||Mia Pinheiro Castro||
Parei em frente a casa onde a Maya tinha me falado que o pessoal ficaria, caso eu sentisse vontade de vir.
Pensei muito antes de entrar no carro e pegar a estrada até Cabo Frio. Mas já que tô aqui, preciso tomar uma iniciativa.
No ponto de vista dos meus pais, eu preciso voltar a me enturmar com o pessoal, e esse é o um dos maiores problemas pra minha mente.
Penso que é melhor as coisas ficarem do jeito que estão. Eu longe de todos, pelo próprio bem deles. Dona Sophia disse que eu me rótulo como um monstro, que errou e não merece o perdão.
Mas vem cá, com que cara eu chego pra todas as pessoas, pelas quais eu estraguei boa parte dos sonhos, e peço desculpas, depois de tudo, como se apenas as minhas palavras fossem resolver? Não dá cara, não tem cabimento.
Esse era o meu pensamento a dois messes atrás, antes do meu filho nascer. O Davi me transformou em muitos pontos, o principal deles, foi entender que eu errei, mas que não precioso me esconder do mundo por conta disso.
Os que estão lá dentro, são a minha família. São pessoas que eu amo, e mesmo com os meus erros, me amam também.
Claro, que só vim ver isso depois de fazer várias sessões de terapia, chorar horrores em frente a minha terapeuta, e ter um encontro com o meu interior.
Eu entendi o meu verdadeiro motivo de ter feito tudo oque eu fiz. E não, eu não tô diminuindo a minha parcela de culpa, que é imensa. Mas agora eu vejo tudo com outros olhos.
Eu fui uma mulher amargurada. Mesmo tendo tudo, mesmo tendo o amor dos meus pais, dos meus irmãos, dos meus amigos, eu me sentia vazia. Fazia de tudo pra chamar a atenção. E como não conseguia ser a melhor deles, me encaixei no papel de ovelha negra da família.
Fiz muita coisa, também por influência, mas aprendi a lição! Hoje eu só quero paz. Tentar reconstruir de volta o vínculo que um dia eu tive com a minha gêmea. Ser mais próxima dos meus amigos. Ser uma mãe foda pro meu filho, mostrar e ensinar pra ele que todos merecem uma segunda chance quando querem e se arrependem.
Hoje eu sou uma mulher completamente diferente da que eu fui a vida toda. Não se muda da noite pro dia, muito menos os nosso pensamentos, mas posso dizer que meu caráter foi redefinido.
Compri com oque tinha de comprir com a justiça. Cometi um crime, dopei uma pessoa, forçadamente pra ficar com ela. Isso era uma das coisas que eu mais tinha ânsia de mudar.
Graças a minha santa tia Débora, me livrou das grades, fazendo apenas com que eu pagasse a fiança e fosse liberada. Devo muito a ela, me sentia muito desconfortável na presença dela. Afinal, a merda todo rolou com o dois dos filhos dela.
Mesmo assim ela me acolheu, me ajudou e me encorajou. Meus tios foram foda comigo, só tenho que agradecer a cada um deles, por tudo.
Respirei fundo e olhei pelo retrovisor, vendo o Davi brincando com o pequeno ursinho de pelúcia, que eu tinha colocado sobre a cadeirinha dele.
O ato me fez sorri largamente. Só de ver o meu pequeno evoluindo, tão esperto, depois de vê-lo por um mês em uma incubadora, com vários aparelhos pelo corpo, meu coração de mãe se dá alívio.
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Do Nosso Jeito
Romance"...Quer saber? Que se dane esse povo todo, nosso amor não precisa de plateia. Do nosso jeito torto, fica tudo certo, ô povo curioso, deixa a gente quieto, uôô... Fazer o quê, se até as nossas brigas são perfeitas?..." Dois corações, Duas pessoas qu...
