Agravante

6 2 0
                                        

Narrado pelo José Fernandes:

Nem acredito que finalmente ela recuperou a memória dela. Explodi de alegria quando a minha esposa me disse, com todas as letras, que ela se lembrava de mim e do nosso passado. Nunca me senti tão vivo, e tão completo, só por saber que ela havia voltado a ser quem ela sempre foi.

Confesso que, quando ela me chamou pro quarto dela, foi inevitável não lembrar da nossa primeira vez. Fizemos amor de novo e foi incrível porque isso nunca perdia a graça pra mim. Ter ela nos meus braços era algo tão único.

Bem que me dizem que o amor é uma arte que só os apaixonados conseguem entender.

Eu acredito que o que faz alguém se apaixonar por alguém é um conjunto de fatores que incluem muitas coisas importantes, que nos fazem ter interesse para se envolver com alguém.

Sei que nós não lemos mentes pra logo de cara saber se a pessoa é ou não correta, pois a primeira coisa que vemos é a aparência, mas, de fato, a aparência não importa, porque, através dos bons momentos vividos e dos valores de tal pessoa, poderemos conhecer o interior da pessoa.

Realmente, quando encontramos qualidades boas em alguém, descobrimos uma bela e cativante pessoa, que é marcante em nossa vida, exatamente como a Maria Clara está sendo para mim.

Dizem que pessoas certas não existem, porque somos todos errados procurando alguém que aceite as nossas imperfeições...

Mas, com a Maria Clara, eu achei a metade que faltava em mim.

Sem dúvidas, a maturidade de uma parceira ou parceiro maduro traz pensamentos fortes, sonhos, atitudes verdadeiras, e isso traz uma paz que, pode ter certeza, de que a vida mudará para melhor, porque ambos, dos dois, têm os objetivos certos, e querem fazer juntos a coisa certa para a relação dar um resultado positivo.

Maria Clara alisava o meu peito nu, que subia e descia em uma respiração ainda ofegante. Ela mantinha a cabeça apoiada no meu ombro, enquanto o meu braço a envolvia, a segurando junto a mim sob o abrigo de um único lençol.

​O toque dos seus dedos era leve, quase hesitante, como se ela traçasse um mapa que conhecia de cor. Naquele instante, o barulho do mundo lá fora parecia ter sumido, restando apenas o calor compartilhado e a certeza silenciosa de que não precisávamos dizer mais nada.

​Ali, naquela quietude, o amor dispensava grandes declarações; ele se manifestava no encaixe perfeito dos nossos corpos e na paz que só o colo dela me trazia. Eu sentia que, enquanto estivéssemos assim, nada poderia nos tocar. Era um amor que não ardia como fogo, mas que aquecia como o sol da manhã: constante e vital.

– Desconheço sensação melhor do que saber que você é meu. – disse ela, passando o dedo indicador dela no meu peito de forma distraída, me fazendo sorrir feito um bobo.

Tudo entre mim e a Maria Clara aconteceu como uma amizade, aconteceu como uma paixão e se tornou um grande e intenso amor.

– Nossos olhos, que já se procuravam, se encontraram... – comento. – E eu desconheço sensação melhor do que essa de poder fazer amor com você, loirinha.

– José Fernandes, você é o homem da minha vida e pra minha vida – garantiu ela.

Sorrio e digo:

– Daqui pra frente estaremos sempre juntos, loirinha.

De certa forma, não foi só ela que se apaixonou por mim duas vezes porque isso também aconteceu comigo.

Pude ama-la de novo exatamente como a primeira vez.

– Sabe? – questiona ela. – Acho que oferecer o seu coração pra alguém, oferecer o mundo e o seu amor a ela, vale mais do que tudo nesta vida, porque feliz daquele que ganha o coração de alguém para o chamar de seu.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora