O Último Lamento da Banshee

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Abaixei a visão intimidado pela presença forte do jovem alfa Hale e procurei as palavras certas, sem querer dizer nada que o marcasse e aumentasse a raiva e talvez até o ódio que nutria por mim agora. Era doloroso demais até mesmo encarar seu belo rosto marcado pelo que ele devia estar sentindo por mim e eu sei que merecia aquilo. Antes que eu percebesse, logo que levantei o olhar para iniciar a conversa, Derek se aproximou de supetão, colocou sua mão esquerda em minha nuca e sua boca na minha. Ele me beijou intensamente, sugando meus lábios e tirando meu fôlego e eu tentei resistir, surpreso demais com aquilo, nunca imaginando que ele faria algo do tipo. Como em uma novela ruim dessas que a gente assiste por puro ócio, Scott passou no fundo da cena, indo colocar a moto na varanda e viu tudo que acontecia. Lutei desesperadamente para me soltar, mas o jovem lobo, muito forte, me manteve preso naquele beijo por mais algum tempo, enquanto meu alfa genuíno apenas virou o rosto e continuou seu caminho até o outro lado da casa onde normalmente deixava sua condução.

Derek afastou seu rosto do meu, mas manteve meus braços presos e eu percebi que não ia conseguir me soltar facilmente dele porque era muito forte. Seu olhar estava vívido em vermelho brilhante e seu sorriso, o mais largo possível. Ele havia escutado meu namorado chegando de moto antes de mim com sua super audição e armou aquela cena para me punir.

– Me solta – falei tentando me libertar, já ficando com raiva, mas lutar parecia inútil.

– Quer conversar agora? – ele disse com um sorriso irônico – Ou quer tentar explicar para o McCall o que ele acabou de ver?

Tenho certeza que eu merecia sua armação, mas Scott não. Pensei tarde demais que deveria ter conversado antes com ele sobre o Hale e eu, já que tudo que aconteceu fora antes de ficarmos juntos. Vendo que não ia conseguir me soltar e ele não queria fazê-lo, para dificultar minha ida até o outro e me justificar, acertei meu joelho com toda a minha força entre as pernas do jovem Derek Hale e apesar de toda sua força e vigor, se ressentiu e me largou, uma vez que acertei em um ponto muito sensível.

– A-aaiii! – Ele gemeu se curvando e protegendo as partes – Isso era mesmo necessário?

Sem responder, corri para o outro lado da casa, mas Scott não estava lá e percebi que a moto também não fora deixada guardada ali. Em vão, procurei por toda a casa várias vezes e até olhei a rua para ambos os lados. Tentei ligar, mas o celular dele estava desligado. Derek havia conseguido se vingar de mim com maestria e de um jeito bem simples, pensei, mas não consegui ficar realmente com ódio dele, pois eu sabia que havia sido muito cruel com o rapaz. Aquilo fora necessário, pensei tentando me perdoar, embora eu soubesse que isso não faria meu alfa genuíno fazer o mesmo. Talvez tudo estivesse perdido para sempre. Foi difícil não cair no choro, mas me larguei sobre os joelhos em um canto do jardim e comecei a me consumir de remorso, tristeza e uma raiva inútil, tão inútil quanto minha vida inteira. A presença forte de alfa que Scott sempre mantinha dentro de mim, aquecendo meu coração em tempo integral parecia diminuir aos poucos, como se ele estivesse se afastando para bem longe.

Depois de quase duas horas no jardim, sem forças nem para me reerguer, vi Lydia vindo em minha direção, mas a garota não estava normal, se é que se pode dizer isso dela em algum momento. Seus olhos muito abertos refletiam fortemente a luz do sol que incidiam diretamente sobre eles enquanto ela olhava um pouco para cima, sem ver onde estava pisando e guiada por alguma coisa invisível na minha direção. Fiquei de pé para que não trombasse em mim e a segurei pelos braços, sacudindo seu corpo com força para tentar quebrar o transe. Ela balançou a cabeça como se despertasse e me encarou de olhos arregalados e úmidos.

– Eu vim procurar você... mas não sei como cheguei até aqui.

– Você está bem? Como se sente? – perguntei preocupado. O vento balançava todo o seu cabelo ruivo, mas eles se mexiam de maneira incomum.

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