Capítulo 25 ☘

1.5K 329 76
                                        

Nunca estive numa festa badalada como esta, e muito menos esperava me encontrar com Christian. Ops, escapou. Ele estava se divertindo com uma morena e parecia animadinho. Os dois dançavam e conversavam aos sussurros. Ele não me viu e não tive outra reação a não ser sair de lá. 

Gaby me puxava pelo braço e me apresentava para seus amigos íntimos, esse comportamento vindo dela estava incomodando Eva e Clarisse. Os olhos das duas me fuzilavam, como se eu fosse responsável por aquilo tudo. 

Não quero continuar aqui, dá para me soltar, loira aguada! Só queria gritar isso e sair correndo, sem precisar ter cerimônia com ninguém. Bebidas foram oferecidas a mim e as recusei. Todas tinham álcool e a maioria menos de dezoito anos de idade. 

Quando Gaby me deu espaço para respirar, sentei-me ao balcão e fiquei de costas para a pista, olhando para o meu celular. Gaby me marcou nas fotos que tiramos durante a viagem de carro. Muitas curtidas e comentários positivos.

O barman insistiu com a bebida e eu aceitei com a condição de ser sem álcool. Ele concordou e em instantes apareceu com um grande copo e uma bebida fluorescente. 

  — Se quiser mais, pode me chamar —  ele avisou. 

Gaby e Isaac não se desgrudavam e estavam aos beijos e fotos. Abraçavam e dançavam. As músicas de Isaac eram românticas e tocaram, fazendo casais se unirem como uma só unidade. 

Uma lágrima escorreu, outra escorreu, espere aí, outra escorreu e não pude mais retesá-las. Todas caíam e as lembranças invadiam minha mente. 

Isaac subiu ao palco e fez uma declaração. 

  — Hoje é uma noite especial e estou aqui para agradecer e cantar uma canção para a menina mulher dos meus olhos. Eu te amo, Gaby Olímpia. 

Todos aplaudiram e Gaby estava emocionada, subindo ao palco e o beijando pela enésima vez. Isaac cantou e meu coração disparou. Raiva e trovões!

A festa fluiu e não larguei meus olhos do meu celular. Bebi três copos de bebidas diferentes —  sem álcool, claro— e não me levantei um segundo para dançar, não estava na disposição. 

Gaby havia me apresentado a uns garotos bonitos e simpáticos, porém nenhum deles veio ao meu encontra fazer algum convite. 

Alterada e dançante, Eva não largava o copo e beijava várias bocas. Acho que não deu muito certo em abordar Christian, que não largava da sua acompanhante. 

  Coçando os olhos e decidida a pedir um Uber, coloquei-me em pé e procurei a saída no meio daquela multidão. Gaby apareceu e com um copo de suco vermelho, jogou em meu vestido, manchando-o. 

  —  Ai, me desculpe! Como sou desastrada, não acha? —  ela falou num tom de deboche.

— Por que fez isso? — perguntei, assustada.

— Sabe, a sua amiguinha bêbada me comentou  que você é apaixonada por Isaac, meu namorado. Claro que isso não é novidade quando todas as garotas se derretem por ele, mas não gosto de concorrência. 

  —  Nossa! Ganhei a noite! —  exclamei. — Sou suficiente para ser sua concorrente? Cara! Pensei que você fosse mais esperta. Eu nunca vou chegar aos seus pés, nunca que Isaac olharia para mim. Você é linda e eu preciso dizer mais alguma coisa? 

Gaby gostou da chuva de elogios e concordou.

— Você sabe o seu lugar e isso é ótimo. 

Ela falou e se virou de costas para mim, abandonando-me com um vestido manchado e com cheiro forte de álcool.  

Não deu tempo para xingar ninguém, peguei minha pequena bolsa e fui procurar a saída. Tropecei em algumas pessoas e fui passando até alcançar as portas. Maldito casal que viraram plantas na minha frente e acabei me deparando. 

Christian olhou para mim e se surpreendeu. Seus olhos miraram a enorme mancha vermelha. 

  —  O que aconteceu com você? É sangue?

—  Não, idiota, é bebida —  respondi, sucinta, desvencilhando deles em seguida. 

Ultrapassei as portas abertas e caminhei pelo corredor, avistando dois seguranças no final. Um mão pegou meu braço.

— Espere!

Eu me virei, ficando de frente com Christian.

 — Me solta! — puxei meu braço. — O que você quer?

  — Eu te levo para casa. Estou de carro.

—  Não quero, obrigada. Vou pedir pelo aplicativo.

— Não custa nada aceitar, assim você me fala quem fez isso com você.

Cruzei os braços e comecei a encará-lo, estreitando os olhos.

— Cadê sua namorada? volte para ela, cara. Eu vou ficar bem. 

—  Eu não vim com ela, mas posso ir com você.

— Não quero.

—  Quem sujou seu vestido?

— Gaby. Ela descobriu a minha paixonite pelo Isaac e foi até um elogio, porque para ela ficar com raiva daquele jeito e se importar com o sentimento de alguém como eu. 

—  Gaby e seu ciúmes... —  dizia Christian, rindo. 

— Ela acha mesmo que sou capaz de chegar ao dedão do pé dela? Nunca. Não dá para sentir ciúmes de mim.

—  Mulher não tem jeito, vamos logo, eu te levo para casa.

Estiquei o meu braço na altura do peito, bloqueando sua passagem. 

—Não aceito sua carona e faz favor de me deixar em paz —  falei num tom decisivo. 

— Problema é seu.

Christian ficou parado de braços cruzados enquanto eu avancei e direção a saída. 

Chamei minha carona pelo aplicativo e aguardei na calçada em frente à balada. O letreiro iluminava o chão e fiquei pensando sobre os acontecimentos recentes e incômodos. 

—  Noite ruim do início ao fim. 

 Um carro passou pela avenida vagarosamente, fazendo círculos. Ele ia e voltava. E o motorista usava a mesma máscara branca do psicopata do instagram. Meu coração disparou e mesmo com os pés querendo colar no chão, retornei para a boate, correndo e olhando para trás.

Avistei Christian com a mulher e os dois se beijavam. Nem quis saber, o medo estava alto demais para me fazer pensar e evitar de incomodá-los. Sacudi os braços de Christian e falei desesperadamente:

  —  Eu aceito a carona, eu aceito a carona —  repeti para ele ouvir. 

Christian soltou um suspiro e revirou os olhos.

—  Agora? Ok. Vamos. 


oi pessoal!! Hoje estou lançando dois capítulos, espero que gostem! E neste final de semana, vou antecipá-los, não esperava essa repercussão maravilhosa de vocês, muito obrigada! 

Na Mira do INSTAGRAMHistórias para pegar e não largar. Descubra agora