1.8 |Emerie

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Durante oito anos da minha vida, vivi sem saber o que era de fato ter um pai, não que agora eu realmente saiba. Angeline - minha mãe - sempre fora excelente no seu papel como responsável a ponto de eu nunca notar a ausência de outra pessoa ou sentir falta de mais alguém como meu progenitor.

No ano em que ela morreu ele apareceu. Com certeza para não encontrar problemas a justiça, como seria caso se ele negasse o meu direito como sua legítima herdeira. A questão é que quando eu nasci foi o único momento que até então ele tinha sido presente, apenas para me registrar e não deixar o nome do pai vazio na minha certidão. Não que isso mudasse alguma coisa.

E então Angeline se foi e tudo deu uma reviravolta. Mudei de casa, de cidade, de amigos e de família. Aliás de família não, porque laços de sangue não torna-os alguém na minha vida, nem mesmo ele. As mudanças foram repentinas e me marcaram.

Entre todas as coisas durante os últimos meses, com todas as pessoas as quais já conheci esperava que todas elas pudessem bater na minha porta. Menos meu próprio pai.

- Algum motivo especial para sua ilustre presença? - Cruzo os braços inerte na entrada impedido que ele se quer ouse botar os pés dentro do que foi meu nos últimos meses.

- Querer saber como minha filha está não importa? - Ergue uma das sobrancelhas oferecendo um sorriso gentil. Patético.

- Um telefonema não bastava?

- Eu achava que sim por isso passei a noite passada te ligando, mas então me dei conta que já faz alguns dias que não a vejo.

- Uau, percebeu isso sozinho ou sua amada esposa Anna o forçou a me ver?

- Emerie, entendo seu recei-

- Repulso. - Corrijo com desdém.

- Certo, an... repulso. Enfim, entendo que esteja com nojo em me ter aqui.

Anuo murmurando "de fato".

- Mas quero que saiba que independente de tudo ainda a considero minha filha. Ainda a tenho com uma estima importante... e quero recuperar o tempo perdido.

Dou uma risada irônica. Não acredito no que acabei de ouvir. Analiso o homem em minha frente com a maior cara lavada.

- Meu Deus, a TV está perdendo um ótimo ator. Já pensou nisso? - Meu progenitor me observa cuidadoso e hesitante. - Desde quando você tem a ousadia de pensar que quero recuperar o tempo perdido?

Ele permanece em completo silêncio. Talvez espere que eu chore emocionada com sua notícia, uma filha que há tempos espera por amor e reconhecimento de seu pai. Não vou mentir, já fui essa filha mas há muitos anos atrás deixei de ser; ao perceber sua indiferença quanto a mim.

- Acha que eu pretendo dar importância para alguém que abandonou a única pessoa que eu amei nessa vida? Que ignorou sua existência e a tratou como nada?

- Emeri-

- Não. Agora você vai ouvir. - Minha voz soa com autoridade, não a deixo vacilar principalmente falando algo que há muito estava engasgado. - Você pensa que é quem na fila do pão? Eu não quero saber sobre você ou sua família perfeita. Não me importo se você morre ou vive. Sabe por quê?

- E-eu, filh-

- Não me chame de filha. Não você; que assim como ignorou minha mãe não se fez por difícil fazer o mesmo comigo, e o pior comigo debaixo do seu teto. Você tem noção do quanto eu o culpo? Do quanto por mais que eu tente, não consigo tirar esse sentimento de dentro de mim. Um sentimento de culpa e ódio por você, pelo mundo e por mim mesma. Faz ideia de quantas vezes já tentei fazer com que essa dor cessasse?

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