BÔNUS XI - Isaac narrando...

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Fiz pedido de comida japonesa e tinha organizado a mesa com todo o cuidado do mundo, mas ao receber de volta a mensagem de Lisandra, decepcionei comigo mesmo por exigir dela algo que não seria problema nenhum para Gabriely. 

A mesa circular de vidro estava bem visualmente e até coloquei uma rosa vermelha dentro de um copo de água, no centro. Eu estava esperançoso de ver a expressão de surpresa de Lisandra, mas não seria hoje. 

Eu costumo receber meus amigos nas sextas-feiras e como eu esperava surpreender Lisandra, ninguém vai aparecer para me tirar desta solidão. Então, eu me jogo no sofá, estico as pernas e fecho os olhos para decidir o que farei esta noite. 

Não estou disposto a postar vídeos, nem a responder fãs, quero apenas me desconectar um pouco desse mundo virtual e sair ou fazer alguma coisa que me distraia. Lembro-me das pétalas vermelhas, espalhadas na entrada do apartamento.

E se eu decidir dar uma olhada no Instagram, vou me estressar facilmente com as insistências de pessoas curiosas acerca da suposta gravidez de Gaby.  E nem quero imaginar se existe alguma verdade nisso, porque nem sei como vou lidar com isso. Ainda tem aquele idiota do Christian, só para piorar.  

Expiro e afundo a almofada no meu rosto. Limpo a mente, limpo a mente, limpo a mente...e o interfone toca, fazendo-me dar um pulo do sofá.

O porteiro avisa sobre uma moça me esperando lá fora e quando acho que pode ser Lisandra, sou surpreendido pela última presença esperada: Miriam. Tento arrumar alguma desculpa para despistá-la, mas sou surpreendido pela sua voz do outro lado. 

— Acho bom você me atender, Isaac. Quero conversar, só isso — ela diz, com um tom de preocupação.

— É sobre a Gaby? — pergunto.

— Não vou dizer enquanto não me autorizar a entrar, senhor Isaac...

Peço para ela entregar o interfone ao porteito e autorizo sua entrada com um desânimo enorme. Eu queria encontrar Lisandra e comer meu sushimi em paz com ela. Tenho em mente de que não terei paz tão cedo.

Quando a campainha toca, estou jogado novamente sobre o sofá, querendo beber uma cerveja. Levanto-me vagarosamente, sem pressa nenhuma e vejo as pétalas no chão, se aquela garota vir isso, vai me atormentar mais ainda. Abro a porta e cruzo os braços, bufando.

— Posso entrar? — ela pergunta, jogando os cabelos para trás e me olhando maliciosamente.

Sem vontade alguma de falar com ela, ando para o lado e faço o gesto para ela entrar. Miriam não deixou o detalhe das pétalas do chão e olhando ao redor do apartamento, vê  dois pratos limpos sobre a mesa, uma em frente a outra. 

— Isso é para mim? — ela debocha, colocando a mão sobre o peito, fingindo surpresa

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— Isso é para mim? — ela debocha, colocando a mão sobre o peito, fingindo surpresa. — Meu Deus! Como você é romântico, Isaac! Olha essas pétalas vermelhas, quanta breguice! Há-há! Quem você está esperando?

Contorço a boca, engolindo as palavras rudes. Fecho a porta e cruzo os braços, não demonstrando nenhum sinal de agradabilidade. Deixo bem claro como Miriam está sendo inconveniente.

— Fala logo por que está aqui.

Miriam sentou-se no sofá e depois colocou os pés sobre a mesinha de centro e começou a olhar para o teto, ignorando-me.

— Não seja folgada, Miriam, fale o que você quer! — puxo-a pelos braços e a ergo, colocando-a na minha frente. — É a última vez que estou suportando esse deboche seu.

— Não vai me oferecer um drink? — ela continuava com seu sarcasmo e tentava avançar em mim. — Me dá um beijo, só um...

Eu a empurrei de volta para o sofá e me afastei, indo direto à porta, exigindo sua saída.

— Por que você constrangeu Gaby na frente de todos no aniversário dela? Não sou idiota! — dei um tapa na folha da porta, tentando acordar Miriam para a realidade.

— Apenas chamei a atenção dela. A menina só reclamava de um mal estar, não aguentei mais daquele enjoo todo, então tive de dar uma acordada nela. — Miriam estalava os dedos e vinha na minha direção, fazendo menção de me abraçar. Pego seus pulsos e a afasto de mim.

— Faz favor de sair daqui, por favor! — exijo e abro a porta, ficando de costas para ela.

— Não vou sair! Não vou sair! Pare de me tratar assim, poxa! — ela gritava e aquilo fervilhava minha cabeça.

Largo a maçaneta e me viro para olhá-la. Vou até ela e a puxo pelos braços, arrastando-a para fora quando o interfone toca.

Nossos olhos se encontraram e um ar de perplexidade paira em nossas cabeças. Eu não estava esperando ninguém. Peguei o interfone e continuei olhando Miriam ainda na minha frente, querendo provocar acima dos limites.

— Lisandra? Como assim? É Lisandra? É esse nome mesmo?

Não posso acreditar. Lisandra está lá fora e eu estou aqui dentro com Miriam.

— Por favor, pode mandá-la entrar sim. Muito obrigado — coloco o interfone no lugar e um branco toma de conta da minha cabeça e não consigo encontrar alguma solução. Exijo para Miriam se esconder no meu quarto enquanto recebo Lisandra na sala.

— Quem tá subindo, Isaac? Quero saber?

— A minha namorada está subindo e peço a sua colaboração, só enquanto ela estiver aqui, por favor.

Miriam me deu um beijo nos lábios e achei melhor não  recusar, empurrando-a em direção ao quarto.

— E se ela ficar muito tempo? Não vou ter paciência para ficar esperando por você — Miriam relutava.

— Vai ao meu quarto e me espere lá, por favor. Eu vou dar um jeito de Lisandra sair mais cedo — digo, querendo forças para me livrar de Miriam e não de minha namorada.

Miriam concorda e pega sua bolsa, andando até meu quarto, mas antes, eu a escuto falar:

— Mau gosto! Aquela garota é horrorosa!

Respiro fundo e organizo as almofadas, olhando para as pétalas e as juntando de frente à porta. 

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