Narrado por José Fernandes:
De algum jeito, o meu pai me atraiu para uma conversa particular com ele.
Eu não estava confortável com isso, mas poderia simplesmente fingir que estava tudo bem.
Só que eu consigo facilmente imaginar os dedos do meu pai afundando o meu pescoço pela decepção que estou causando nele, consequência da minha renúncia ao trono de Jadya.
– Você acha que desistir de um trono importante é tão fácil e simples assim? – perguntou meu pai, me lançando um olhar maldoso e severo.
A minha respiração por um breve momento trava quando escuto isso. Eu não estava planejando voltar a ver o meu pai depois de ter abdicado do trono.
– É fácil, sim, pai – digo com sinceridade. – Porque são só o senhor e a minha mãe que complicam tudo para mim. Pois, se vocês aceitassem as minhas decisões e acolhessem o amor que eu sinto pela Maria Clara, nada disso teria acontecido, e eu ainda continuaria sendo um príncipe conforme o planejado.
– O que você fez não foi nada fácil, viu? – revelou meu pai. – Não foi nada fácil ter desistido do trono de Jadya, e eu espero de verdade que você saiba que vai haver um preço bastante alto pelas suas decisões.
– Sem problemas – digo, demonstrando calma. – Eu pago, porque não vou me tornar rei de um reino que não respeita as minhas decisões e escolhas.
– Jadya precisa de você, meu filho – diz ele.
– O que Jadya precisa? E enquanto a mim? Eu não conto? – questiono.
Durante toda a minha vida, eu sempre fiz súplicas silenciosas para que os meus pais me ouvissem, mas agora não pretendo mais ficar calado com tudo aquilo que desejo dizer.
– Mas é claro que conta, José – disse ele, cruzando os braços.
– Pois sinceramente? Não parece – digo com tristeza, mas ao mesmo tempo mostrando bravura nas minhas palavras. – Pai, eu não sou mais aquele menino que um dia inocentemente foi brincar na sala do trono e o senhor pegou ele e, sem mais nem menos, o sentou no seu assento, afirmando que ser um rei era o destino decretado dele. Por favor, aceite de uma vez por todas que eu me tornei um homem de vontade própria. Agora sou apenas eu mesmo que controlo a minha vida e, se não me respeitarem, eu em pessoa me imponho respeito!
Ao escutar isso, meu pai respira fundo e diz:
– Achei que você nem ao menos se lembrasse mais disso, porque era tão pequeno naquela época... Mas, olha, eu não estou aqui para brigar, e sim para conversar com você.
É impossível se esquecer de lembranças que te causam dor...
– E eu já estou todo ouvidos, pai. Fale e eu te ouvirei – digo, incentivando-o a falar.
Meu pai se aproxima de mim, toca o meu ombro e, olhando em meus olhos, teve uma atitude inesperada...
– Por favor, volte para casa, filho – ele me pediu isso em súplica. – Leve a Maria Clara com você, se quiser, e nós vamos tentar aceitá-la do seu lado, isso eu te garanto.
Eu não esperava ouvir isso vindo dele. Será que eles vão mesmo aceitá-la?
– Está bem, pai – digo. – Se a Maria Clara aceitar e quiser voltar comigo para o palácio, então eu volto com ela sem nem pensar duas vezes, e nós vamos ver no que vai dar essa história.
– Passem alguns dias com a gente – sugere meu pai, tirando a mão dele do meu ombro. – E aí nós vamos ver se isso vai dar certo ou não, mas por favor, apenas voltem para o palácio, meu filho. Jadya precisa de você.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Curandeira e o Príncipe - A Flor do Sol
FanfictionHá muito tempo atrás, em um mundo passado, em que existiam diversos reinos, existiu um lindo príncipe chamado José Fernandes. Desde criança, José foi preparado para, um dia, assumir o trono do grande, e importante reino de Jadya. E sim, sem dúvida...
