Ayla
Theo ainda segurava minhas mãos, os olhos fixos nos meus. Havia tanta preocupação ali que, por um momento, me senti exposta demais. Ele parecia querer entender o que se passava na minha mente, mas eu não podia explicar. Não podia trazer mais uma pessoa para esse pesadelo.
— P-preciso ir para casa do meu pai. P-preciso dele. — murmurei, tentando me recompor.
(...)
A viagem até a casa do meu pai parecia se arrastar, mesmo que Theo dirigisse em silêncio, respeitando meu estado. O rádio tocava uma melodia suave, mas não ajudava a acalmar o turbilhão dentro de mim. Tudo o que eu conseguia pensar era naquela figura sombria... Marcos estava vivo. Eu não tinha dúvidas.
— Chegamos. — Theo disse suavemente, estacionando em frente à casa de Edson.
Assenti, mas minhas mãos ainda tremiam quando tentei abrir a porta do carro. Antes que eu pudesse insistir, Theo já estava ao meu lado, abrindo-a para mim.
— Você não está bem. — ele afirmou, a voz cheia de uma preocupação genuína. — Deixe-me entrar com você, só para garantir que está segura.
Eu deveria recusar. Qualquer proximidade com Theo só complicaria as coisas. Mas, naquele momento, a ideia de enfrentar meus próprios demônios sozinha parecia insuportável.
— Tudo bem. — murmurei.
Caminhamos até a porta. Antes mesmo que eu tocasse na maçaneta, meu pai abriu a porta, cheio de preocupação.
— Filha? O que aconteceu, princesa? — ele perguntou, preocupado, segurando meus ombros.
— Eu... — minha voz falhou. — Só precisava estar aqui.
Meu pai nos deu passagem sem hesitar. Theo seguiu atrás de mim, observando tudo com uma expressão cautelosa.
— Como se chama?
— Theo, é um prazer, senhor Edson.
— Prazer é todo meu. Obrigado por trazê-la. — Edson dirigiu-se a Theo, que assentiu.
— Não podia deixá-la sozinha. — ele respondeu, ainda me olhando como se eu fosse desmoronar a qualquer momento.
A sala estava acolhedora, iluminada pela luz suave do abajur. Theo me guiou até o sofá, onde me sentei devagar. Ele se agachou à minha frente, segurando minhas mãos nas dele, quentes e reconfortantes.
— Você está segura agora, Ayla.
— Mas o que foi que aconteceu, filha? — Meu pai questionou.
— O Marc...
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ouvi a porta se abrir novamente. Meu coração disparou ao ver Dylan parado na entrada, a expressão congelada em choque. Seus olhos passaram rapidamente por Theo ainda ajoelhado diante de mim, nossas mãos entrelaçadas, antes de se fixarem nos meus.
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Continua...
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Aquele Idiota
RomantikAyla é uma garota que enfrenta desafios que vão muito além da adolescência. Sob o mesmo teto que sua meia-irmã Sienna e seu padrasto abusivo, Marcos, ela luta diariamente para se proteger de um pesadelo que parece não ter fim. Na escola, Ayla é rotu...
