Magia Vodu

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Segunda de manhã, cheguei na empresa antes de Emma, na verdade, antes da maioria, com exceção daqueles que tinham outro horário de expediente. O pessoal da portaria já me conhecia e me cumprimentava com um sorriso e eu achava todos muito simpáticos, mas sabia que eles estranhavam eu não chegar em um carrão cercado de seguranças como meu tio provavelmente sempre fazia. A manhã prometia ser chata, como a segunda feira normalmente é, mas não achei que seria tanto.

Um grupo de representantes da União Europeia veio me ver, na verdade, entrevistar, com a intenção de embargar minha mudança de sede de última hora. Suspirei fundo e mantive a calma e fui desconversando como se não soubesse de nada até meus advogados chegarem e aproveitei para coletar informação dos quatro safados engomadinhos políticos. O fato é que uma mudança desse porte é sempre prejudicial para o local de onde a empresa é retirada, porque uma grande como a Galido's movimenta praticamente todos os setores da economia do local. Na realidade, esses senhores deixaram para fazer isso de última hora, na intenção de conseguir uma grana por fora, para não fazer o processo se arrastar por anos.

Pensei um pouco no que pretendia fazer, embora eu soubesse que seria arriscado e que as pessoas para quem eles trabalham poderiam me focar como alguém muito perigoso, o que dificultaria ainda mais minha vida, mas não pretendia passar mais um ano nessa rotina de viajar para a França toda semana. Dispensei os advogados e até Emma e pedi que os quatro falassem somente comigo, em uma outra sala de reuniões mais isolada e discreta, o que os fez sorrir, achando que eu ia oferecer o suborno que pretendiam ganhar.

Representavam respectivamente, França, Alemanha, Itália e Espanha e eram suficientes para jogar a própria entidade europeia contra mim, mas com os segredos que tirei deles, foi fácil convencê-los, através de ameaças veladas e uma leve chantagem, que o melhor seria transferir a Galido's de uma vez, antes que isso (no caso eu) causasse maiores problemas, diplomáticos e financeiros. Não saíram de lá nada felizes, mas não tinham outra opção, já que o preço por me atrapalhar seria muito maior.

Achamos que a reunião levaria uns dois dias – o que aconteceria normalmente se fosse feita pelos trâmites costumeiros – não havia mais compromissos marcados para hoje e eu aproveitei para fazer um safari, ou melhor, visitar o Nemeton da África. Emma queria me convencer a levar uma arma para atirar em leões e outras feras, mas só estava exagerando como sempre, no entanto, não me deixou ir sem o celular com gps que ela usaria para falar comigo e me localizar se desse algo errado. Me distraí um pouco e a peguei pesquisando fantasias de super heróis para comprar.

Como não conhecia nada do Gabão – país africano onde estava a floresta do Nemeton de lá – saltei como sempre para o litoral, uma praia na capital Libreville, onde a chance de sair no sol era quase cem por cento. O lugar estava bem vazio e a cidade é muito bonita, de clima quente e tropical. O idioma ali é francês – que eu não domino muito bem ainda – mas com sorte encontraria algum taxista com inglês aceitável. Antes de chegar à rua onde pegaria um taxi, um homem e uma mulher negros, vestidos com roupas amarelo e pretas, de corpo inteiro e calçando sandálias de madeira me abordaram. A "túnica" dele não tem mangas e o rapaz usa camiseta branca e jeans por baixo dela, seu cabelo é curto e enrolado e ele usa óculos escuros por causa do forte sol. O cabelo da jovem é semelhante, encaracolado, preto, longo e preso em um bonito rabo de cavalo. A túnica que ela usa cobre até os cotovelos e chega quase aos pés, mas o que mais me chamou a atenção foram os colares e pulseiras, dentre os quais haviam alguns com dentes de animais selvagens. Ela também estava de óculos escuros, o que dificultava momentaneamente minha vida.

– Sawubona – falou o homem primeiro – você fala inglês, eu presumo.

– Estávamos esperando você, jovem curandeiro – a mulher disse em tom misterioso.

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