Capítulo 11 ☘

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A longa mesa continha frutas cortadas das mais variadas cores e estações. Os salgados bem recheados eram os mais preferidos entre os participantes; os doces, em sua maioria era de sabor chocolate e acabei me entregando à vontade de experimentar um por um.

Avistei Clarisse e Eva, sentadas na ponta da mesa, desfrutando do sorvete de flocos.

— Senta aqui, amiga. Isso está uma delícia — convidou Clarisse, erguendo o braço para o alto. — Gaby jamais colocaria uma colherada disso na boca, senão o corpo dela não seria perfeito daquele jeito. Mas como somos meros mortais, podemos e merecemos!

Uma cadeira disponível me aguardava e me juntei a eles todos. Eva fez um pratinho com dois salgados e uma taça de sorvete com chocolate e menta. Agradeci e comecei a comer envergonhada. Pensei onde estaria Gaby e Isaac. Os dois deviam estar por aí aos amassos.

— Estamos sendo filmados e isso é fantástico — avisou Eva, de boca cheia de biscoitos de polvilho.

Após a refeição rápida e agradável, todos se levantaram e fomos aconselhados a se espalhar e conhecer os quartos no segundo andar. A maioria das pessoas estavam interessadas no jardim detrás do casarão, lá, alguns diziam ter uma piscina sob o luar e a temperatura da água era agradável durante a noite.

Meu interesse naquele lugar estava a nível zero, portanto eu escolheria a parte menos frequentada naquele instante. Subi as compridas escadas e me virei à direita, chegando a um corredor escuro, com três velas no máximo, insuficientes para dar uma clareza de quem adentrava. Meus passos vacilaram e nem a curiosidade seria incentivador para eu continuar.

Mas um quarto estava aberto e a pouca luz saía de lá e fui me aproximando, aliviada por não ter de andar até o final. O silêncio não era zero e alguém estava nesse quarto aberto e iluminado em boa parte pela lua minguante.

Com a proximação de meus passos, fui discernindo vozes de duas pessoas e vagarosamente, caminhei encostada à parede; meus olhos chegaram à abertura e encontraram duas pessoas se beijando. Uma delas, a garota, estava sentada sobre uma espécie de escrivaninha, com as pernas em volta da cintura de um garoto. Eu reconheci os dois e Gaby estava aos amassos com o garoto grosseiro, o qual quase me deu um tapa no pé da orelha quando hesitava em entrar no casarão. 

O meu impulso foi recuar antes de ser flagrada. Meu peito arfou e com o corpo e a cabeça apoiada na parede, controlei o ruído de minha respiração.

 Havia sido um choque e só de pensar em Isaac sendo traído, doeu em mim. Ele não merecia aquilo. Nas letras de suas músicas, Isaac sonhava com um relacionamento fiel, e apesar do excesso de metáforas sobre o amor platônico, ele vivenciava profundamente cada acorde tocado em seu violão.

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