Me deixe tomar conta de você

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Narrado pela Maria Clara:

Como explicar tudo o que eu estava vivendo?

Primeiramente, eu fui a um campo de margaridas muito bonito junto do José Fernandes. Discutimos enquanto começava a chover. Nos beijamos na chuva, e ele se declarou lindamente e profundamente para mim.

No fim das contas, acabei dando uma oportunidade para que ele me contasse tudo o que nós já vivemos juntos. Havia tanta compreensão no José Fernandes que era tão lindo vê-lo e ouvi-lo falar...

– Sei que, se isso é difícil pra mim, pior ainda é pra você – disse ele, com sinceridade, me fazendo estremecer. – Mas, Maria, ficar brigando e ignorando essa verdade só vai piorar tudo entre nós dois. Só me escuta: eu não quero você me odiando, nem contando os minutos para ir embora ao tentar se livrar de mim.

Passei a minha mão nos meus cabelos molhados e disse:

– Se livrar de você? – Eu, em hipótese alguma, conseguiria pensar em uma coisa dessas. – Eu nunca pensei nisso...

José Fernandes se aproximou de mim, eliminando a nossa distância, segurou meu rosto, fazendo que eu o olhasse nos olhos. Eu garanto que eu nem conseguia mais sentir aquela chuva gelada que caía na gente.

– Eu sei que você jamais iria querer se livrar de mim – ele falou isso, me olhando fixamente nos olhos. – Porque, mesmo que você não se lembre, sei que ainda consegue sentir o turbilhão de emoções que o nosso amor causou em você. Seja como for, nós estamos nisso juntos, e vamos dar um jeito de fazer com que você se lembre. Isso eu te prometo, Maria Clara, prometo que você não estará sozinha, mesmo se achando perdida nessa imensidão que é a vida.

Era verdade, havia uma sensação gritante dentro de mim que mostrava que já existiu entre mim e o José Fernandes uma certa conexão antes.

Pedi a ele, de um jeito choroso, para que ele tivesse paciência comigo, e ele disse:

– Não se preocupe, você nunca estará e nem nunca esteve sozinha. Eu estou aqui, e eu te amo... Te amo mais do que tudo no mundo, e eu faria absolutamente tudo por você, qualquer coisa que você me pedisse, eu faria, desde que você voltasse a ser minha.

Eu precisava mesmo ouvir isso. Confessei a ele que ele me deixava segura, que eu amava o jeito de ser dele. E quando ele disse:

– Então, por favor, apenas me deixe conduzir você nessa chuva – falou ele, mostrando sinceridade na voz. – Me deixe dançar com você na chuva que você está enfrentando, me deixe dançar com você, mesmo que a gente não saiba os passos certos, porque eu não me importo em improvisar. Me deixe dançar com você, mostrando que nós dois podemos nos tornar um só.

E quando eu disse a ele que eu iria pra onde ele fosse, sem dúvidas, eu não estava mentindo.

Eu estremeci. Foram tantas coisas bonitas faladas pra mim, que eu, sem dúvidas, sinto que eu de fato já vivi sim uma bela história de amor do lado dele, porque era praticamente impossível não se apaixonar por ele...

Mas infelizmente, nem tudo são flores. Acordei muito doente, consequência de um resfriado. Sim, eu conseguia ouvir vozes ao meu redor, mas não conseguia as identificar.

Eram delírios atrás de delírios e febre atrás de febre.

Eu estava tão dolorida, e sentia que tudo em volta era um borrão. Nada estava ligado a nada, e cada coisa parecia ser completamente desconexa da realidade.

Depois de não sei quanto tempo, fiquei meio-consciente, porém não conseguia me mover, falar ou sequer abrir os meus olhos. Estava tudo tão estranho.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora