Lisandra é uma adolescente que não compreende o porquê das pessoas seguirem outras e admirá-las, como se fossem intocáveis, entretanto, ela não se dá conta de que também faz parte desse mundo e sempre está de olho nos passos de seu cantor favorito q...
Nossos olhos se fixaram como dois rios de fontes distintas quando desaguam no mesmo mar.Naquele instante seus olhos claros cristalinos como a água me transmitiram uma inocência, claramente camuflada. Pessoas dos olhos claros são as mais perigosas e não conseguirão me enganar.
Matheo parecia não querer se distanciar de mim e eu por um um milésimo de segundo, pensei em desistir e me resignar a colaborar em ficar quieta ali, sem fazer absolutamente nada. Entretanto, eu não me sentia mais a mesma pessoa de minutos atrás, ou melhor, desde que boa parte de meus cabelos caíram no chão e sofri calada.
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—Você é linda e não quero ver você sofrer por causa de um novo corte - ele quis brincar, passando suavemente sua mão em meus cabelos curtos. Eu vou dar um jeito nesses cabelos.
— Obrigada ...
— Nunca aceite as pessoas te machucarem. Você é linda e não precisa se encaixar em nenhum padrão para se sentir melhor. Seja você.
—E por que você me machuca? Eu quero voltar para a casa, minha mãe deve estar preocupada. Estou sem meu celular e preciso dar notícias.
Matheo pôs a mão na boca e recuou, pensativo. Depois passou a mão levemente em sua testa. Ele pensava como amenizar aquela situação, talvez, um arrependimento estava despertando-o de maneira a liberar todos os reféns.
— Não posso — ele me responde, de costas.
Quem não pode ficar aqui presa sem atitude alguma sou eu. Minha paciência tem limite e lá vou eu. Matheo realmente sentiu-se consternado com a minha situação e acabou deixando a chave sobre o chão. Ele tinha a soltado quando corria para me ajudar.
Agacho-me disfarçadamente e pego a chave, observando-o ainda de costas, indo até a porta para fechá-la, pois ainda estava aberta. Entretanto se eu permitisse, ele acabaria descobrindo e eu teria de devolver a chave. Pensei em algo o quanto antes.
— Matheo, não estou passando bem...acho que bati a cabeça quando Miriam me empurrou e agora estou sentindo uma tontura. Me ajuda aqui - falo, com os joelhos sobre o chão. Ele se vira e se apressa a me ajudar a se levantar. Puxa-me pela cintura e me leva até a cama.
— Um copo de água, por favor — implorei.
Matheo saiu em direção à cozinha embutida ao quarto e se eu não fosse rápida, eu perderia a última chance de fugir. Se ele tivesse ido à geladeira, a parede que separava a cozinha do quarto dificultaria a visão. Corro o quanto antes, aproveitando a oportunidade de que a porta estava aberta e nem precisaria usar a chave. Apresso-me a sair e quando sinto o alívio me consumir, uma arma apontada para mim surge. Um mascarado com um modificador de voz no pescoço.
Devia ser o mesmo que me agrediu e era mais violento.
—Seu babaca! Vai deixar essa babaca solta?! Levanta as mãos, sua ordinária! Levanta! — ele me ordenou aos gritos robóticos. Ergui as mãos e recuei vagarosamente, sem tentar desafiá-lo. Matheo interferiu, tomando-lhe a arma com um golpe certeiro.