Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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Na semana seguinte, a casa retomou um novo ritmo. Gabriel voltou ao trabalho, ainda de forma remota, mas sua presença se tornou mais silenciosa, intercalada entre videochamadas, papéis e planilhas. Ele se esforçava, eu via. Ainda assim, por mais que tentasse, estava mais ausente do que antes. E eu não queria interferir – era o espaço dele, o tempo dele. Eu estava conseguindo me virar, sobretudo com a ajuda preciosa dos que ainda permaneciam por perto.
Os parentes por parte dele já haviam ido embora. Minha sogra, ao se despedir, disse que voltaria em breve. Eu não insisti, nem pedi que ficasse. Cada uma com sua vida – e eu, agora, com a minha nova versão dela. No fundo, por bem ou por mal, era preciso aprender a me virar.
— Túlio: Banho tomado, agora o vovô vai ao mercadão! – anunciou meu pai, colocando Bento sobre a cama. O bebê chorava e eu o enxugava com carinho. — Chora não, cara... — tentou consolá-lo, com um sorriso doce no rosto. — Quer alguma coisa da rua?
— Vívian: Não, tenho tudo por aqui! — respondi, devolvendo-lhe o olhar de gratidão.
— Túlio: Se eu encontrar algo que ache que você goste, vou trazer. — assenti, agradecida.
Vesti Bento e o coloquei ao peito. Fui para o quarto, que agora abrigava a escrivaninha de Gabriel. Ele estava ao telefone, massageando as têmporas com os dedos. Ao nos ver, esboçou um sorriso breve.
— Gabriel: Ela está bem, sim. — disse, me lançando um olhar terno enquanto acariciava a cabeça de Bento. — Mas assim que eu voltar a São Paulo, faço questão de assistir a pelo menos uma aula.
Desligou. Devia estar falando sobre aquele projeto em que estava envolvido antes.
— Vívian: Era o pessoal do projeto?
— Gabriel: Era. — confirmou.
— Vivian: Vai desistir?
— Gabriel: Minhas prioridades mudaram. Estou focado na empresa agora. Consegui um bom carro, posso trabalhar menos e ganhar mais... mas ainda estou decidindo.
— Vívian: Não dá pra fazer os dois? A empresa vai levar um tempo pra engrenar e esse projeto pode garantir uma boa renda extra...
— Gabriel: Talvez... mas não me sinto seguro. — fechou o notebook. — Quero tempo de qualidade com vocês. Sinto que aquilo lá vai me sugar demais.
— Vívian: Sugar mais que o Bento? — sorri, sentando-me no banquinho. — Duvido.
Ele riu com o nariz.
Na última semana, Bento se mostrou um bebê calmo. Dormia longos períodos e só acordava para mamar. Ainda assim, me exauria. As madrugadas eram longas, mesmo com a ajuda do Gabriel, que se encarregava das trocas de fraldas e dos arrotos com uma dedicação amorosa.
— Gabriel: Essa fase passa... logo ele tá andando. — disse, cheirando o pezinho do filho. — Quem deu banho nele hoje?
— Vívian: Meu pai. Ainda não me sinto segura pra isso. Parece que ele vai escorregar dos meus braços...