Não sei dizer quem parecia mais nervoso, Emerie ou eu. Ela estava mais animada do que o normal, ao mesmo tempo que parecia assustada quando caía na real que em poucos dias iríamos viajar pra minha cidade natal, o medo logo a deixava quando eu a reconfortava dizendo que tudo ficaria bem e não tinha motivo pra ela temer nada, mesmo assim eu não conseguia evitar que ela dormisse pouco por conta da ansiedade que enchia sua mente de pensamentos, um mais contraditório que o outro.
Pela milésima vez, Emerie confiscava uma das bolsas que íamos usar pra guardar as nossas roupas, não ficaríamos muitos dias mas pela quantidade de roupa que ela separou — as quais Matheo deixou antes de partir com Ayla — parecia que passaríamos em torno de um ano na casa da minha mãe.
— Você acha que eu preciso levar essa blusa? — Ela virou-se para mim, segurando um moletom básico preto, pendurado num cabide. — Gosto muito dela, mas não tenho certeza se será necessária.
— Não vai ser, Emerie. — Ela tornou a virar para o espelho na sua frente, me aproximei devagar por trás. — Minha casa é perto do mar, eu já disse que não precisa levar agasalhos.
— Hum, mesmo assim acho que vou levar. — A peça foi jogada sobre a cama onde muitas outras estavam. As roupas que não estavam guardadas e dobradas dentro das nossas bolsas, estavam espalhadas sobre a cama.
— Por que você pergunta se vai fazer o contrário do que digo?
— Só pra ter o prazer de contariar você! — Emerie deu uma giro erguendo os braços, fazendo com que o vestido azul florido levantasse suavemente.
— Engraçadinha. — Ela parou quando segurei sua cintura a atraindo para mim. — Se já pegou todas as roupas que queria, então vamos, quero chegar ainda hoje. Claro, se você não ficar se enrolando.
— Você é um estraga prazeres sabia? — Mumurou revirando os olhos, aproximando o rosto lentamente na direção do meu. Emerie envolveu meu pescoço, puxando-o até que nossos lábios encostassem.
— Eu sei, você gosta de ressaltar isso todos os dias. — Ela deixou um beijo, misturado com uma risadinha travessa, antes de se afastar pra guardar o restante das vestimentas.
Cerca de quatro horas depois, Emerie estava adormecida no banco do passageiro apoiada contra a janela enquanto eu dirigia chegando no nosso destino. Combinamos de não ficar muitos dias, primeiro para não ocupar espaço e tempo da minha mãe. Segundo, porque planejamos fazer algumas coisas clichês sozinhos, como ir ao cinema, sair pra jantar e até ir um parque de diversão e nos beijar no topo de uma roda gigante. Brincadeira. Se dependesse dela, e honestamente de mim também, iríamos ficar em casa maratonando uma série da netflix comendo pipoca e pizza, era uma atividade que não necessitava de energia e nem disposição, resumia-se em ficar deitado em baixo das cobertas assistindo filmes e séries e comendo até não querer mais. Quem iria reclamar?
Fizemos isso nos dois primeiros dias das minhas férias, tive o prazer de ver Emerie chorar com filmes tristes e trágicos, e rir com comédias classificadas ruins pela crítica cinematográfica. Também fui obrigado a assistir várias temporadas com episódios que pareciam não ter fim de uma série sobre um hospital em que mais morre os médicos do que os pacientes. Sejamos sinceros, os médicos quando não estavam morrendo, estavam transando, que tipo de hospital é esse? Emerie amava, tenho certeza que esse sentimento estava totalmente relacionado aos atores, não tinha um ser humano feio, como pode?
Não reclamei, obviamente, porque sabia o que vinha depois que ela ficava entediada de tanto assistir e pouco tempo depois estava se contorcendo de prazer em baixo ou em cima de mim, e quando isso não acontecia a gente dormia cansados e exaustos demais pra fazer qualquer outra coisa. Contudo, acho que a melhor parte de ficar em casa com ela eram as conversas. Emerie em geral não era muito aberta ao passado e aos sentimentos dela, mas quando ficávamos deitados na cama ela me contava um pouco sobre sua vida, sobre a mãe que morreu quando ela ainda era uma criança, o pai que a abandonou e pouco tempo depois apareceu. Eu sabia que ele era um cretino, Emerie só afirmou isso. Ela também me falou, com a boca trêmula e a voz estrangulada, o motivo de ter se machucado tantas vezes e ter tentado contra a própria vida. Quando ela terminou de falar sobre isso e começou a chorar, a única coisa que pude fazer era abraçá-la ofercendo todo o meu amor afugentando seus demônios.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Angel In My Life
Romance(Concluído/Completo) A maior tensão sexual entre um anjo da guarda e uma humana que você irá encontrar... Emerie e Gael, uma humana e um anjo. Dois mundos completamente diferentes... o que eles têm em comum? A resposta é: os mesmos desejos devassos...
