— Sem problemas. Vou agora. Ele está onde?
— Com o Alaric. — Falei. Ele saiu do quarto ao meu lado. Entrei no meu quarto e entrei no banho. O Luke é gato, forte, da CIA, tem uma história legal, parece ser sensível, beija bem mas ele não me atrai em nada. Ele não me chama atenção como eu chamo sua atenção. E ele não pode me obrigar a gostar dele, nem me forçar a beija-lo. Depois do banho me sentei e fiquei mexendo no celular. Alguém bateu na minha porta. Abri e era o Max segurando o pescoço de Luke. Ele está com cara de quem levou uma rasteira na luta enquanto recebia um belo sermão. Então Max forçou mais o pescoço dele.
— Desculpa por ter te beijado a força. Não queria te deixar brava. — Ele pareceu convincente.
— O.k. Espero que isso não se repita de novo. — Falei e o Max o largou. Ele foi até o quarto dele e eu dei risada.
— Não acredito que fez isso Max. — Ele riu também e entrou no quarto dele.
Se passaram os quatro meses. Agora estamos em março. Hoje de manhã Ryan nos chamou na sala dele. Estavam os três ali quando entramos. Estava em cima da mesa o tão esperado distintivo. Ficou eu e Max de um lado, Luke sozinho de outro. Meu pai começou a falar mas eu só pensei no fato de poder ir embora e não ter mais que olhar pra cara do Luke todo santo dia tentando fazer eu gostar dele.
— Bom, então agora você é um Agente finalmente completo. Parabéns à você e aos seus treinadores. Estou orgulhoso de vocês três. — Foi só o que eu ouvi de tudo que Ryan disse ali.
— Obrigada Senhores. — Luke falou sério. Carlos fez as "honras" de dar o distintivo pro Luke. Até hoje ninguém soube do tal beijo que ele me deu.
— Estão todos liberados. — Ryan falou. Fomos pros nossos quartos e pegamos nossas malas. Eu estava sem meu carro então eu entrei no carro do Max. O Luke vai para um apartamento solo por que vai trabalhar com uns amigos da antiga.
— Finalmente estamos livres do chato do Luke. — Max ligou o carro e fomos pra casa. O tempo estava fechado e quando estavamos quase perto de casa começou a chover muito forte. Ao entrarmos portão a dentro vimos a garagem sem dois carros. Saimos do carro e fomos andando correndo até a porta da frente. Está fechada. Trancada. Tocamos a campainha loucamente mas acho que não tem ninguém em casa. — Acho que todo saíram.
— Ah, sério? — Perguntei irônica. Eu estava molhada e com frio.
— Vamos tentar as portas dos fundos. — Ele propôs. Fomos para as portas dos fundos. Nada. Fechada. — Tenta ligar pra alguém. — Tentamos, mas está tudo fora de área ou não atendem. — Fica aqui, eu vou atrás deles. Tentar achar alguém. Se um deles voltar você me liga o.k.? — Pediu Max. Concordei. Ele saiu e eu tentei entrar no meu carro para me aquecer mas esta trancado e com o capô fechado. Me sentei ali perto tentando me aquecer mas foi em vão. Minhas roupas estavam com Max e estava tudo aberto. Gelado. Após quinze minutos comecei a tremer de frio mais ainda então chegou um carro. As luzes me deixaram cega por uns segundos.
Eu o vi sair do carro quando ele baixou a luz dos faróis. Foram longos meses sem ver aquele cabelo arrumadinho, abraçar aquele corpo escultural e ser abraçada por aqueles músculos grandes e exagerados. Sei que já passei mais tempo sem vê-lo e sem falar com ele mas das últimas vezes nós nos beijamos. Estava eu lá, encolhida de frio e gelada quando ele se aproximou correndo.
Admito que fiquei olhando para sua carinha de preocupado.
— Tori! Ei, tudo bem? O que está fazendo aqui fora? — Aquela voz parecia estar saindo a boca dele em câmera lenta. Eu estava olhando pra ele parecendo idiota. Concordo. Tentei falar alguma coisa mas não saia nada. — O que foi? Fala. — A mão dele estava quente. Notei isso quando as duas encostaram meu rosto.
— Está trancada. — Saiu. Ele abriu a porta dos fundos e voltou pra me pegar. Literalmente. Ele me colocou no colo e me levou pra dentro.
— Desculpa, eu sai por último e não sabia quando iam voltar. — Ele me olhou e eu estava me aquecendo com ele na minha cola. — Melhor você ir tomar um banho bem quente por que você está bem gelada. — Chegamos em meu quarto então ele me desceu no chão. — Por que o Max não está aqui?
— Ele foi atrás de algum de vocês. — Minha voz saia normal agora.
— Ah.
Entrei no banheiro e tirei aquela roupa molhada. Me enfiei água abaixo e senti um arrepio no início mas logo estava bem.
— Rafael? — Queria saber se ele estava ali.
— Oi! Quer que eu saia? — Ele perguntou.
— Não precisa. Só não me olha. — Mandei e abri a porta. Ele ficou meio sem jeito e olhou pras mãos dele.
— Meio difícil com você assim. — Ele falou rindo.
— Idiota. — Ri também e do nada deu aquele momento nostalgia em mim. — Você acabou de ganhar um dólar.
— E você tem mil dólares a mais na sua conta bancária a cada minuto. — Eu dei um sorriso de lado e me vesti. Coloquei uma calça moletom cinza e uma regata curta e larga. Fazia minha barriga aparecer. Sai pro quarto.
— Quer tanto me beijar assim, Rafael? — Perguntei e ele levantou, passou as mãos nas calças e deu um sorriso meio tímido.
— Você não tem idéia. — Ele parece aqueles adolescentes quando gostam de uma garota mas é tímido.
— Preciso ligar pro Max. Avisar que você chegou. Me empresta seu celular? — Falei olhando pra ele. O Rafael está meio pra baixo. Eu me aproximei dele e o abracei. Parece que eu senti ele sorrir no meu pescoço. Ele me apertou, foi dolorido mas foi confortante.
— Eu senti tanto sua falta. — A voz dele no meu pé de ouvido fez eu me arrepiar. Mas tanto que ele riu ao perceber. — Pelo jeito não me esqueceu tanto assim. Ainda te deixo nervosa. — Ele colocou meu cabelo pra traz e cheirou meu pescoço. Tentei me distanciar mas ele esta me segurando forte de mais. Beijei a bochecha dele demoradamente e ele me soltou um pouco. Minhas mãos desceram pros braços dele. Fiquei no tamanho normal e ele beijou minha testa longa e demoradamente. Quando ele me soltou ele mesmo pegou o celular dele e ligou pro Max. — E ai cara. Cheguei em casa e botei a Tori pra dentro... Ah ta. O.k. — Ele falou me olhando. Me distanciei e desci para cozinha. Ele veio atrás de mim.
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Dreaming out loud
AdventureTori pensava que sua vida já não era normal quando era adolescente. Mas quando conhece seu pai e sabe da sua verdadeira linhagem sua vida muda completamente e então nota que sua vida antiga era mais do que normal. E Rafael faz parte dessa loucura in...
