Capítulo 053

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Os dias passavam lentamente e, em contrapartida, a distância entre Alfonso e Anahi aumentava com rapidez. Ela mantinha sua permissão para sair, nisso Alfonso não havia voltado atrás, afinal mantê-la presa em casa elevaria o convívio a um nível pior. Ian ainda não havia enviado notícias e ela não podia encontrá-lo sem uma justificativa. Então, dessa vez, realmente estava visitando os tios. Isso manteria Alfonso em seu lugar, caso ele tentasse testar a palavra da esposa. E foi o que aconteceu.

Depois da primeira vez que Anahi saiu sozinha e da confusão que ocorreu, Alfonso mandou averiguar a segunda. Ela não estava mentindo, isso era bom. Ele verificou a terceira apenas como garantia e tudo continuava nos conformes. Na quarta vez, ele se forçou a deixá-la ir realmente sozinha. E tudo ficou bem, na medida do possível. Na medida do possível...

Anahi não queria manter contato com ele, mesmo agora que Alfonso parecia bem mais maleável. Quer dizer, ela não precisava de muito debate para conseguir convencê-lo a ceder-lhe alguma coisa e ele nem sequer fazia insinuações sexuais. Anahi explodia muito pouco e, por isso, Alfonso explodia menos ainda. Os dois estavam sendo tão civilizados quanto nunca foram, até mesmo nas situações mais inusitadas, evitando-se o máximo que podiam.

Isso era bom.

Anahi continuou a dar seus passeios, sem maiores problemas. Então, num dia qualquer, Ian marcara um encontro com ela através de Dulce. Na carruagem, no dia combinado, a loira amassava todos os dedos ao mesmo tempo, os seus e os da amiga, que constantemente soltava gritinhos de ansiedade. As duas estavam mais uma vez indo à mesma colina de antes, onde ele as esperaria. Ele havia prometido pensar numa maneira de ajudá-la... Então se ele havia marcado, deveria ter algo importante a dizer. A expectativa deixava Anahi sem ar.

Sem dificuldade nenhuma e, aliás, com mais pressa que antes, Anahi subiu e desceu o pequeno monte, observando Ian aguardar da mesma maneira que a primeira vez, encostado a uma árvore. Dulce, ao seu lado, suspirou.

– Isso está ficando repetitivo, eu sei – disse ela, com um ar sonhador – Mas se ele não estivesse tão interessado em você...

– Interessado em mim??? – Anahi engasgou, estancando – Eu queria poder arrancar essa sua língua, Dulce! Não diga bobagens!

– Oi, Ian! – a ruiva cumprimentou, fugindo de Anahi – Como vai? Estamos loucas de ansiedade para saber no que você pensou.

– No que eu pensei? – ele indagou, coçando a nuca – Bom, eu pensei que seria agradável ficarmos aqui, então abri o convite. Trouxe algo para comermos.

Ele apontou a toalha sobre a grama, cheia de coisas sobre ela. Anahi titubeou, recobrando o fôlego, olhando para aquilo. O olhar de Dulce se transferiu para ela, junto com um sorrisinho contido. Nem precisava dizer nada, Anahi sabia exatamente no que ela estava pensando.

– Então você não... – ela gemeu, confusa.

– Não – Ian interrompeu, pesaroso. Ele sabia os motivos que levaram Anahi até ali, mas não foram os mesmos que o fizeram convidá-la.

– Nós adoramos! – Dulce riu, sentando-se sobre a toalha – Vem, Anahi, você va... – mas ela se interrompeu assim que ergueu os olhos para a loira. Um semblante de desespero cobriu seu rosto, substituindo a expressão divertida – Droga – ela murmurou, olhando fixamente para além de Anahi.

– O que foi, Dulce? O que você viu? – a loira perguntou, sentindo o coração disparar no peito. Não queria olhar para trás, não tinha toda essa coragem.

– Christopher – a outra respondeu, chocada – Christopher está vindo na sua direção.

Anahi colocou uma mão na cabeça, sentindo a visão escurecer e o chão perder a firmeza. Ah, Deus... Ela estava esperando por um desastre desde o dia que encontrara Ian pela primeira vez e ele finalmente chegara. Ela sabia que aconteceria; sempre foi uma questão de tempo, muito ou pouco. Agora era uma questão de meros segundos.

Ruas de OutonoOnde histórias criam vida. Descubra agora