Logo na manhã de sábado, eu não acreditei que em algumas horas estaria na casa de Gaby. O motorista dela estava lá fora e minha mãe quase me barrou, se não fosse graças a eloquência da própria Gaby. Ela e minha mãe se tornaram amigas e pude entrar no carro sem grandes relutâncias.
Durante a viagem, Gaby pediu para seu motorista aumentar a música de Isaac, justamente aquela que se chama "Almas unidas". Eu amava aquela música, cada pedacinho daquela letra estremecia meu corpo e me fazia querer chorar.
Só de lembrar da cena do beijo entre Gaby e Christian, eu sentia vontade de xingar e bater nela. Fingir um sorriso estava sendo uma tarefa muito difícil, mas se lembrar de quando Isaac não deu importância para minha existência foi o motivo para eu conseguir usar a falsidade com um pouco mais de facilidade.
Gaby ficou compenetrada em seu maldito celular, talvez, comentando ou até mesmo tirando fotos da sua cara. Eu a olhei pelo canto do olho e percebi a camada pesada de maquiagem sobre seu rosto.
— Vamos tirar uma selfie? — ela perguntou, com sua voz querendo aparentar amigabilidade.
Eu confirmei com a cabeça e me inclinei de lado, encostando meu ombro contra o dela e abrindo um largo sorriso— falso— , mas era sorriso, então dane-se.
Tirávamos fotos e nos divertíamos com as caretas propositais. Aquelas expressões como: arregalar os olhos, colocar a língua para fora ou até tentar fazer aquele olhar sexy. Gaby postou as fotos no instagram e para falar a verdade: as minhas fotos saíram péssimas até porque não estava preparada com camadas de maquilagem.
Chegamos em sua casa, e me deparei com várias mulheres altas e magras, trajando roupões e sem maquiagem, com olheiras e cabelos presos. Amigas de Gaby e modelos profissionais. Elas riam e às vezes, comentavam sobre espinhas e como apagá-las.
Definitivamente eram pessoas normais com suas imperfeições. Elas me cumprimentaram, e Gaby me puxou pelo braço, levando para o seu imenso closet. Muitas e muitas roupas coloridas e texturas.
Fiquei abismada com a quantidade de vestidos nos cabides. Adorei todos, mas não teria coragem de usá-los, não fazia parte do meu estilo despojado e esportista.
— São todos lindos. Adorei esse roxo — apontei para o vestido comprido em pedraria.
— Se quiser, eu lhe dou de presente, aliás, você arriscou sua vida para me salvar, então, acho justo.
Pensei em encontrar seus pais, algum familiar maior de idade, porém descobri que Gaby era emancipada e morava sozinha há alguns meses e recebia muitos amigos.
— Esqueci de falar — Gaby disse, entregando o vestido a mim. — Meu motorista vai buscar suas amigas, pode ser?
Até que enfim. Pensei que ela fosse esquecer de Eva e Clarisse.
— Ah, por favor, elas amam você — falei.
Gaby sorriu e me entregou outro vestido mais claro rosado com rendas nas mangas.
— Use este para a festa, vai ficar bom em você.
O vestido era curto e justo demais, não fazia meu estilo.
— Ele é lindo, mas parece curto demais, não acha? Não sou tão magra assim. Aliás, estou acima do peso — justifiquei. — Se eu respirar, essa coisa vai estourar.
Gaby gargalhou e concordou.
— Realmente, eu sou mais magra que você.
Ela tirou a roupa na minha frente e ficou apenas com as roupas íntimas e pegou o vestido para provar que ficaria mil vezes melhor nela do que em mim. Ordinária!
— Ah, não! Que aconteceu com meu corpo? Engordei vinte quilos? — ela tentava encaixar seu corpo dentro do minúsculo vestido. — Deve ser os hormônios, só pode. Estou um pouco inchada, só isso.
Deu vontade de rir da cara dela, mas me segurei e lamentei a infelicidade dela. Ela forçou tanto que uma das costuras laterais estourou.
— Ódio!!! — ela gritou para valer.
Antes de Eva e Clarisse chegarem, eu estava usando o vestido branco e mais solto. Uma das garotas me ajudara com a maquiagem.
— Amiga, você está irreconhecível! — Eva colocava as mãos na boca, surpresa.
— Não é para tanto — falei, envergonhada.
— Bicho, esse lugar é ma-ra-vi-lho-so! — Clarisse estava boquiaberta, tocando em cada uma das roupas.
Uma balada foi fechada só para receber os convidados especiais de Gaby, e Isaac se aproximou de nós e a beijou nos lábios.
Gaby usava um vestido curto e justo, porém com um número maior do que o outro e seus cabelos estavam cacheados nas pontas. A balada estava lotada de jovens com as mãos ocupadas por copos de vidros. A iluminação vinha completamente das luzes coloridas.
Isaac só tinha olhos para Gaby e depois nos cumprimentou com um breve aceno, sem contato físico.
Meus olhos percorreram o ambiente e estacionaram em uma pessoa cujo nome eu me nego a pronunciar. Vamos ver se Eva esquece de vez em querer conhecê-lo, porque o safado beijava outra garota e os dois dançavam agarradinhos.
— Está vendo? O seu queridinho já está grudado com outra — cutuquei o braço de Eva, que olhou e deu de ombros.
— Ele se diverte com as erradas enquanto não me conhece — ela falou, convencida.
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Novela JuvenilLisandra é uma adolescente que não compreende o porquê das pessoas seguirem outras e admirá-las, como se fossem intocáveis, entretanto, ela não se dá conta de que também faz parte desse mundo e sempre está de olho nos passos de seu cantor favorito q...
