Nunca estive numa festa badalada como esta, e muito menos esperava me encontrar com Christian. Ops, escapou. Ele estava se divertindo com uma morena e parecia animadinho. Os dois dançavam e conversavam aos sussurros. Ele não me viu e não tive outra reação a não ser sair de lá.
Gaby me puxava pelo braço e me apresentava para seus amigos íntimos, esse comportamento vindo dela estava incomodando Eva e Clarisse. Os olhos das duas me fuzilavam, como se eu fosse responsável por aquilo tudo.
Não quero continuar aqui, dá para me soltar, loira aguada! Só queria gritar isso e sair correndo, sem precisar ter cerimônia com ninguém. Bebidas foram oferecidas a mim e as recusei. Todas tinham álcool e a maioria menos de dezoito anos de idade.
Quando Gaby me deu espaço para respirar, sentei-me ao balcão e fiquei de costas para a pista, olhando para o meu celular. Gaby me marcou nas fotos que tiramos durante a viagem de carro. Muitas curtidas e comentários positivos.
O barman insistiu com a bebida e eu aceitei com a condição de ser sem álcool. Ele concordou e em instantes apareceu com um grande copo e uma bebida fluorescente.
— Se quiser mais, pode me chamar — ele avisou.
Gaby e Isaac não se desgrudavam e estavam aos beijos e fotos. Abraçavam e dançavam. As músicas de Isaac eram românticas e tocaram, fazendo casais se unirem como uma só unidade.
Uma lágrima escorreu, outra escorreu, espere aí, outra escorreu e não pude mais retesá-las. Todas caíam e as lembranças invadiam minha mente.
Isaac subiu ao palco e fez uma declaração.
— Hoje é uma noite especial e estou aqui para agradecer e cantar uma canção para a menina mulher dos meus olhos. Eu te amo, Gaby Olímpia.
Todos aplaudiram e Gaby estava emocionada, subindo ao palco e o beijando pela enésima vez. Isaac cantou e meu coração disparou. Raiva e trovões!
A festa fluiu e não larguei meus olhos do meu celular. Bebi três copos de bebidas diferentes — sem álcool, claro— e não me levantei um segundo para dançar, não estava na disposição.
Gaby havia me apresentado a uns garotos bonitos e simpáticos, porém nenhum deles veio ao meu encontra fazer algum convite.
Alterada e dançante, Eva não largava o copo e beijava várias bocas. Acho que não deu muito certo em abordar Christian, que não largava da sua acompanhante.
Coçando os olhos e decidida a pedir um Uber, coloquei-me em pé e procurei a saída no meio daquela multidão. Gaby apareceu e com um copo de suco vermelho, jogou em meu vestido, manchando-o.
— Ai, me desculpe! Como sou desastrada, não acha? — ela falou num tom de deboche.
— Por que fez isso? — perguntei, assustada.
— Sabe, a sua amiguinha bêbada me comentou que você é apaixonada por Isaac, meu namorado. Claro que isso não é novidade quando todas as garotas se derretem por ele, mas não gosto de concorrência.
— Nossa! Ganhei a noite! — exclamei. — Sou suficiente para ser sua concorrente? Cara! Pensei que você fosse mais esperta. Eu nunca vou chegar aos seus pés, nunca que Isaac olharia para mim. Você é linda e eu preciso dizer mais alguma coisa?
Gaby gostou da chuva de elogios e concordou.
— Você sabe o seu lugar e isso é ótimo.
Ela falou e se virou de costas para mim, abandonando-me com um vestido manchado e com cheiro forte de álcool.
Não deu tempo para xingar ninguém, peguei minha pequena bolsa e fui procurar a saída. Tropecei em algumas pessoas e fui passando até alcançar as portas. Maldito casal que viraram plantas na minha frente e acabei me deparando.
Christian olhou para mim e se surpreendeu. Seus olhos miraram a enorme mancha vermelha.
— O que aconteceu com você? É sangue?
— Não, idiota, é bebida — respondi, sucinta, desvencilhando deles em seguida.
Ultrapassei as portas abertas e caminhei pelo corredor, avistando dois seguranças no final. Um mão pegou meu braço.
— Espere!
Eu me virei, ficando de frente com Christian.
— Me solta! — puxei meu braço. — O que você quer?
— Eu te levo para casa. Estou de carro.
— Não quero, obrigada. Vou pedir pelo aplicativo.
— Não custa nada aceitar, assim você me fala quem fez isso com você.
Cruzei os braços e comecei a encará-lo, estreitando os olhos.
— Cadê sua namorada? volte para ela, cara. Eu vou ficar bem.
— Eu não vim com ela, mas posso ir com você.
— Não quero.
— Quem sujou seu vestido?
— Gaby. Ela descobriu a minha paixonite pelo Isaac e foi até um elogio, porque para ela ficar com raiva daquele jeito e se importar com o sentimento de alguém como eu.
— Gaby e seu ciúmes... — dizia Christian, rindo.
— Ela acha mesmo que sou capaz de chegar ao dedão do pé dela? Nunca. Não dá para sentir ciúmes de mim.
— Mulher não tem jeito, vamos logo, eu te levo para casa.
Estiquei o meu braço na altura do peito, bloqueando sua passagem.
—Não aceito sua carona e faz favor de me deixar em paz — falei num tom decisivo.
— Problema é seu.
Christian ficou parado de braços cruzados enquanto eu avancei e direção a saída.
Chamei minha carona pelo aplicativo e aguardei na calçada em frente à balada. O letreiro iluminava o chão e fiquei pensando sobre os acontecimentos recentes e incômodos.
— Noite ruim do início ao fim.
Um carro passou pela avenida vagarosamente, fazendo círculos. Ele ia e voltava. E o motorista usava a mesma máscara branca do psicopata do instagram. Meu coração disparou e mesmo com os pés querendo colar no chão, retornei para a boate, correndo e olhando para trás.
Avistei Christian com a mulher e os dois se beijavam. Nem quis saber, o medo estava alto demais para me fazer pensar e evitar de incomodá-los. Sacudi os braços de Christian e falei desesperadamente:
— Eu aceito a carona, eu aceito a carona — repeti para ele ouvir.
Christian soltou um suspiro e revirou os olhos.
— Agora? Ok. Vamos.
oi pessoal!! Hoje estou lançando dois capítulos, espero que gostem! E neste final de semana, vou antecipá-los, não esperava essa repercussão maravilhosa de vocês, muito obrigada!
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Teen FictionLisandra é uma adolescente que não compreende o porquê das pessoas seguirem outras e admirá-las, como se fossem intocáveis, entretanto, ela não se dá conta de que também faz parte desse mundo e sempre está de olho nos passos de seu cantor favorito q...
