Capítulo 041

762 55 11
                                        

***

Anahi acordou sobressaltada, apoiando-se no colchão. Suor brotava em abundância em sua testa e ela sentia algo preencher sua garganta, sufocando. Talvez pelo susto do pesadelo que conturbara seu sono.

- Bom dia, Ana - Alfonso disse saindo do banheiro. Estava com os cabelos e o corpo úmidos e uma toalha enrolada na cintura. Ele franziu o cenho ao vê-la pálida e ofegante - Você está bem?

Anahi não respondeu. Ainda estava assustada. Ela colocou uma mão na cabeça e suspirou antes de falar.

- Estou.

- Que bom - Alfonso disse, esfregando os cabelos com outra toalha - Hoje, não sei se você se recorda, é o evento na vinícola. Então eu diria que você tem pouco tempo para estar pronta. Precisa que eu chame Agnes?

A loira resmungou baixinho, fechando os olhos. Ela havia esquecido completamente. Ou, verdade seja dita, não deu a menor atenção ao aviso de Alfonso uma semana atrás. Era essa a conduta que ela admitira com ele. Sempre que Alfonso lhe dirigia uma palavra, Anahi assentia, sem nem mesmo olhá-lo. Ficava mais que claro que não dava a menor importância.

- Eu esqueci - admitiu, irritada. Alfonso sorriu.

- Eu sei. Então eu mesmo preparei o seu banho. Coloquei os sais que gosto que você use. Você fica com um cheiro delicioso, anjo.

Anahi revirou os olhos.

- Estou realmente lisonjeada - ironizou, afastando o cobertor e saindo da cama. Quando entrou no banheiro, bateu a porta com um golpe só.

Com os olhos estreitos, Anahi constatou que Alfonso realmente havia preparado seu banho. Ela passou a mão na água e esta espumou, exalando um aroma gostoso. Ela então esvaziou a tina e teve de enchê-la outra vez. Não pretendia fazer as vontades de Alfonso, então não usou nada além do sabonete. Quando saiu, ele estava percorrendo todo o perímetro do quarto com impaciência, indo e voltando incansavelmente. Já estava vestido, impecável, de túnica e botas, cabelos penteados para trás, e o perfume que usava atingiu Anahi em cheio. Se ela tivesse usado os sais de banho que ele queria, ele provavelmente nem teria notado.

- Vai fazer um buraco no chão - ela cantarolou, agachando para tirar um vestido do seu baú. Alfonso parou, erguendo uma sobrancelha.

- Você tem exatamente cinco minutos.

- Eu ainda não escolhi meu vestido.

- Eu estou atrasado - ele soletrou, impaciente.

- Então saia daqui, infeliz! - Anahi vociferou - Eu sei o caminho sozinha. Ou você precisa de mim até para receber seus convidados medíocres?

Alfonso titubeou, irritado, mas cedeu. Ele não se preocupava com o fato de esperarem por ele há mais de uma hora, mas estava ansioso para saber a quantas andava o evento e como eram as pessoas que compareceram. Esse foi o único motivo que o levou a ignorar a resposta atrevida de Anahi e sair.

A vinícola nem de longe era como antes. Agora estava cheia de gente. E vazia de uvas. Ainda havia as armações, a estrutura, a sombra do que um dia aquilo foi. E era a garantia que poderia voltar a ser. Era isso que fazia aquelas pessoas curiosas cobiçarem aquele terreno, assim como a mansão propriamente dita, que estava a quase um quilômetro dali, mas ainda dentro da propriedade.

Constantemente, Alfonso tirava um relógio do bolso e conferia o atraso de Anahi. Aparecer sem ela foi intrigante, mas afinal, as mulheres sempre se atrasam. Todo mundo entendeu. Contudo agora era abusivo. E ele estava começando a ficar irritado.

- Isso aqui é enorme, Herrera - disse um homem que caminhava lado a lado com Alfonso - O que mais você esconde nessa propriedade?

- Um lago, um estábulo, uma pista de corrida para os cavalos, dois campos gramados, e na casa tem 15 suítes para visitas, creio eu, ou quase isso. Os demais cômodos são tantos que não me recordo agora.

- Uau! - o homem riu, nervoso - Tudo isso a um preço exorbitante, suponho.

- Se você não estivesse disposto a pagar, não estaria aqui, suponho.

- Tem razão. Eu gosto de fazer negócios com homens como você, Herrera. Homens decididos - disse ele, batendo uma mão amigavelmente sobre um ombro de Alfonso, que assentiu, revirando os olhos. Ele conhecia muito bem a intenção por trás de tantas amabilidades. Provavelmente aquele homem esperava que Herrera concordasse com uma oferta medíocre, nem um pouco a altura do que a mansão realmente valia.

- Eu ainda não estou decidido - corrigiu - Tenho que ouvir outras propostas. Aceito a que me favorecer.

O homem pareceu levemente ultrajado e recolheu a mão.

- Dessa forma, seria mais conveniente que fizesse um leilão.

- Não é uma má ideia - Alfonso ponderou - Posso pensar sobre o assunto.

- Entendo. E aquela senhorita? Ela está inclusa no pacote também?

Herrera girou na direção que o homem apontava e lá estava Anahi, finalmente, rodeada por uma boa porção de pessoas eufóricas demais. Pelo que Alfonso podia ver, dentro do círculo estava ela e outro homem. Um homem que segurava a mão da sua esposa com bastante cuidado...

Ruas de OutonoOnde histórias criam vida. Descubra agora