É sábado de manhã, peço Adrian para me dar aulas de direção e bato o carro dele em uma lixeira.
Felizmente, o veículo sai ileso. Mas o lixo revirado vira assunto no almoço com meus pais e Adrian.
Meus pais já percebem o quanto a companhia de Adrian me faz bem. Ele me anima e me faz rir alto nesta casa. Mas hoje Adrian parece distante e pensativo.
Na hora de ele ir embora, caminhando para fora de casa, percebo como franze a testa como se estivesse pensando em algo incômodo.
Eu até poderia dizer que ele está chateado por eu ter batido o carro dele, mas ele já estava assim ontem à noite quando estudamos juntos.
— Tem certeza de que você está bem? — pergunto pela terceira vez hoje.
Paramos perto do carro e ele se vira para mim.
— Estou — responde sorrindo e segura as minhas mãos. — Será que posso vir te ver hoje à noite?
Os olhos azuis me encaram cheios de expectativa, mas bem no fundo vejo como parecem um pouco tristes.
— Claro — concordo, observando seu rosto com atenção.
Ele sorri de forma doce e se inclina para me beijar.
Fico na ponta dos pés, mas antes de fechar os olhos, minha visão periférica capta uma figura familiar andando na calçada do outro lado da rua.
Acontece simultaneamente: os lábios de Adrian pousam sobre os meus e a mãe de Luke olha para mim.
Eliza acaba de ver Adrian beijar a minha boca.
Os passos dela diminuem a velocidade consideravelmente, quase parando.
O rosto se enche de confusão, depois, decepção.
Rapidamente, ela desvia os olhos e apressa os passos, desaparecendo na primeira esquina.
Meu coração bate descompassado, e uma onda de desconforto se espalha por mim. Observo Adrian se afastar e sua expressão se enche de incerteza.
— Tem algo errado? — pergunta ele, percebendo minha mudança de humor.
— Acho que estou um pouco cansada — tento disfarçar a perturbação em meu interior.
— Dorme um pouco. Você estudou muito ontem — Adrian sorri gentilmente, afaga o meu cabelo e entra no carro.
Acho estranho ele não bagunçar o meu cabelo como sempre faz, mas não consigo pensar nisso agora.
Assim que o carro sai, corro para casa com um nó amarrando meu estômago. A imagem de Eliza com o olhar decepcionado ricocheteia em minha mente. A sensação de traição, mesmo que não seja real, me sufoca.
Subo as escadas e entro no meu quarto, fechando a porta atrás de mim.
Isso não pode ter acontecido. Não pode.
Eliza está pensando que traí Luke.
Ela deve me odiar agora.
Será que eu deveria ligar para Luke e pedir que esclareça a situação?
Mas nem estamos nos falando. Como posso pedir que ele conte para a mãe a verdade sobre o noivado falso?
Mal tenho tempo de organizar meus pensamentos tumultuados e meu celular toca. Atendo depressa ao ver que é Mila.
— Mila! — digo afobada.
— Grazy, oi! Liguei para saber como estão os preparativos para o casamento!
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O garoto dos olhos avelã
ספרות נוערGraziella tem uma imaginação para lá de fértil, vive no mundo da lua e, por vezes, acaba se enfiando em situações embaraçosas. Sem planos de se apegar à nova cidade, ela sabe que a promessa de permanência do pai é daquelas que não se deve levar à sé...
