Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Estava com os olhos quase fechados, a ponto de adormecer, quando o telefone tocou. Sem nem olhar, desliguei. Desliguei novamente. A chamada insistia. Logo, chegaram mensagens de Gabriel. A dúvida me corroía, até que ele enviou uma foto e disse que estava a caminho do hotel onde eu me encontrava.
O medo apertou o peito, junto com uma angústia que parecia transbordar. As lágrimas vieram sem aviso, descontroladas. Alguém ligou para liberar a entrada de Gabriel, e eu, sem pensar, autorizei. Quando ele entrou, não me pediu explicações, apenas me abraçou.
— Não precisa chorar. Estou aqui — murmurou, enquanto alisava meus cabelos. — Onde está o Bento?
Olhei para a cama, confusa. Bento não estava ali.
— Ele estava aqui! — puxei o lençol da cama, vasculhei o quarto com o olhar.
Gabriel me encarava, desconfiado.
— Você trouxe ele?
— Claro que trouxe! — respondi, a voz embargada. — Ele estava aqui!
Ele foi até a sacada, enquanto eu entrei no banheiro.
Lá estava Bento, enrolado numa manta dentro da pia, e Miumiu, a cachorrinha, no box. Não conseguia lembrar o momento em que fiz aquilo.
— Meu filho — sussurrei, pegando-o no colo e beijando seu rosto delicado.
Gabriel entrou no banheiro, franzindo o cenho.
— O que ele está fazendo aqui? Por que colocou a cachorra dentro do box?
— Eu não sei! — me sentei na cama, as lágrimas voltando a cair. — Eu estava com medo. Vi homens de preto rendendo seu irmão. Achei que iam matá-lo, depois a mim. E quando você me ligou, pensei que já tivesse acontecido o pior.
— Mas estamos bem — falou, com calma.
— Não estamos, Gabriel. Eu não aguento mais esse medo, essa ansiedade constante.
— Antes de você saber, estava tudo bem — sentou ao meu lado, tentando me acalmar.
— Estava, mas não está mais. Parece que nos perseguem, que a qualquer momento algo pode nos atingir. Olha o que acabou de acontecer!
Ele tentou pegar Bento, mas segurei-o firme.
— Você realmente achou que eu teria jogado ele daqui de cima? Que eu faria uma coisa dessas? — minha voz saiu cansada, quase um pedido de compreensão. — Ele é meu filho.
— Calma — murmurou, deslizando a mão pelo meu braço.
— Eu não me lembro de quando o coloquei no banheiro.
— Você está exausta, Vivian. Descansa. — pegou Bento com cuidado. — Deita, descanse.
— Eu não consigo — respondi, apertando os olhos contra o desespero.