O campo de margaridas

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Narrado por Maria Clara:

Eu fiquei um tempinho esperando o homem que resgatei da floresta ao lado da Penha acordar. Fiquei no aguardo para testemunhar que ele estava bem, e quando ele finalmente acordou, me alegrou muito saber que esse rapaz era um amigo que fiz na infância.

Foi bastante interessante esse nosso reencontro.

Quando ele estava inconsciente, eu via que nele já não havia mais sangramento, e só conseguia observar o longo subir e descer de seu peito, tentando ao máximo respirar para acordar logo daquele sono profundo.

E quando ele enfim acordou de seu sono profundo, o José me elogiou, dizendo que eu era bonita, e isso me fez estremecer.

Mas o que dizer sobre ele? O rosto dele era fascinante, o tipo de rosto do qual não se conseguia tirar os olhos, mesmo que se quisesse. Aquele homem era muito atraente.

Eram sensações novas e diferentes que aquele homem, um tanto que misterioso, causava em mim. E quando ele me chamou de princesa, o meu coração bateu de um jeito novo, intenso e diferente.

A figura dele era alta e fascinante. Ele era tão lindo! Amei a cor de pele dele mais do que poderia admitir. Ele era um negro muito charmoso.

Seu cabelo preto era muito bonito e emoldurava um rosto de nobreza bastante espantosa. Caramba, eu nunca vi um homem mais belo do que ele em toda a minha existência, e a barba dele só completava ainda mais tanta beleza.

E quando entrei no quarto onde ele estava dormindo para perguntar se o José queria alguma coisa, me deparei com uma cena bastante fofinha.

Vi a minha gatinha Mimi dormindo tranquilamente com ele naquela cama. Suspirei encantada e, por algum motivo, os meus pensamentos se voltaram para uma frase: "Eu faria qualquer coisa por você, José..."

O que aquele homem estava fazendo comigo? Resolvi sair do quarto para dar mais privacidade para ele.

E, quando saí, minha surpresa foi ver que as minhas amigas Penha e Lara estavam na sala, só esperando por mim.

Naquela manhã, minhas confidentes vieram até a minha casa para ver se eu precisava de alguma coisa e aproveitaram para perguntar como estava o meu novo hóspede.

E eu fiquei muito feliz em poder ver elas ali.

– Meninas, que bom que vocês estão aqui! – comemorei com um sorriso.

– E a gente trouxe para você duas cestas com frutas frescas! – disse Lara com um sorriso.

– Obrigada, amigas! Coloquem as cestas em cima da mesa, tá? Farei muito bom proveito delas, isso eu asseguro – afirmei convicta.

– Claro que sim, amiga! Deixe com a gente – disse Penha.

Assim, elas fizeram. Colocaram as cestas na mesa, e depois eu corri e as abracei, buscando conforto.

– Como achou que não estaríamos aqui, amiga? – perguntou Lara.

– E o homem que a gente trouxe para cá? Como ele está? – perguntou Penha.

– Ele, graças a Deus, está cada vez melhor. O nome dele é José – respondi, sorrindo ao me soltar delas.

– Graças a Deus – comemorou Lara.

– Gostei do nome dele – disse Penha.

– Ele, no momento, está dormindo, mas quando acordar, vai conhecer vocês. E eu aposto que ele vai gostar muito de vocês duas – disse eu com toda a minha sinceridade. Era até impossível não gostar delas.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora