2.13 |Gael

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Observei o rosto dela, o sorriso tão típico em seus lábios. Não era o tipo de sorriso que me encantava, não mais. Seus seios ficaram mais explícitos conforme ela se movimentava, o decote como um V delicado em sua camisa permitia a visão do seu peito exposto, não totalmente. Era meio óbvio sua intenção vestindo aquela camisa de tecido fino. Rachel me lançou um olhar inocente, pelo menos isso era o que ela achava que eu pensava, mas eu sabia que ela estava totalmente ciente do meu olhar no seu corpo. Era pouco provável que eu não fosse ficar olhando. Estávamos as sós na sala do meu apartamento, bebendo um vinho barato no fim de tarde. O pôr do sol ficava lindo olhando da janela da sala, uma visão que quase te deixava cego por tamanho brilho mas que valia a pena apreciar os tons as vezes laranjas ou rosa, ou os dois juntos como numa pintura do século passado.

- Você vai ficar quieto a noite toda Gael? - Perguntou. Até sua voz mudou para uma coisa mais sexy. Rachel estava falhando se pensava que estava me seduzindo.

- Prefiro guardar os meus pensamentos apenas pra mim, Ray. - Levantei para levar as taças até a cozinha germinada. Eu não era espaçoso, não tinha necessidade nenhuma de um apartamento enorme.

- Ray. - Ela repetiu. - Meu antigo apelido do colegial, sempre adorei a forma como você falava com esse sotaque Gael.

- Não tenho sotaque.

- Você não percebe obviamente, mas tem sim um tom diferente. Mais grave. - Ela pegou a taça da minha mão, olhando fixamente nos meus olhos enquanto enchia com mais vinho. - Acho sexy.

- E e eu acho que você está bêbada. - Estiquei o braço pra tirar o copo da sua mão. - Vamos, chega de beber.

- Qual é Gael. Você sabe melhor do que ninguém que dificilmente fico bêbada fácil, principalmente com esse vinho barato.

- Virou fiscal de vinho quando? - Tirei a força a taça, a deixando na pia. - Aliás, preciso de você bem lúcida quando dizer o que fiquei matutando o dia inteiro.

- Esqueci que você é chato. - Ela revirou os olhos, ao meu encalço voltando pra sala.

- E mesmo assim você ainda quer casar comigo. - Recordei alfinetando.

- Não acho que seu humor, ou a falta dele seja motivo suficiente pra terminar com tudo, você pelo o que percebi pensa o contrário, já que quer me abandonar sem um motivo adequado. - Retrucou. Rachel sentou no sofá logo a minha frente. - Diga logo Gael, estou ficando farta do seu joguinho.

- Joguinho?

- Sim. É evidente que você quer muito dizer alguma coisa, posso apostar que tem a ver com nosso casamento, mas é tímido o suficiente pra não dizer logo de cara. - Ela sorriu. - Acha que eu não percebi seu nervosismo? Percebi muitas coisas Gael.

De repente me peguei interessado no que ela estava dizendo. Incentivei o que ela dizia

- Não somos idiotas meu amor. Você passou a tarde toda batendo os dedos na perna, isso só afirma o que eu disse. E a minha melhor parte, seus olhos não deixaram meu decote. Engraçado não? Você fala tanto que não me quer mais, mas não pode negar que seu corpo ainda me deseja se não, não teria intuito disso. - Ela se inclinou pra frente, diminuindo o tom de voz. - Qual era sua intenção? Me embebedar com esse seu vinho pra poder me descartar sem peso na consciência?

- Tenho ética o bastante para não agir de tal forma, e se eu quiser terminar esse noivado, que convenhamos, já deveria ter acabado a muito tempo, eu faria isso você estando bêbada ou não.

- Isso Gael. - Ela vibrou? - É esse homem que eu quero, não o Gael certinho com essa máscara doce e inocente. Nós dois sabemos que você não é assim.

Angel In My Life Histórias para pegar e não largar. Descubra agora