– Qual será o objetivo da árvore? – Scott perguntou nos fazendo pensar naquilo.
– Eu também não sei, mas me senti ligado a ela desde a primeira vez que a vi.
– O que você não sabe genrinho? – Melissa perguntou entrando na cozinha, sendo seguida por Chris, os dois acordaram tarde hoje, normalmente se levantavam primeiro que eu e meu alfa.
O casal se sentou à mesa, eu preparava o desjejum, Scott amamentava Elliot e o cheiro de bacon e ovos enchia o lugar. Sempre achei meio gorduroso demais a combinação, mas estava me acostumando a comer isso pela manhã, assim como o café preto passou a ser uma constante na casa. Observei a interação do casal mais velho e desviei os olhos para não ler o que andaram fazendo durante a noite. Acabei sorrindo para o fogão e Melissa percebeu aquilo.
– Posso saber o porquê desse sorrisinho senhor Gabriel?
– Pensando em coisas legais, nada de mais. – Respondi ainda sorrindo.
Chris se levantou do assunto, mas também sorriu, assim como Scott, discretamente.
– O que foi? – Ela disse com a voz propositalmente alterada – acha que só você e Scott podem balançar os colchões? – Chacoalhou o corpo ainda com as mãos na cintura e o olhar incisivo.
– Mãe! – O rapaz exclamou surpreso e envergonhado, fazendo cara de desagrado.
Segurei para não rir da cena e encarei a mulher, dizendo com o olhar afiado.
– Quer disputar quem faz mais barulho?
– Gabriel! – exclamou ficando muito vermelho e a mãe dele me encheu de tapas no braço, me abraçando em seguida.
– Você não presta genrinho. – Ela se virou rindo para o filho – o que você foi me arrumar hein?
Melissa saiu também para se aprontar e Scott me encarou sorrindo.
– Adoro provocar sua mãe – confessei – e você não devia ficar tão envergonhado, ela também merece ser feliz.
– Ela é minha mãe, não quero imaginar o que faz com Chris a noite. Argh, você me fez pensar nisso de novo. – Ele beliscou minha costela como eu fazia sempre com ele e quase deixei a concha cair.
Elliot dormia no carrinho depois de se alimentar. Era sempre assim com esse moleque sem vergonha. Acordava de madrugada, ficava até de manhã querendo atenção e dormia quando já estava claro. Ansiava pelo momento em que ele estaria mais velho e com os horários mais regulados, mas não queria perder essa fase dele pequenininho e tão gostosinho de tomar conta. Meu alfa foi para o trabalho na clínica e eu fiquei cuidando do bebê e arrumando a casa. Lydia chegou um pouco mais tarde doida para brincar com ele, mas como estava dormindo, resolveu esperar e ficamos conversando na sala.
– Eu estou com aquela sensação ruim de novo – ela disse me olhando preocupada, olhar choroso e a voz bem baixa.
– Que sensação mulher? – Perguntei já ficando preocupado.
– Uma coisa aqui no meu peito – ela apontou para o coração com as pontas dos dedos juntas – e uma voz que sussurra, mas não consigo entender o que diz.
– O que isso quer dizer? Você vai achar um corpo?
– Não. Só senti isso duas vezes nos últimos tempos. Quando Theo morreu, mesmo estando inconsciente e quando nós estávamos em Londres.
– Alguém da alcateia? – Me sentei do seu lado segurando sua mão.
Ela confirmou com a cabeça sem dizer nada e lágrimas silenciosas escorreram de seus olhos.
