A clínica veterinária onde Scott trabalhava não era longe e fizemos o trajeto bem rápido. Eu estava angustiado pensando em Liam – se morresse, seria minha culpa – torcendo com todas as forças para que ele ficasse bem. O chefe dele não apareceu, estava viajando, mas a ideia era trancar os quatro no porão – o que Theo cortou a garganta não sobreviveu – que era "a prova" de criaturas sobrenaturais, cujas paredes estavam recheadas de uma coisa chamada tramazeira, capaz de aprisionar não humanos, conforme me disseram. Enquanto Theo e Scott levaram o alfa e um dos dois de olhos azuis, fiquei no andar de cima vigiando os outros, desacordados. Reparei que, inconscientes e sem sua forma de lobisomem, eram apenas jovens, pouco mais velhos que meus novos amigos. Scott voltou primeiro para levá-los, com cara de pouca conversa e Theo subiu logo depois, com a boca e o nariz sangrando. Eles se olharam feio ao carregar os dois restantes e Scott pediu pra eu descer com eles.
– Nós não vamos matar ninguém – insistiu Theo – desde quando eu sou a voz da razão?
– Tudo bem – concordou Scott irritado – só quero ver como o R faz a coisa dele, é uma boa oportunidade.
A voz irritada do jovem alfa era assustadora. Ele estava suado, talvez pela batalha, mas era mais que o normal, embora não estivesse ofegante. O alfa assassino despertou e farejou o ar, observando Theo e Scott bloqueando a saída e percebendo a armadilha em que estava.
– Tramazeira – ele disse resignado – vocês vão me pagar.
– Você só está vivo – falou Scott com calma – porque temos uma opção melhor.
– Não, isso não – suplicou o alfa grandalhão me olhando feio – essa aberração não vai me tocar.
Ele estava com os braços e pernas presos, então coloquei minhas mãos em seu rosto e segurei firme, liberando meu dom de cura sobre o alfa assassino. Em três segundos ele pareceu diminuir de tamanho e seus olhos ficaram sem brilho sobrenatural. Meus companheiros se entreolharam, Theo com semblante preocupado, Scott com olhar vidrado de algo que parecia felicidade. Ele saiu na frente dizendo que levaria o alfa agora apenas humano para o xerife e que me encontraria mais tarde em casa e ordenou que o outro me acompanhasse. Theo limpava o sangue da boca e eu perguntei o que houve, porque não tinha visto ele ser atingido no combate.
– Scott ia matar o alfa – ele disse – tive que impedir.
– Não é uma boa coisa? Ele quase matou Liam.
– Sim, mas Scott nunca matou! Se ele matar, acredito que perca o poder de alfa genuíno.
– E isso é muito ruim?
– Um alfa genuíno – Theo explicou – é muito mais poderoso que um alfa comum. Scott já derrotou um bando composto só de alfas.
– Ele te bateu? Quando você protegeu o alfa?
– Sim, mas eu protegi foi o Scott. Ele ainda não gosta totalmente de mim acho, já fomos inimigos.
Enquanto voltávamos para casa do Scott, concordamos que o jeito estranho dele era por causa da quase morte de seu primeiro beta. Theo me contou suas desventuras com o jovem alfa e como ele aprendeu a ser uma pessoa melhor e foi aceito no bando. Ele nunca se perdoaria, no entanto, por ter deixado a irmã morrer. Contei os detalhes da minha fuga, já que ele não estava presente da primeira vez e disse que entendia de culpa, pois causei a morte de minha família. Tínhamos uma certa empatia por isso, mas acabei percebendo que eu não sentia desejo pelo Theo. Ele era jovem, impetuoso, forte, bonito, musculoso e muito atraente, mas meu coração era do Scott. Só Derek conseguia me balançar, mas nem chegava perto de como eu me sentia perto do alfa genuíno do bando.
