Sequestrada

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Narrado por Maria Clara:

Se eu dissesse que não chorei, eu estaria mentindo.

No caminho de volta para a minha casa, eu fiquei refletindo e pensando em como a minha vida mudou tanto com o passar dos dias.

Primeiro: eu me apaixonei por um homem que salvei na floresta.

Segundo: Eu descobri que ele não era um homem comum, e sim um príncipe. E, para piorar ainda mais as coisas, a mãe dele me ameaçou de morte.

Como tudo isso foi acontecer justo comigo? Que mal tão grande eu fiz?

Quando chegamos em casa e guardamos juntos os nossos cavalos no cercado, havia uma dúvida que não se acabaria se eu não obtivesse uma resposta do homem que eu amo.

– Você tem certeza absoluta do que fez ao ter enfrentado a sua mãe, José? – questiono.

José Fernandes sorri, se aproxima de mim, beija a minha testa e, olhando nos meus olhos, diz de um jeito romântico:

– Quando eu te reencontrei de novo, algo me chamou a atenção em você, porque você, loirinha, com esses seus cabelos loiros, é como um girassol em meio a um campo de margaridas; você é única e é muito especial para mim, Maria Clara.

Acho que as pessoas mais improváveis são as que mais te fazem feliz e sorrir.

Abraço José Fernandes e peço:

– Eu te amo, meu amor, mas por favor, não guarde mágoas da sua mãe no seu coração por minha causa; mãe é mãe.

– Não se preocupe, meu amor – disse ele. – O que importa agora é que nós dois estamos juntos e iremos seguir em frente, com ou sem a compreensão dos meus pais.

– Eu sinto muito pelo o que aconteceu – digo com tristeza.

– Sei que você é insegura, mas, querida, você é perfeita para mim – disse José Fernandes. – Eu te amo e não me importo com o que eu tenha que fazer para te provar a força do meu sentimento. A culpa de tudo isso não foi sua.

A postura de José era mais que corajosa, era perfeita, e mais e mais eu me apaixonava por ele, sem ousar negar a intensidade que esse sentimento me causava.

– Eu te amo tanto, José Fernandes – digo com sinceridade, ao me soltar do nosso abraço.

– Você é a única pessoa que consegue fazer esse meu coração transbordar de alegria – disse ele, tocando o meu rosto.

– Mas isso não deveria estar acontecendo, José – digo com mais tristeza ainda.

– Vem cá, Maria Clara, você só sabe dizer não? Porque eu quero saber o momento em que você vai começar a dizer sim, viu? – questiona ele, aos risos, me fazendo rir também. – Eu te amo, e você precisa aceitar isso.

– Eu aceito, José... – afirmo – Mas tenho tanto medo de arrependimentos futuros.

– Ainda não é tarde para nós dois; eu posso mudar esse destino e fazer com que a nossa história tenha um final feliz, mas preciso da sua ajuda, Maria Clara – disse ele. – Porque um casal que se ama fica junto para sempre. Não importa que você diga que a nossa relação é impossível, porque eu vou insistir até que você veja com os seus próprios olhos que o que nós sentimos um pelo outro é verdadeiro.

Acho que todos nós estamos enfrentando lutas silenciosas que gritam dentro da gente, fazendo um barulho terrível que nos deixa achando que não temos saída.

Só que a saída sempre foi continuar lutando para que esse cansaço não te domine.

Sabemos que existem trevas em nós mesmos, mas também sabemos que a luz, incessantemente, volta a brilhar quando a permitimos.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora