, incapaz de continuar. A fumaça era tudo que eu conseguia sentir, tudo que eu conseguia respirar.

Minha visão começou a escurecer, mas, em meio ao caos, uma imagem surgiu na minha mente. O rosto dela. Ayla. Sorrindo para mim.

Eu deixei a escuridão me envolver, mas não de desespero. Porque, no fundo, eu sabia que faria isso tudo de novo por ela.

E faria muito mais, se fosse necessário.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora