Ayla
O convite de Sienna para tomar sorvete parecia inofensivo. Eu ainda estava cautelosa, mas algo em mim queria acreditar que talvez, só talvez, ela estivesse mesmo tentando consertar nossa relação.
— Faz tanto tempo que não passamos um tempo juntas — ela comentou, tomando uma colherada generosa do sorvete de chocolate
Assenti, observando-a cuidadosamente. Desde que ela apareceu com um comportamento mais gentil, eu estava dividida entre confiar e fugir.
— A mãe sente sua falta... Você podia passar lá em casa depois. Ela ia adorar te ver. — Sienna sugeriu, com um sorriso quase genuíno.
Respirei fundo. A ideia de voltar àquela casa me deixava desconfortável, mas talvez uma visita rápida não fosse tão ruim.
— Tá... mas só por um pouco. — cedi.
Ela abriu um sorriso largo e me puxou para um abraço apertado.
(...)
Minha mãe me abraçou forte, derramando algumas lágrimas.
— Eu fiz seu bolo preferido! — Ela exclamou, animada.
O cheiro doce invadiu a cozinha, e minha barriga roncou.
Enquanto tomávamos um café, comecei a me sentir estranha. Meus braços e pernas ficaram pesados, e minha visão começou a embaçar.
— Ayla? — Ouvi Sienna perguntar, mas sua voz parecia distante.
Tudo ficou escuro.
(...)
Dylan
Meu telefone apitou insistentemente enquanto eu trabalhava em um projeto da faculdade. Peguei o celular sem pressa, com uma sensação ruim.
Ayla foi marcada em uma postagem.
Quando cliquei no link, meu coração parou.
Fotos da Ayla, nua, na cama com Theo.
As imagens eram explícitas, como uma facada no peito. A legenda maliciosa só tornava tudo pior: "Uma noite inesquecível para nós dois."
Minha mente girava. Eu sabia que a Ayla estava saindo com a Sienna hoje... Como isso... Como ela...
Não, não, não, não. Não, anjo. Você não fez essa porra comigo, não é?
Dor, dor, dor, dor.
Apenas agarrei as chaves da moto e acelerei como um louco age a casa da mãe dela. Cada quilômetro parecia uma eternidade. As imagens queimavam na minha mente como uma sentença cruel.
Cheguei em frente à casa e desci da moto em um salto. Bati na porta com tanta força que ela quase cedeu. Depois de segundo agonizantes, Sienna abriu.
— Dylan? O que...
— Ela tá aqui, porra?! — Perguntei, passando por ela.
Ela recuou, mas seu sorriso sutil me deixou ainda mais insano. Subi as escadas correndo, invadindo o quarto que um dia foi da Ayla.
E lá estava ela.
Deitada na cama, nua, os cabelos espalhados sobre o travesseiro. Ao lado dela... Theo, também nu, com um sorriso idiota de satisfação.
Minha visão ficou vermelha.
— SEU DESGRAÇADO! — avancei como um animal selvagem.
Theo nem teve tempo de reagir quando meu punho acertou seu rosto. Ele caiu da cama com um gemido de dor. Eu o segurei pela gola, levantando-o do chão.
— VOCÊ VAI MORRER, FILHO DA PUTA! — urrei, minha voz rasgando minha garganta.
Ele se debateu como um rato presidente, mas não me importei. Meus socos caíam como marteladas, cada golpe alimentado pela dor insuportável que dilacerava meu peito.
— Dylan, para! — Sienna gritou, mas não me importei.
Theo tossiu sangue, tentando falar algo, mas não parei. Eu precisava destruí-lo. Ele tirou tudo de mim.
Com um último movimento desesperado, Theo conseguiu se soltar e correu mancando até a janela aberta. Antes que eu pudesse segurá-lo de novo, ele pulou, caindo desajeitado no quintal e desaparecendo na escuridão.
Eu fiquei ali, ofegante, minhas mãos sangrando, o corpo tremendo de raiva e desespero. Me virei lentamente para a cama... para Ayla.
Ela ainda estava desacordada.
A traição cortou mais fundo do que qualquer golpe que eu pudesse desferir.
Eu confiei nela. Confiei, porra. Ela acabou de me destruir por completo.
Ajoelhei-me ao lado dela, meu peito ardendo como se estivesse em chamas. Queria gritar, chorar, odiá-la...
— Por quê...? Por quê, anjo? — sussurrei, minha voz quebrada.
Ela era tudo pra mim. Tudo.
.
.
.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
