Dylan
As horas passaram como uma eternidade. Rodamos por ruas desertas, estradas abandonadas, bairros que nem deviam estar no mapa. Nada. Nenhum sinal dela. Nenhuma pista que levasse até Ayla.
Estávamos de volta na casa do Edson. Eu não queria estar ali. Queria estar na rua, procurando, mas insistiram que não. Eu não tinha dormido, não tinha comido.
Edson estava na sala, andando de um lado para o outro com o telefone grudado na orelha. Fernanda estava sentada no sofá, abraçando o próprio corpo. Ela não dizia nada, mas seu rosto estava pálido, e os olhos vermelhos entregavam que ela não parava de chorar.
Eu não conseguia ficar parado. Caminhei até a porta, pronto para sair de novo.
— Dylan, para. — A voz de Mirella me chamou. — Você precisa descansar.
— Descansar? — Virei para encará-la. — A Ayla tá lá fora, com aquele desgraçado! Como você espera que eu durma sabendo disso?
— Eu sei! — Mirella aumentou o tom, mas o olhar dela estava cheio de angústia. — Acha que eu não tô desesperada também? Mas ficar se matando não vai ajudar.
Eu ia responder, mas a voz do Edson cortou o ar.
— Chega disso.
Ele havia desligado o telefone, mas a expressão no rosto dele parecia mais cansada do que nunca.
— A polícia não encontrou nada? — Perguntei, já sabendo a resposta.
Edson balançou a cabeça devagar.
— Não.
Silêncio.
— Eu vou sair de novo. — Resmunguei.
— Dylan… — Fernanda chamou meu nome, a voz dela trêmula.
Eu me virei para ela. Ela parecia prestes a desabar.
— Tem… tem uma coisa que vocês precisam saber.
Edson olhou para a esposa, confuso.
— O que foi?
Fernanda hesitou, suas mãos tremendo. Ela olhou para Edson, depois para mim, e voltou a abaixar o olhar.
— Eu… eu sabia. — A voz dela mal passou de um sussurro.
— Sabia o quê? — Edson franziu a testa.
Ela respirou fundo, como se o peso das palavras fosse esmagador.
— Eu sabia que a Ayla...
O ar na sala pareceu sumir.
— O quê? — Edson deu um passo à frente. — Fernanda, do que você tá falando?
— Marcos… ele… ele me encontrou. — A voz dela quebrou. — Disse que, se eu contasse pra alguém, ele faria algo com a Ayla… com o Dylan.
Meu coração parou por um instante.
— Ele te encontrou? — Minhas mãos se fecharam em punhos. — Quando isso aconteceu?
— Faz semanas. — Fernanda cobriu o rosto com as mãos. — Eu tentei proteger vocês… mas… ele não parava.
Edson recuou, como se tivesse levado um soco.
— Você sabia… e não me contou. — A voz dele era baixa, mas cada palavra carregava uma fúria contida.
— Eu tinha medo, Edson! — Ela se levantou, lágrimas escorrendo pelo rosto. — Ele ameaçou matar vocês!
— Fernanda, ele sequestrou a minha filha! — A explosão foi inevitável. — A Ayla podia estar segura se você tivesse falado alguma coisa!
— Eu… eu sinto muito. — Fernanda soluçou, mas Edson deu um passo para trás, como se não suportasse estar perto dela.
Ele passou as mãos pelos cabelos, o peito subindo e descendo rápido demais.
— Eu achei… eu achei que você estava me traindo.
Fernanda o olhou com os olhos arregalados.
— Edson…
— Eu pensei que você estava se encontrando com outro homem. — A voz dele quebrou. — Enquanto a Ayla estava sofrendo… enquanto o desgraçado estava rondando nossa família… eu tava preocupado com uma traição que nunca existiu.
Ela se aproximou, mas Edson deu outro passo para trás, os olhos cheios de lágrimas.
— Eu falhei com a minha filha.
A culpa pairava no ar, sufocante. Eu não conseguia olhar para Fernanda. Eu entendia o medo dela, mas não conseguia perdoá-la. Não agora.
— A gente precisa encontrá-la. — Murmurei, me virando para Edson. — Não importa como.
Edson respirou fundo, limpando o rosto.
— Eu não vou parar até trazer a minha filha de volta.
Ninguém ia.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomanceAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
