"A minha melhor escolha sempre foi você"

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Narrado pelo José Fernandes:

Como explicar a decepção que eu senti ao ver aquela cena da minha mãe insultando e ameaçando a mulher da minha vida nos corredores?

Eu deveria ter percebido os sinais.

Eu deveria ter percebido a tristeza estampada no rosto da Maria Clara.

Eu deveria ter visto a insegurança e o medo dela de vir morar no palácio comigo, mas, acima de tudo isso, eu não deveria ter feito ela se sentir forçada a vir morar perto da minha mãe, que causou muita dor a ela.

Todavia, sabem de uma coisa? Uma criança que vê os pais brigando o tempo inteiro durante a infância sentirá medo de se envolver com pessoas de um jeito amoroso no futuro.

Foi o que quase aconteceu comigo, porque, embora eu tenha presenciado muitas cenas românticas vindas dos meus pais, eu também ouvi e vi discussões sérias que me fizeram achar que um casamento, no futuro, não era algo para mim.

Nunca consegui me imaginar tendo um relacionamento. Eu sempre fui alguém bastante tímido e fui muito julgado por isso.

Sei que é tão novo para as pessoas verem um príncipe dançando em bailes sem se interessar por alguma princesa. Mas o problema foi que eu me tranquei no meu mundo "particular" para tentar evitar dores futuras.

Eu não queria me casar do jeito que os meus pais se casaram. Eles não se amavam, mas se casaram e me tiveram.

Eu sempre gostei muito de crianças. Para o futuro, quis me tornar pai algum dia, mas eu só queria isso se fosse com alguém que me despertasse o interesse.

E em algumas situações, prometi a mim mesmo que, se um dia eu me tornasse pai, eu iria fazer tudo completamente diferente do que os meus pais fizeram comigo. Prometi a mim mesmo que os meus filhos iriam poder escolher os seus próprios destinos, sem eu interferir.

E no fundo, eu sempre soube que as pessoas só sabem falar e te criticar sem nem saberem da sua verdadeira história.

Palavras machucam, e elas têm um peso enorme que deixa marcas em nós. Como, por exemplo, as palavras duras que sempre foram lançadas para mim, para que eu me tornasse um bom príncipe, e, no futuro, um excelente rei.

Guardei dentro de mim várias ofensas que jamais poderiam ser esquecidas.

Eu sou um ser humano como qualquer outro, mas me julgam sempre que alguma oportunidade surge.

Só que entendi que cabe a nós mesmos decidirmos o que vamos fazer com as palavras boas e más que recebemos ao longo da vida.

Porque nós somos os protagonistas das nossas próprias histórias, e cabe a nós mesmos decidir se devemos deixar que palavras nos definam ou não.

Sabe, se alguém te chamou de:

Burro: Saiba que você não é.

Idiota: Saiba que você não é.

Imbecil: Saiba que você não é.

Retardado: Saiba que você não é.

Tolo: Saiba que você não é.

Palavras lançadas com ódio contra você não podem definir o seu caráter, e tão pouco podem definir o seu coração.

Eu deveria ter entendido os sinais desde o começo. Eu deveria ter entendido que a minha vida precisa ser comandada por mim mesmo.

As minhas lágrimas, a minha dor e a minha tristeza são coisas que só podem ser compreendidas por mim mesmo.

As pessoas não têm o poder de decidir as coisas por você, e agora, finalmente, eu estou aprendendo isso.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora