Aquele Idiota 2 - 72_ Vai se foder

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Ayla

A corda nos meus pulsos estava apertada demais. Eu já tinha tentado me soltar tantas vezes que a pele estava queimada e latejava. As unhas quebradas, os dedos doendo. Mas eu continuava puxando.

O quarto em que me colocaram era pequeno, com uma única lâmpada pendurada no teto, oscilando como se fosse apagar a qualquer momento. As paredes eram de concreto velho, úmido, cheirando a mofo. Marcos tinha me trazido para cá vendada, mas eu sabia que era longe. O silêncio lá fora era pesado.

Eu não sabia que horas eram, mas já tinha perdido a conta de quantas vezes o tempo pareceu se arrastar. Eu sentia frio, mesmo de casaco.

A maçaneta girou, e meu corpo congelou.

Marcos entrou, calmo, como se estivesse passeando.

— Está confortável? — Ele perguntou, com aquele sorriso nojento que me dava ânsia.

— Vai se foder.

Ele riu, como se eu tivesse acabado de contar uma piada.

— Gosto desse seu temperamento. — Ele se aproximou devagar. — Sempre gostei.

Eu desviei o olhar, me forçando a não tremer. Ele queria me ver com medo. Queria me ver implorar.

— O Dylan vai me encontrar.

— Dylan. — Marcos disse o nome dele com desdém, agachando-se ao meu lado. — Você acha que ele vai salvar você?

Fiquei em silêncio.

— Seu pai também deve estar desesperado. — Ele continuou, analisando meu rosto. — Aposto que o Edson já está culpando a Fernanda por alguma coisa. É assim que funciona, não é? Quando não conseguem te proteger, eles precisam culpar alguém.

A menção à Fernanda fez meu estômago afundar.

— O que você fez com ela?

— Ainda nada. — Ele se levantou, andando pelo quarto. — Mas eu prometi que, se ela não colaborasse, eu voltaria.

Minha respiração ficou irregular.

— Você não vai encostar nela.

Marcos parou, me encarando com um brilho satisfeito nos olhos.

— Eu adoro ver você tentando ser corajosa. — Ele cruzou os braços. — Sabe, eu te conheço melhor do que você imagina, Ayla. Já te observei por tempo suficiente.

— Você não me conhece.

Ele deu um passo à frente, ficando tão perto que eu senti o cheiro do cigarro barato que ele fumava.

Ele saiu, trancando a porta atrás de si.

Assim que a maçaneta parou de girar, eu senti as lágrimas escorrerem.

Meu corpo tremia, e eu odiava isso.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora