Após receber um convite do chá revelação da prima Vívian de ver doida ao ter que reencontrar a família após anos do pior acontecimento de sua vida, ao se ver num beco sem saída ela não tem outra escolher a não ser levar seu vizinho o apresentando co...
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UM MÊS DEPOIS.
— Agora vocês estão oficialmente casados. — anunciou o juiz com serenidade, antes de assinar o papel com um gesto cerimonial.
Meu sogro estava prestes a ferver como uma chaleira esquecida no fogo. Já meu pai... bom, ele conseguira o que queria. Provavelmente, aceitaria até comunhão total de bens, se fosse ideia do Gabriel. Mas como partiu do seu Carlos — e ainda com aquela falta de tato que só ele tem —, meu pai se enfureceu por esporte.
Recebemos o protocolo para retirar a certidão no cartório. Do cartório, seguimos direto para a pousada dos meus pais — o ponto de partida ideal para o resort onde a festa de casamento seria celebrada.
— Que saudade do meu quarto... — suspirou Gabriel, jogando-se na cama com a expressão de quem reencontra um velho amor. — E da minha cama... — completou, afundando o rosto no travesseiro.
Larguei minha bolsa no canto do quarto com um meio sorriso.
— Eu ainda não entendo como a gente cabe nesse colchão. — comentei, cruzando os braços e observando a cena com ironia carinhosa.
— É de casal. — retrucou, sem abrir os olhos.
— De viúva. — rebati, sem piedade.
Ele abriu os olhos na hora e fez uma careta.
— Tá amarrado! — exclamou, virando-se de lado. — Nem doze horas de casado e você já quer me matar?
— Eu? Deus me livre! — ri, me jogando por cima dele. — E pra constar, eu não me separei pra me casar. Estamos casados há três horas, Gabriel. Três horas de uma vida inteira.
Abracei-o com força, apertando-o contra mim como se quisesse prendê-lo à eternidade.
— Sem me esmagar... — resmungou com a voz abafada.
— Reclama não, aproveita. Porque amanhã... amanhã eu não quero nem ver a sua cara. — murmurei em tom de brincadeira, com um sorriso malicioso.
— Por quê? — perguntou, levantando uma sobrancelha, confuso.
— Amanhã é o dia da noiva. — expliquei, como quem anuncia uma lei universal. — Você podia fazer um dia do noivo também, mas sem perereca. — provoquei.
Ele caiu na risada, sacudindo os ombros sob meu corpo.
— Ah, aí perde a graça! — zombou, e logo depois franziu o cenho. — Tô brincando, tá? Seu pai me chamou pra pescar amanhã. Então, vou cumprir meu papel de genro exemplar e pescar.
— Sem mulher... — avisei, mordendo o lábio inferior para conter a risada.
Ele me puxou para mais perto, encostando a testa na minha.
— Só com saudade. — disse baixo.
Ficamos em silêncio por um instante, só ouvindo a respiração um do outro, o colchão afundando sob o peso do nosso cansaço — e do amor tranquilo de quem sabe que o melhor ainda está por vir.