O Ômega Alfa

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Não consegui dormir bem. Ficava dez minutos no máximo sem acordar sobressaltado, atormentado pelo medo do futuro. Estava dormindo na cama do Scott, mas não com ele. Se encostava em mim durante o sono, roçava, me abraçava e eu suspirava sabendo que ele dormia profundamente. Tomei uma decisão importante no meio daquela noite: tinha que manter meu jovem alfa e seu bando em segurança e por isso, deveria deixar a alcateia. Me peguei pensando, acordado, na primeira vez em que fugi. Era um quarto de criança, em uma casa simples no meio do cerrado e eu estava sentado na cama desesperado, depois de ouvir os gritos de morte dos meus parentes e com a certeza de que seria o próximo. A porta tremeu enquanto algo tentava abri-la a força e tudo ficou escuro por um instante. Não. Não foi escuridão que eu vi. Essa memória era carregada de luz amarela, como o sol da manhã batendo no rosto ao acordar. No momento seguinte, estava no cerrado correndo sem rumo. Corri muito até achar a rodoviária da cidadezinha onde nasci e lá arrumei uma carona para qualquer lugar. Minha primeira fuga, meu primeiro dia sombrio. Tudo isso me trouxera aqui, para Scott e seu bando, para Beacon Hills e talvez para a morte. Se tivesse que ser, que fosse apenas a minha morte. Ressonei por um instante perdido em pensamentos e a luz amarela me visitou de novo.

Me vi no meio do bosque próximo à Beacon Hills, carregando minha mochila. Sabia o que devia fazer, o mesmo que vinha fazendo há seis anos. Meu sonho bom até que durou bastante, com o bando do Scott. Descansado e decidido, corri, cada vez mais para longe dali, até achar a rodovia principal, que me levaria ao meu novo destino. Assim que clareou o dia, consegui carona em um trailer de um casal simpático e inocente – eles não deveriam dar carona assim – pensei. Eram aposentados e sem filhos, aproveitando a melhor fase da vida para acampar ao ar livre. Tentei não pensar no destino deles, caso acampassem a noite em torno daquela cidade, mas por sorte, não iriam para Beacon Hills. Paramos em um posto há algumas milhas da área urbana de onde eu viera e agradeci pela carona. Meu cartão de banco ainda funcionava e eu comprei algumas provisões, um chapéu, um casaco extra e comecei a andar na direção oposta à cidade de onde fugia. Andei até cansar e consumi toda a água e comida que trouxe. Por volta das nove da noite, fiz uma fogueira escondida atrás de um morro próximo à rodovia e me cobri com o casaco extra para tentar dormir. Fazia muito frio essa época do ano a noite e pensei que deveria ter ficado no posto, mas já tivera noites piores.

Era madrugada quando ele chegou, sem fazer questão de silêncio e acordei sobressaltado. Um jovem homem com cabelo liso castanho na altura dos ombros, rostinho bonito e braços cruzados, com um meio sorriso de quem pega o outro em flagrante aprontando algo errado. Usava uma jaqueta azul escura, sobre uma camiseta cinza com três botões, calças esportivas pretas e sapatos especiais para a mata. Viera preparado para se mover rápido naquele ambiente. Provavelmente perseguir alguém. Seu rosto bonito e jovem não escondia sua natureza vil.

– É melhor não tentar nada – ele falou calmo – eu já sei o que você pode fazer, mas você não sabe o que eu posso.

– Quem é você? – reuni coragem para perguntar.

– Me chamo Thomas – respondeu ainda calmo – sou um ômega. – Quando disse isso ele piscou devagar e seus olhos ficaram azuis brilhantes como os do Derek.

– E o que você quer de mim? – perguntei sem medo.

– Eu vou matar você – ele falou aumentando o sorriso.

– Porque? – perguntei não tão corajoso e a voz saiu trêmula.

– Por causa do que você faz, é claro.

– Seja rápido – eu pedi. Não queria morrer, estava apavorado, mas sei que era melhor para todo mundo.

– Você não vai nem tentar escapar? – Thomas perguntou ainda sorrindo.

...Histórias para pegar e não largar. Descubra agora