Dylan
Por um segundo, eu quase me permiti acreditar que poderíamos simplesmente... esquecer.
Mas eu não conseguia.
Fechei os olhos e tudo o que vi foi a imagem dela nua, deitada naquela cama, com o Theo ao lado. A sensação de traição queimou no meu peito, como se estivesse acontecendo de novo.
Minha mão, ainda entrelaçada na dela, começou a tremer.
Ayla percebeu.
— Dylan?
— Eu preciso ir.
Minha voz saiu seca, quase um sussurro.
Ayla se afastou devagar, me olhando com uma mistura de confusão e medo.
— O quê?
— Desculpa, anjo. — Me levantei, enfiando as mãos nos bolsos para tentar esconder o tremor. — Eu... eu não consigo ficar aqui agora.
Ayla também se levantou, os olhos marejados.
— Mas você acabou de dizer que não quer me perder.
— Eu não quero. — Respirei fundo, desviando o olhar. — Mas eu não consigo apagar aquilo da minha cabeça.
Ela deu um passo à frente, e eu recuei instintivamente.
— Dylan...
A dor na voz dela quase me fez desmoronar. Quase.
— Eu só preciso de um tempo.
Ela balançou a cabeça, frustrada.
— Tempo pra quê? Pra continuar me culpando por algo que eu não fiz?
Eu a encarei por um momento.
— Eu quero acreditar em você, Ayla. Eu juro que quero.
— Então acredita. — Ela deu mais um passo. — Por favor.
Engoli em seco.
— Não é tão simples.
O silêncio caiu entre nós de novo, mas dessa vez foi pior.
Ayla cruzou os braços, como se estivesse tentando se proteger de alguma coisa invisível.
— Tudo bem. — A voz dela estava embargada, mas firme. — Vai embora, então.
Eu hesitei por um instante, esperando que ela me pedisse pra ficar de novo.
Mas ela não pediu.
E eu fui embora.
Enquanto descia as escadas do prédio, eu senti como se estivesse deixando uma parte de mim naquele apartamento.
(...)
Aquela noite parecia não ter fim.
Depois que Dylan foi embora, o silêncio do apartamento se tornou ensurdecedor. O lugar parecia grande demais sem ele, vazio demais.
Eu tentei dormir, mas sempre que fechava os olhos, as imagens voltavam. As fotos. O olhar dele, despedaçado.
A madrugada se arrastou e, quando o sol começou a aparecer, eu desisti de lutar contra a insônia. Levantei, tomei um banho demorado e fiquei um tempo encarando meu reflexo no espelho. Eu parecia... cansada.
Cansada de tentar provar o óbvio.
Peguei o celular e vi algumas mensagens da Maevie e da Samantha, me chamando pra tomar café. Mirella não tinha mandado nada, o que não era surpresa.
Me vesti rápido e encontrei as duas em uma cafeteria perto da faculdade.
Assim que me viram, Samantha abriu um sorriso reconfortante, mas Maevie parecia preocupada.
— Tá com uma cara péssima, Ayla. — Maevie comentou, enquanto eu sentava.
— Obrigada. Era exatamente o que eu precisava ouvir.
Samantha me lançou um olhar de repreensão.
— Ela só tá preocupada. A gente tá.
Suspirei, mexendo no café que nem tinha vontade de beber.
— Eu sei... desculpa. É só... difícil.
— O Dylan falou com você depois? — Sabrina perguntou com cuidado.
Assenti lentamente.
— Ele foi lá ontem. Disse que me perdoava.
Maevie arregalou os olhos.
— Sério?
— É... mas não no bom sentido. Ele acha que precisa me perdoar por algo que eu não fiz.
— Ai, Ayla... — Samantha fez uma careta de pena.
— É ridículo. — Bufei, tentando segurar as lágrimas. — Eu tô cansada de repetir a mesma coisa. Eu não fiz nada.
— E a Mirella? Falou com você?
Neguei.
— Acho que não vai falar tão cedo.
Maevie cruzou os braços, claramente irritada.
— Ela tá cega. Eu sei que o Dylan é o melhor amigo dela, mas, poxa... te conhece desde sempre. Deveria saber que você não faria isso.
— É, mas pra ela, as fotos falam mais alto.
O silêncio pairou na mesa.
Até que Samantha tocou na minha mão, oferecendo um sorriso gentil.
— Vai passar, Ayla. Ele vai perceber a verdade.
— Espero que sim.
Mas, lá no fundo, eu não tinha tanta certeza
— Vamos dar uma volta depois daqui. — Maevie sugeriu. — Tem um parque novo perto do centro. A gente pode passar lá.
— Tá bom.
.
.
.
.
Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
