Peter é coroado o rei

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Narrado pelo José Fernandes:

Naquela noite, fui até o jardim ver como o Peter estava depois de tudo o que estava acontecendo com ele.

– Oi, Peter – digo ao vê-lo sentado no banco.

Caramba, falar com o Peter sabendo que agora ele será rei me passou a ideia de: dois reis estão frente a frente no campo de batalha. Porque, embora eu não queira isso, mais cedo ou mais tarde vou me tornar um rei também.

– Oi, José... – disse ele, com desânimo.

– Está tudo bem? – pergunto, me sentando perto dele no banco, disposto a ouvi-lo.

– Não posso mentir, José – afirma ele. – Não, eu não estou bem, porque estou com medo de não conseguir dar conta de ser um rei...

Toco o ombro dele e digo:

– Acredite em mim que eu sei bem o que é isso, meu amigo, porque a vida toda sempre fui ensinado a como ser um bom governante para assumir o reino de Jadya...

Tiro a mão do ombro dele quando ele me olha.

– Eu sei – afirma ele. – Mas tudo isso que estou vivendo é tão novo para mim, cara, que só me resta temer não saber ser um bom líder para o meu povo...

Assinto e digo, ao dar um breve sorrisinho:

– Sabe? Embora eu nunca tivesse a pretensão de ser rei, pelo menos agora vejo que todos os conselhos que recebi do meu pai valeram a pena para que pudesse repassá-los a você, que tanto precisa deles, para que os ouça.

Peter me olha sem entender e diz:

– Como assim?

Eu sei que isso até parece uma espécie de dilema, mas não era.

– Acontece, Peter, que o meu pai me ensinou que o tempo sempre traz com ele preciosas lições – explico. – E mesmo que às vezes seja complicado demais entender certas coisas, o tempo se encarrega de mostrar aonde tudo deve ficar.

Ele assente e diz:

– Consigo entender aonde você quer chegar, mas tenho medo de que se arrependam de terem me escolhido, sabe?

– Ninguém vai se arrepender da melhor decisão que alguém poderia tomar, Peter – digo com sinceridade. – Você nasceu para ser rei.

Ele respira fundo e diz:

– Será? Bom... mas eu vou fazer até o impossível para ver se isso é o certo a ser feito mesmo, José. E sabe de uma coisa?

– O quê? – pergunto com curiosidade.

Ele olha para o chão, entristecido, e diz:

– Eu vou sentir muita falta de vocês dois quando forem embora.

– Eu também, Peter – digo com franqueza. – Mas sei que você entende que tudo precisa ser assim para que tudo volte ao normal.

– É, você tem razão – afirma ele, depois de parecer ter entendido tudo. – Ter a sua amizade é um verdadeiro presente.

– Nós vamos estar aqui para te ajudar em absolutamente tudo o que você for precisar, Peter – digo, o tranquilizando.

Ele abre um enorme sorriso e diz:

– Sua ajuda é mais do que necessária para mim, seu apoio é algo valioso.

Dou um soquinho no ombro dele em sinal de apoio e digo:

– E saiba que mesmo que a Maria Clara e eu tenhamos ido embora, nós três seremos amigos para sempre.

Ele sorri e diz:

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora