O braço sobre meu ombro pesava e Christian parecia não estar preparado para me largar, então caminhei ao lado dele, com o braço em sua cintura. Não me julguem, estou abismada comigo mesma, nem estou pensando direito, apenas estou seguindo.
Paramos diante de seu carro e nos afastamos — graças a Deus— e fiquei de braços cruzados, lembrando que a mochila ficara no chão em frente a escola. Espero que Eva e Clarisse tenham a misericórdia de pegar e me devolver depois.
Ele estreitou seus olhos e me olhou com certo sarcasmo.
— Está bem?
— Por que fez aquilo? — cruzei os braços e me indignei.
— Eu vi a cachorrada que a Gaby fez ou fizeram para ela, sei lá. Eu li tudo e achei que você estivesse precisando de uma ajuda, sei lá.
— Obrigada, mas não precisava ter falado aqui, vai piorar minha situação.
Ele se aproximou de mim, saindo do apoio de seu carro.
— Que situação? Agora você é obrigada a seguir certas coisas para não sofrer retaliação depois? Você não tem que provar nada a ninguém.É apenas uma garota, não vou ver aqueles tipos de ameaças e não fazer nada quando a sua escola adora uma conta de instagram.
Respirei fundo e permaneci quieta, sem saber falar.
— Quer uma carona?
— Deixei a minha mochila lá na escola.
Ele coçou a cabeça e mudou de assunto.
— Vamos para minha casa.
Pronto. Aquilo era estranho, ele não se toca mesmo. Jamais. Não vou. Me obrigue.
— Para quê?
— Minha mãe é sua professora e uma visita seria legal? — ele estreitou mais os olhos e fiz um sorriso mais vívido.
— E conhecer seu irmão? Eu adoraria, mas a minha mochila...
— Está com celular? Envia uma mensagem para suas amigas e avisa.
— Por que está sendo legal comigo?
— Legal? Eu tenho cara de quê? Sério, estamos apenas conversando...
— Não! Você sempre me tratou com certa estupidez.
— Nossa, é bom saber a imagem que você tem de mim.
Fui obrigada a lembrá-lo daquela noite de sábado quando quase levei um tapa na orelha.
— Sério, pensei que fosse apanhar lá mesmo. Você estava nerovsinho.
Ele gargalhou e cruzou os braços.
— Às vezes, eu sou...bem...esquece. Naquela noite, eu estava estressado era com a minha irmã e acabei descontando em você, desculpa. Mas jamais daria um tapa na sua orelha.
Demos risadas e finalmente o vi abrir a porta do carro para mim.
— Milagre!
— Não abusa, eu sou um ogro — ele disse e riu em seguida.
A viagem foi breve e não trocamos muitas palavras, apenas olhamos para o caminho e inclinei minha cabeça contra a janela.
— Vamos dar uma passadinha e já te levo para casa, está sentindo alguma coisa? Não quer?
— Eu quero sim, vai ser legal ver sua mãe. É que estou preocupada com tudo isso, acabei vendo a minha imagem ir para o ralo sem realmente ter uma de verdade.
— Relaxa, sua vida real importa mais do que instagram. Isso passa e você não precisa perder tempo com isso.
— Você viu cada nome feio que me chamaram?
— Vi. Não se preocupa, você não é a primeira e nem a última a passar por isso. Mas você ia beijar aquele moleque mesmo?
— Sim. Eu nunca beijei e ... — tampei a boca rapidamente, revelei algo que jamais teria coragem de dizer na frente de Christian e de ninguém.
Christian riu e continuou falando tranquilamente:
— Relaxa, isso é normal. Você é muito nova.
— Falou o experiente! Falou o velho! Quantos anos tem?
—Tenho vinte.
— É muito novo também, relaxa — falei para descontrair e ocasionar mais um risinho charmoso. Eita covinhas abençoadas.
— Chegamos! — ele avisou e o portão de sua casa abriu automaticamente.
Danúbia estava com o bebê nos braços e pareceu gostar da minha presença.
— Menina! Lis, como você tá? Conhece meu filho de onde?
— Longa história, mãe, me dê o Bernardo.
Christian pegou o bebê em seus braços e me deixou à vontade para abraçar sua mãe.
— Entra, o almoço vai ficar pronto logo, venha almoçar conosco.
Recusei, mas não adiantou, a mulher era carismática num nível de colocá-la no potinho e guardar para a eternidade.
Christian subiu as escadas em espiral até o quarto do bebê e sua mãe me incentivou a segui-lo.
Entrei no quarto do bebê e estava tudo organizado, com o berço no canto do quarto, as janelas com cortinas longas de renda azul. Tinha um sofá azul-claro para sentar e Christian me convidou a se sentar e esperar enquanto ele tentava fazer o bebê dormir.
— Você é bem carinhoso com seu irmão — sussurrei.
— Ah,eu amo. O pai dele nem quer saber dele, dane-se, pois ele está perdendo e a vida é uma só.
Saímos do quarto na ponta dos pés e adivinha, o bebê começou a chorar.
— Minha mãe só fica com ele no colo, olha só...
Christian voltou para o berço e pegou a criança, colocando-a encostada no peito e balançando suavemente.
Sentamos lado a lado no sofá e me ofereci a segurar o Bernardo, e fiquei com ele até dormir nos meus braços.
E a tentativa de colocar no berço fracassou novamente e Christian ficou sentado com eles nos braços e deixamos o silêncio reinar por uns cinco minutos. Christian dormia, encostado em mim e segurando Bernardo firme nos braços.
Tomei-lhe o neném pela enésima vez e coloquei no berço com um cuidado minucioso até ver o menino de poucos meses dormir literalmente.
Voltei a atenção para Christian e o vi dormir,quase caindo do sofá. Então, abracei-o, alisando seu braço, acordando-o cautelosamente.
" Ainda hoje sai outro capítulo! Não deixem de acompanhar"
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Novela JuvenilLisandra é uma adolescente que não compreende o porquê das pessoas seguirem outras e admirá-las, como se fossem intocáveis, entretanto, ela não se dá conta de que também faz parte desse mundo e sempre está de olho nos passos de seu cantor favorito q...
