Aquele Idiota 2 - 85_ Prometo tentar...

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Ayla

A manhã estava nascendo do lado de fora da janela do hospital, mas a sensação de que a noite ainda não tinha acabado era avassaladora. As luzes artificiais da sala piscavam suavemente, e o som distante de máquinas monitorando os pacientes preenchia o silêncio.

Dylan estava dormindo agora. O rosto dele parecia mais sereno, mas o cansaço ainda estava evidente em cada traço. Cada vez que olhava para ele, uma onda de emoções me atingia — alívio, medo, culpa, amor.

Eu não conseguia me afastar da cadeira ao lado da cama. Era como se, se eu soltasse a mão dele, ele pudesse desaparecer.

— Ayla.

A voz suave de Hazel me tirou dos meus pensamentos. Virei a cabeça para vê-la parada na porta, segurando duas xícaras de café.

— Trouxe pra você. — Ela disse, caminhando até mim e colocando uma das xícaras na mesa ao meu lado.

— Obrigada. — Murmurei, embora não tivesse certeza se conseguiria beber.

Hazel se sentou em uma cadeira próxima, os olhos fixos no irmão.

— Ele vai ficar bem. — Ela disse, com uma certeza que eu não tinha certeza se era real ou apenas algo que ela precisava acreditar.

Assenti lentamente, mas as palavras ficaram presas na minha garganta.

— Ayla... — Hazel começou, hesitante. — Você sabe o quanto ele te ama, né?

Olhei para ela, surpresa.

— Ele sempre foi o tipo de pessoa que carrega o peso do mundo nos ombros. Sempre se sacrificando pelos outros, sempre colocando todo mundo acima de si mesmo. Mas com você... é diferente. — Hazel fez uma pausa, os olhos brilhando com lágrimas. — Ele não só te ama. Você é o motivo pelo qual ele é quem ele é.

Minhas mãos tremiam quando apertei os dedos dele mais uma vez.

— E é por isso que eu sinto que nunca vou ser suficiente. — Sussurrei, a confissão escapando antes que eu pudesse me segurar.

— Não diga isso. — Hazel respondeu rapidamente, sua voz firme. — Ele não quer que você seja perfeita. Ele só quer você.

Fechei os olhos, tentando afastar as lágrimas que ameaçavam cair.

— Eu não consigo imaginar minha vida sem ele, Hazel. — Sussurrei. — E ver ele assim... foi como perder o chão.

Hazel colocou a mão no meu ombro, me oferecendo um consolo silencioso.

Antes que pudéssemos dizer mais alguma coisa, a porta se abriu novamente, e Emily entrou, seguida por Simón e Aurora. Todos estavam pálidos, mas havia um alívio visível em seus rostos ao ver Dylan descansando.

— Ele ainda tá dormindo? — Emily perguntou suavemente, e eu assenti.

— Ele acordou ontem à noite, mas voltou a dormir. — Respondi, minha voz baixa.

Aurora, a avó de Dylan, se aproximou da cama e acariciou o cabelo dele com um carinho quase reverente.

— Meu filho forte. — Ela murmurou, os olhos cheios de lágrimas.

Simón se aproximou de mim, colocando uma mão gentil no meu ombro.

— Ayla, obrigada por ficar com ele. — Ele disse, sua voz rouca.

— Eu nunca sairia daqui. — Respondi rapidamente, sem conseguir conter a urgência na minha voz. — Ele é tudo pra mim.

Emily se sentou ao meu lado, os olhos fixos no filho.

— Você sabe... ele faria qualquer coisa por você, Ayla. — Ela disse, a voz quebrando. — E isso não é um peso pra você carregar. É apenas quem ele é.

Meu coração apertou com as palavras dela. Eu sabia que Dylan era assim, mas ouvir isso de sua própria mãe fez tudo parecer ainda mais real.

O silêncio caiu sobre o quarto, cada um de nós perdido em nossos próprios pensamentos, até que um gemido suave veio de Dylan.

— Dylan? — Me inclinei para ele, meu coração disparando.

Os olhos dele se abriram lentamente, piscando contra a luz fraca da sala.

— Ayla... — Ele murmurou, a voz rouca.

— Estou aqui. — Respondi rapidamente, segurando sua mão com força.

Ele sorriu fracamente, os olhos encontrando os meus.

— Parece que te dei outro susto, hein?

Dei uma risada fraca, as lágrimas finalmente escapando.

— Idiota. — Murmurei, me inclinando para beijar sua testa. — Nunca mais me assuste assim.

Ele apertou minha mão com a pouca força que tinha.

— Prometo tentar...

E, naquele momento, apesar de toda a dor e incerteza, havia uma coisa que eu sabia com certeza: enquanto estivéssemos juntos, podíamos enfrentar qualquer coisa.
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Continua...

Aquele IdiotaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora