Capítulo 026

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A porta do trem foi fechada e Anahi observou Alfonso pela janela. Ela acenou com a pequena mão enfaixada, sentindo-se saudosa. Seus dias de espera seriam longos agora que ele havia partido.

Ela aproveitou a volta para ir até o vilarejo e buscar a tia, prometendo a ela uma tarde divertida de distração, incluindo fofocas e os mais diversos luxos da mansão de Arthur enquanto ele viajava.

– O que você disse? – Margareth perguntou, alarmada – Arthur?

As duas estavam quase entrando na carruagem da sobrinha quando o impacto do que ouvira a obrigou a voltar.

– Ah, tia Margie... – Annie murmurou, sentindo-se meio perdida. Ela nunca havia contado a Margareth as reais circunstâncias que a levaram a se aproximar de Alfonso. Era fato que eles haviam se conhecido no baile, sem pretensões, e era fato que, desde o primeiro olhar, por trás das máscaras e da hostilidade de dois desconhecidos, sentiram-se intensamente atraídos. Mas muita coisa ao longo do tempo fora ocultada. A principal delas, na verdade.

– O que foi que você disse, Anahi? – a tia perguntou outra vez, dura.

– Margie, é que... – ela gaguejou, apreensiva – Alfonso trabalha para Arthur.

A mulher pareceu levar um golpe intenso e cobriu os olhos com uma mão, respirando fundo. Quando voltou a encarar a sobrinha, estava mais furiosa que antes.

– O que é que você está planejando? – perguntou, dura, e Anahi franziu o cenho.

– Planejando...?

– Sim, Anahi, o que você quer realmente? De quem você pretendia se aproximar ao se casar? De Alfonso ou de Arthur?

Anahi abriu a boca, quase em choque, uma camada de tristeza cobrindo suas expressões.

– Margareth, eu amo Alfonso – ela explicou, balançando a cabeça.

– Annie, eu sei que você seria capaz de muita coisa para encontrar esse homem e agora que conseguiu... – fez uma pausa, ofegando – Eu... Não gosto de imaginar.

– Mas eu já entendi que Arthur nunca me quis e que não quer me ver agora. Isso é recíproco. Eu não quero mais girar o mundo só para encontrá-lo. Por favor, não desconfie de mim.

– Então vá embora daquele lugar – a mais velha pediu, segurando as mãos trêmulas de Anahi com força. Annie começou a assentir desesperadamente apenas para consolar uma tia que parecia a beira das lágrimas – Você não precisa desse homem para nada! Você não o conhece!

– Eu vou sim, mas agora não. Alfonso ainda não comprou nossa casa e...

– Vocês podem morar comigo! – Margareth sugeriu, enérgica.

– Nós não somos uns desabrigados, Margie!! – disse Anahi, vincando a testa – Acalme-se. Nós vamos continuar lá até que ele resolva isso. Onde Alfonso estiver, eu também estarei.

Depois disso, Anahi ouviu um longo e pesado ofego e então Margareth balançou a cabeça em negação, derrotada. Suspirou novamente e tinha os olhos sem vida. Dessa vez, a loira achou que aquele fosse um suspiro de decepção. E isso magoava. Como era possível que, justo quando todos olhavam para Anahi com admiração, uma das pessoas que mais importava agia exatamente ao contrário?

– Bom, eu não quero ir para lá. Vamos ficar aqui – disse a mais velha. Anahi assentiu, entristecida. Margareth começou a refazer o caminho de volta a sua casa, enquanto a sobrinha a observava, completamente muda.

Depois disso, era de se esperar que a tarde não corresse como Anahi uma vez imaginou, mesmo que as duas tentassem ignorar a todo custo o que acontecera. Quando chegou a hora de regressar a mansão, Anahi não conseguiu evitar a imensa sensação de alívio.

Ruas de OutonoOnde histórias criam vida. Descubra agora