Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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— Que raiva desse otário! — encostei-me no muro e passei a mão pelo rosto, tentando conter a avalanche de sentimentos.
— Quer beber uma água? — João perguntou com um olhar mais calmo. Assenti sem forças para palavras.
Saímos dali e acabamos numa rua movimentada, lotada de barracas de comida, um verdadeiro caos de aromas, vozes e frituras. Paramos numa sorveteria onde a fila parecia de show internacional — e tudo aquilo só pra comprar uma garrafinha de água. Meu irmão estava ali, na fila, com Tália e as crianças. Mas fingi que não vi. E pelo visto, fui ignorada também.
— Vamos sair daqui. Ali na frente tem uma barraca de batata.
— O cheiro daqui dá até dor de cabeça. — comentei, tentando sorrir. — Tô com fome. Tô com sede.
João começou a tagarelar no meu ouvido como uma criança: sede, fome, calor, sono, saudade não sei de quem... Fechei os olhos e respirei fundo.
— Espera aí, João! — explodi, impaciente.
Ficamos em silêncio, na fila, o que foi um alívio. Meu sangue ainda fervia, e eu estava prestes a explodir quando João murmurou um "não acredito", rindo. Segui seu olhar, e ali estava ele. Ítalo. Com a noiva. Praticamente se engolindo vivos no meio da rua.
Ela me viu. Claro que viu. E ainda me lançou um olhar triunfante, atrevido, como quem diz "ele é meu". Meu sangue ferveu. O estômago virou. E antes que o bom senso pudesse me segurar, um homem enorme passou à minha frente — e foi nele que afoguei a raiva. Puxei-o pela nuca e o beijei.
Ele correspondeu sem hesitar. Suas mãos fortes se fecharam atrás da minha cabeça, seu corpo colou no meu, e o beijo... ah, o beijo era absurdo. Quente. Assertivo. E o perfume — meu Deus, que perfume! Não era qualquer um. Aquilo ali era memória olfativa pura.
Me afastei devagar, ainda tonta, e só então olhei bem no rosto dele.
— Ah, não... — murmurei, entre a vergonha e o pânico.
Era Daniel. O Daniel. Cheio de glitter no rosto e um sorriso que dizia: "sei o que você fez no verão passado."
— Vão querer batata!? — gritou a moça da barraca, quebrando o feitiço.
Pedi as batatas rápido, querendo cavar um buraco no chão e desaparecer. Evitei os olhares, fingi que nada aconteceu. O pior é que Daniel parecia se divertir com aquilo.
— O Pedro não tava com vocês? — ouvi a voz atrás de mim, perto demais.
— Estava... sumiu. — respondi, sentindo a respiração de Daniel no meu pescoço. Aquilo me deu um arrepio.
— Ah... — ele murmurou, num tom sugestivo. E eu soube: agora ele tava me querendo. E o pior... é que ele era gostoso.