Dylan
A escuridão era pesada, mas calma. Era quase como um abraço acolhedor, onde a dor desaparecia e o tempo não existia. Mas, então, algo começou a mudar. Uma sensação insistente, um chamado suave, mas impossível de ignorar.
Havia uma música. Não, uma voz.
Com esforço, lutei contra o vazio que me prendia. A dor era uma lembrança distante, algo à margem da minha consciência, mas a voz... aquela voz era tudo.
Quando finalmente consegui abrir os olhos, a luz branca do quarto me cegou, e tudo parecia fora de foco. Aos poucos, as sombras tomaram forma. E ali estava ela.
Ayla.
Ela estava sentada ao lado da cama, segurando minha mão como se temesse que eu desaparecesse. Seu rosto estava pálido, os olhos inchados, e as lágrimas haviam deixado rastros em sua pele.
— Ayla... — Minha voz saiu baixa, quase como um sussurro rouco.
Ela congelou. Em um instante, seus olhos se arregalaram, e o alívio que surgiu em seu rosto foi tão intenso que meu coração quase parou.
— Dylan! — Ela se levantou num salto, os dedos tremendo enquanto segurava meu rosto. — Meu Deus, você acordou!
— Você... tá bem? — Perguntei, a voz falhando enquanto o esforço me fazia sentir cada dor em meu corpo.
— Eu? — Ela soltou uma risada incrédula, a expressão misturando alívio e desespero. — Você é quem quase morreu, Dylan! Você entrou naquele inferno por minha causa!
— Não tinha como não entrar. — Sussurrei, ignorando a dor enquanto a olhava nos olhos. — Não tinha como te perder.
— Você é tão idiota! — Ela soluçou, o rosto já molhado de lágrimas outra vez. — Você não pensa em você, não é? Só pensa nos outros! Só pensa em mim!
— Como eu poderia não pensar em você? — Minha voz ganhou força, mesmo que cada palavra viesse com esforço. — Ayla, você é... tudo. Tudo que importa pra mim.
Ela me encarou, os lábios trêmulos, e então desabou de novo. Encostou a testa na minha, seus dedos acariciando meu rosto como se quisesse ter certeza de que eu era real.
— Você quase morreu, Dylan. Você não entende o que isso fez comigo. Eu não consigo... Eu não sei viver sem você.
— Ei. — Levantei a mão com dificuldade, tocando sua bochecha. — Você nunca vai precisar viver sem mim. Eu te prometo.
Ela me olhou, o desespero e o amor dançando em seus olhos, e as palavras explodiram antes que eu pudesse me segurar.
— Ayla, eu te amo. Não importa o que aconteça, eu sempre vou te amar. Não tem nada nesse mundo que me faça mudar isso. Você é a razão pela qual eu respiro, o motivo pelo qual eu levanto todos os dias.
As lágrimas dela caíram ainda mais rápido, mas havia um pequeno sorriso surgindo em meio ao caos.
— Eu também te amo, Dylan. — Ela disse, a voz firme mesmo em meio aos soluços. — Mais do que eu achei que fosse possível. Você é tudo pra mim.
Ayla se inclinou, e nossos lábios se encontraram. O beijo era desesperado, cheio de tudo que não conseguíamos colocar em palavras. Era um alívio, uma promessa silenciosa de que, mesmo que o mundo desmoronasse ao nosso redor, nós sempre nos encontraríamos.
Quando ela se afastou, ainda me segurando como se eu pudesse desaparecer, sussurrei:
— Eu faria tudo de novo por você, Ayla. Entraria naquele fogo mil vezes se significasse que você ficaria segura.
— Nunca mais, Dylan. — Ela respondeu, seus olhos me prendendo. — Eu não quero que você se sacrifique por mim. Eu só quero que a gente fique junto, em paz.
— Sempre. — Respondi, com um sorriso fraco. — Você é minha paz, Ayla.
E naquele momento, com ela ao meu lado, eu soube que, apesar de tudo, eu tinha tudo o que precisava.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
