17 - Desejando

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Luke para o carro e desliga o motor.

— Que lugar é esse? — pergunto, colocando a mão na maçaneta.

— Espera, não abra.

Olho para ele, confusa, e o vejo sair do veículo. Luke contorna o carro e vem para o lado do passageiro. Ele abre a porta e me oferece a mão.

O sorriso que estampa meu rosto é tão grande que fico envergonhada.

— Não estamos nos anos cinquenta — comento enquanto aceito sua mão.

Luke me olha de cima a baixo e ergue as sobrancelhas. Entendo imediatamente o comentário silencioso e reviro os olhos.

Caminhamos pela rua de ladrilhos rochosos e não há nada demais nisso, exceto pelo fato de que a mão que Luke me ofereceu para sair do carro ainda está segurando a minha.

Ao olhar em volta percebo que o lugar tem cara de outra época. Os bancos são de mármore e estão visivelmente desgastados pelo tempo. Há algumas pessoas sentadas aqui e ali. Algumas sozinhas, concentradas no celular, e algumas acompanhadas por amigos ou namorados.

À medida que nos aproximamos do centro do local, algo chama minha atenção.

— O que é aquilo? — aponto.

— Cem anos antes de essa roupa que você está usando se tornar moda, aquele poço costumava ser o ponto de abastecimento de água desta cidade — ele explica. — Fica sobre a nascente de um rio. Toda a população se concentrava aqui durante o dia para pegar água com burros de carga.

Minha imaginação me transporta para o cenário que Luke está descrevendo.

— Imagina viver numa época sem chuveiro quente — comento. — E ainda tem gente que se atreve a dizer que nasceu na época errada.

— Quando alguém diz isso, com certeza é por outros motivos.

— Não há motivos que justifiquem.

À distância, vejo uma garota de longos cabelos cacheados parar à beira do poço. Ela fecha os olhos, aperta a mão fechada contra o peito, depois joga alguma coisa, provavelmente uma moeda. Então se vira e vai embora.

— Quero jogar também — digo, empolgada, puxando a mão de Luke na direção do poço.

Ao parar na frente da construção de pedra, agarro minha bolsa pequena embaixo do braço e vasculho em busca de moedas. Encontro três e as fecho na mão.

— Cuidado com o que vai desejar para esse poço — há um tom de suspense na voz dele que me faz virar para encará-lo.

— É só um poço bobo — digo.

— Bom, pode até ser, mas as pessoas contam histórias sobre ele... — e deixa no ar.

Hesito.

— Que histórias?

— No século quinze, uma mulher acusada de bruxaria estava fugindo dos caçadores que a perseguiam quando pulou nesse poço. Eles até a viram caindo, mas quando se aproximaram, só encontraram a água balançando. Vasculharam o poço e não acharam nenhum vestígio. A mulher nunca mais foi vista. Dizem que ela ainda está lá dentro, escondida, e que realiza desejos quando encontra bondade no coração de quem pediu.

Me inclino sobre o murinho redondo do poço e olho para o fundo. A água escura balança suavemente, refletindo a luz da lua.

Volto a olhar para Luke.

— Eu não acredito nessa historinha nem por um segundo.

— Só achei que devia te alertar — ele ergue as mãos com as palmas para frente.

O garoto dos olhos avelãHistórias para pegar e não largar. Descubra agora