Christian não parava de socar o perseguidor de Gaby. Suas mãos fechadas trabalhavam alternadamente sobre o rosto do indivíduo. Christian parou quando o viu desfalecer na sua frente e ofegante, ficou analisando o rapaz.
— Não é ele — disse, enfim.
— Como assim? — perguntou Jonas, criando coragem para se aproximar e ver melhor a fisionomia do rapaz de olhos fechados.
Christian estava convicto de que aquele jovem não era o mesmo que estivera surrando Gaby.
— Como você sabe disso? — perguntei, desacreditada com aquela breve avaliação. — Não dá para concluir isso quando estamos diante de um cara agressivo que usava máscara e aproveitava a pouca luminosidade.
Christian virou-se para mim, inexpressivo. Colocou as mãos na cintura e me olhou dos pés à cabeça.
— Você está bem?
Envergonhada, desviei de seu olhar e consenti, balançando a cabeça afirmativamente.
— Eu tive contato com o outro e posso garantir de que era mais baixo e mais gordo. Este daqui é mais magro e alto. A voz também estava estranha, soava, como se estivesse forçando — ele concluiu.
Não vou concordar, porque não me atenho a detalhes. Mas quando ele falou da voz, eu comecei a doscernir o tom do psicopata nos dois momentos diferentes: quando ele estava com a Gaby e quando ele esteve comigo.
— Esse garoto não é o mesmo, infelizmente, estamos encurralados — definiu Christian.
— Onde está o maldito? — a voz pertencia a Gaby e ela subia as escadas, acompanhada de Isaac e mais três homens armados e trajados com fardas. Eram policiais.
Só de ver aquela garota confiante e bem só me trouxe alívio. Nunca fui com a cara dela, admito mas também nunca lhe desejei mal. Eu sentia admiração pelas suas fotos incríveis, mas vê-la como alguém de carne e osso e depois de tudo que passou, realmente, era apenas uma garota.
A maquiagem engana e nos faz acreditar em um mundo de perfeições, onde ninguém envelhece e tem imperfeições espalhadas pelo rosto.
A ajuda finalmente chegou e aquele moleque idiota seria investigado e se houvesse outro envolvido, tenho certeza de que logo seria pego e todo mundo voltaria a viver suas vidas sem temer pelo segundo seguinte.
Isaac abraçava e acariciava o rosto machucado de Gaby, ele beijava sua testa e a envolvia em seus braços. Como ele era mais alto, ela se escondia sob seus braços e peito. Os dois se amavam e aquilo me doía, principalmente, pela mentira, pela falsidade, pela traição. Um amor de verdade não se sustenta por mentiras e eu não conseguia encarar isso como algo normal. Minhas vontade era ir até lá e desmascarar de uma vez por todas. Mas o ser humano é falho e quem não me garante de que Isaac não tenha cometido erros com a Gaby?
Christian deixou de abraçar sua irmã e começou a andar na minha direção. Meu corpo tremeu e tentei aparentar o mais normal possível.
Ele se posicionou ao meu lado e cruzou os braços na altura do peito, olhando para Isaac e Gaby, juntos, abraçados.
— Não fala nada não — ele começou.
— Eu deveria. Isaac não merece ser enganado.
— Não vai adiantar nada.
— Como tem certeza? Não quer que atrapalhem seus encontros.
— Não costumo repetir figurinha, mas com a Gaby é com diferente. Ela é uma garota especial, fora do comum e com ela vale a pena se encontrar inúmeras vezes.
Minha língua ficou presa, não consegui olhar para ele.
— Isaac não merece isso — repeti, furiosa. — Ele merece a verdade e não isso.
Christian abafou uma risada de sarcástico e falou:
— Primeiro, não é o momento certo para falar disso. Estão todos abalados para ouvir seu flagrante. Segundo, Isaac nunca acreditaria em alguém que ele nem sabia que existia. Ele ama Gaby e não vai acreditar em uma completa desconhecida como você. Sua palavra não vai valer nada e ele não vai dar importância a você. Pare de querer achar que a verdade é a coisa certa, porque nem sempre é.
Eu engoli em seco. Tive de concordar com ele. Isaac me entregaria para o psicopata sem pensar duas vezes. Eu não significava nada, porque era uma completa desconhecida, admiradora de suas músicas.
— Você é tão ru-de — falei, olhando para Christian e segurando o choro. Ele havia salvado minha vida, mas me tratava mal, como se eu fosse nada.
— Eu sou direto — ele respondeu— , se cuida — ele se afastou, sem dar a mínima.
Eva, Clarisse e eu voltamos para nossas casas. Pegamos carona em um táxi e respiramos aliviadas por minha família não ter sido comunicada. Parece que Gaby conseguiu resolver tudo com a ajuda de seu empresário e assessor. Não mentimos nossas idades, apenas saímos a tempo. Demos nossos depoimentos e fomos embora.
Cheguei em casa, e resolvi tomar um banho e dormir. Ao tentar dormir, minha mente viajou e se prendeu a duas pessoas: Isaac, com sua voz angelical que me fazia derreter, e Christian, um cara debochado, apático, rude, mas que fazia meu corpo arrepiar.
Eu tentei fechar os olhos, mas a droga do celular insistiu em apitar e pensei na Eva ou Clarisse. As duas dormiam tarde e com certeza falariam alguma coisa para interromper meu sono, que estava longe, mas logo chegaria, se eu colaborasse. Olhei para a mensagem e tomei um susto.
" Que vaquinha você, hein! Bem corajosa, né! Vai aprender parar de ser intrometida, garota. Meu amigo se feriu feio, mas consegui seu número, cuidado, eu vou tá na sua cola.
Ass: O verdadeiro mascarado"
E agora? ferrou tudo. Ele sabe o número do celular dela e realmente ele não estava sozinho. O que estão achando da história? Obrigada por tudo!
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Fiksi RemajaLisandra é uma adolescente que não compreende o porquê das pessoas seguirem outras e admirá-las, como se fossem intocáveis, entretanto, ela não se dá conta de que também faz parte desse mundo e sempre está de olho nos passos de seu cantor favorito q...
