A festa de aniversário estava incrível. Eu nunca tinha tido uma de que me lembrasse, então não havia como comparar, mas se fosse para escolher, aquela estava perfeita. Só amigos e parentes de amigos, minha sogra e o namorado dela, toda a alcateia McCall e é claro, meu alfa. Melissa permaneceu pouco tempo, já que Elliot não podia ficar naquele ambiente barulhento, só o suficiente para me dar o presente e um abraço maravilhoso carregado de emoção verdadeira. Chris aproveitou a deixa para também sair acompanhando a namorada, Natalie, Noah e o senhor Tate também não se demoraram muito, mesmo assim ficou bastante animado o lugar. Eu não sei dançar, então apenas acompanhava meu alfa enquanto os outros também aproveitavam a música. Ele ficou às minhas costas e prendeu alguma coisa em meu pescoço – um colar ou pingente – dizendo "feliz aniversário, eu te amo muito" e eu me virei beijando sua boca.
Fiquei em choque quando percebi que ele me dera exatamente o mesmo pingente que minha mãe usava – uma cordinha incomum fina com três dentes de lobo guará nas pontas, de tamanhos diferentes. Enquanto acompanhava seus passos desinibidos pelo salão improvisado no dojo, quase sempre mantinha os três dentes dentro de minha mão direita, como se não conseguisse acreditar que eram reais, ou se fosse desaparecer se eu parasse de tocá-los. Comemos, bebemos, dançamos e fizemos várias brincadeiras de aniversário, indo para o karaokê quando o pessoal já estava ficando animado demais. Stiles – que havia me trazido um jogo de luta portátil bem legal como presente – veio me chamar para testar os arcades, dizendo que havia treinado para me derrotar e Scott foi junto para se divertir também como pudesse.
A festa durou até as três da manhã, quando o cansaço começou a dispersar o grupo e cada um procurou seu canto de repouso. Montei a garupa da Triumph Tiger 900 e fui para casa com meu alfa, deixando um monte de presentes para pegar depois e tomado pelas emoções daquele dia incrível e ele prometeu que o dia seguinte seria ainda melhor. Quando chegamos para tomar um banho e ir repousar, Melissa estava no quarto observando Elliot dormir e Scott praticamente teve que expulsar a mulher para que tivéssemos um pouco de privacidade. Não demoramos muito a pegar no sono. O dia seguinte, passamos na cachoeira – como visto no capítulo anterior – e voltamos para casa de novo bem cansados, mas muito felizes. Tantos momentos de felicidade e tudo dando certo chegava a instigar meu lado pessimista, dizendo que algo muito ruim ainda nos esperava nos próximos dias.
No último dia do ano, o melhor ano de minha vida até agora, acordei bem cedo e animado, já que dormimos por várias horas. Scott e Melissa de folga, Argent resolvendo problemas pela cidade e um belo sol na manhã com poucas nuvens e uma brisa agradável. Eu já sabia trocar fralda, colocar o bebê para arrotar e a temperatura certa da mamadeira, embora Melissa quem tenha feito isso na maior parte das vezes e Scott estava um pouco atrasado nisso, já que ela abusava da autoridade de mãe para nunca deixar o filho aos cuidados do rapaz. Chegou ao ponto dele ficar ansioso pelo dia dois de janeiro, quando ela voltaria a trabalhar no hospital. Eu tentava apaziguar a disputa como podia, na esperança de que, com o tempo isso se tornasse mais fácil para ambos.
Não teria aulas até o final de janeiro, mas eu ainda tinha muito conteúdo para estudar. Era bem mais fácil com o professor na minha frente, usando meu dom de leitura, mas eu também gostava de ter que me esforçar para aprender. Coloquei uma mesa de plástico na varanda e estava lá cheio de livros e cadernos, Scott do lado com Elliot – finalmente Melissa começou a ceder a seus apelos – e enquanto eu estudava, ele cuidava do nosso filhote. A manhã estava tão linda, os conteúdos razoavelmente fáceis e meu alfa ainda mais lindo, então não sabia porque havia um peso em meu coração me alertando de que algo ruim estava para acontecer. Abri um livro de história e deveria fazer um resumo sobre a lenda da fênix, o lendário pássaro de fogo e isso só fez o aperto em meu peito piorar. Fiquei um tempo observando a figura desenhada no livro e imaginando se seria possível aquilo ser real. Scott era um lobisomem e eu não podia ser morto, já tendo voltado várias vezes da morte certa. Lydia podia voar e destruir concreto com a voz, além de prever a morte e encontrar corpos. Um pássaro de fogo que ressurge das cinzas seria perfeitamente aceitável. Não pude deixar de notar a semelhança dele comigo nesse aspecto de enganar a morte.
