Eu amo você...

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Narrado pela Maria Clara:

Depois de não sei quanto tempo, voltei a abrir os meus olhos e mais uma vez vi o José Fernandes sentado na mesma cadeira ao lado da minha cama. Sem dúvidas, ele era muito prestativo.

– Nossa! – exclamo. – A quanto tempo eu dormi, José?

– Há um tempo consideravelmente bom, querida – respondeu ele com um sorriso.

– Você ainda está aqui desde aquelas horas? – pergunto.

– Claro – responde ele. – E fiquei te observando dormir, parecendo um anjo, querida.

Estremeço. Caramba, como ele era fofo! Respiro suavemente e digo:

– Obrigada por pensar assim de mim, mas...

– Mas o quê? – questiona ele.

– Eu tenho que ir para a sala do trono, José Fernandes. Eu tenho que cuidar do meu reino que está sem mim.

– Se a rainha desse reino estiver doente, então nada feito, querida – disse ele. – Não adianta, ok? Você não vai sair dessa cama até ficar completamente bem.

– Poxa, mas você é insistente, hein? – digo, rindo.

José Fernandes começa a rir e diz:

– Vai se acostumando, viu? Na feira de Jadya, onde você trabalhava vendendo sopas, eu ia comprar sopas na sua barraca só para poder ficar perto de você.

Assinto, sentindo uma certa verdade naquelas palavras, e digo:

– Bom, eu já estou muito melhor e tenho que pelo menos pentear o meu cabelo, que deve estar uma bagunça.

José Fernandes assente, estende a mão para mim e diz:

– Venha, te levarei até a sua penteadeira.

Sorrio, pego na mão dele e ele me ajuda a levantar, me conduzindo até a penteadeira. Mas antes de eu pegar a minha escova, ele diz:

– Deixa que eu faço isso por você, querida. Não faça esforço.

– É sério que você quer fazer isso por mim? – pergunto, olhando para ele.

Ele assente e diz:

– Claro que sim, e vou tentar ser o mais delicado possível, querida. Eu prometo.

– Tudo bem – digo, dando o meu braço a torcer, e voltando a olhar para o espelho.

José Fernandes começa a rir e diz:

– Mas antecipo as minhas desculpas caso eu arranque, sem querer, algum fio de cabelo seu.

Arregalo os olhos, olho para ele de novo e questiono:

– E você fala tudo isso na cara dura? Na ameaça?

– Brincadeira, amor – diz ele. – Eu vou tentar ao máximo possível dar o meu melhor.

– Sua explicação não foi algo muito convincente, aplausível e satisfatória, José, mas tudo bem – digo com sinceridade e com uma risada nervosa. – Eu vou acreditar em você.

– Você vai ver – afirmou ele. – Eu vou cuidar muito bem dos seus cabelos.

Assinto, e ele começa a pentear o meu cabelo, desfazendo todo o tipo de nó que pudesse existir ali.

– Nossa, você faz isso muito bem, José – digo com sinceridade.

– Que bom – disse ele. – Porque com você sinto que posso ir ao infinito, porque você me faz percorrer todas as extensões magníficas do paraíso que só encontro com você. Loirinha, sem dúvidas você é uma sensação inebriante, é o meu porto seguro e acaba com toda a tristeza que vivi no passado.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora