Estamos testando o destino?

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Narrado por Maria Clara:

Os olhos de José Fernandes, o perfume e o sorriso encantador dele fazem as flores do meu coração florescerem. Era algo tão único, especial e incrível que ele proporcionava em mim. Eram reações tão únicas que jamais haviam sido experimentadas antes.

Dizem que às vezes nós nos apaixonamos pelas nossas expectativas, não pelo que a pessoa realmente é. Mas no meu caso, sei que eu amo José Fernandes pelo que ele é, e não pelo que ele tem. Eu o amo por ele estar descobrindo em mim uma Maria Clara que nem eu mesma conhecia.

O "para sempre" existe, sim. Há um tipo de amor que é muito raro, que não se desgasta com o tempo porque, pelo contrário, ele só se fortalece, se regenera, se corrige, se aprimora e segue em frente, fazendo os que têm esse sentimento bonito imensamente felizes.

Não existe dependência ou qualquer outra emoção menos genuína, bonita ou nobre do que o amor autêntico. Tudo gira, tudo muda, o próprio universo está em constante movimento, mas se um amor autêntico existe, então ele permanecerá, não importa o que apareça no caminho para tentar atrapalhá-lo.

O amor tem muitos significados, todos eles são bonitos e muito verdadeiros.

Naquela noite, adormeci pensando no José Fernandes e querendo, a todo custo, sonhar com ele enquanto dormia. E quando acordei e fui para a feira, surpresas me aguardavam naquele dia.

Depois de um tempinho vendendo sopa, alguém me agarrou por trás, e eu vi que eram os braços do homem que eu tanto amava, me envolvendo. Virei-me e vi o rosto do José.

– Oi, Maria Clara – diz ele, sorrindo. – Achou que eu não viesse hoje?

– Não acredito – digo, sorrindo e o abraçando forte. – Você veio.

José Fernandes, correspondeu ao meu abraço. Ele ainda estava usando a capa preta dele para não ser reconhecido pelas pessoas da vila.

– Maria Clara, eu sei que nos vimos antes de ontem, mas para mim parece uma eternidade – diz ele, com sinceridade, ao se soltar do nosso abraço e ao olhar em meus olhos. – Eu estava morrendo de saudades de você, meu amor, e preciso muito ir com você o quanto antes para a floresta, para a gente conversar. E se eu estou aqui, é porque inventei uma desculpa de que iria sair para passear com o Chama Preta.

– É, você tem razão – concordo. – Mas você vai poder esperar?

– Por você, loirinha, eu faço qualquer coisa – diz ele com convicção. – Porque para mim só basta que você diga que vai querer conversar comigo.

– Ah, meu amor... – suspiro. – Eu sempre vou querer conversar com você.

– Pode me servir um prato de sopa? – pergunta ele. – Estou com fome.

Sorrio e digo:

– Claro que sim, meu amor. E você nem faz ideia de como eu senti sua falta ontem.

Sirvo José Fernandes, e quando ele come a sopa, não aceito o dinheiro que ele quis dar por ela.

– Ah, Maria Clara... – diz ele, com insistência e insatisfação. – Aceita esse dinheiro, vai.

Ele insiste, mas eu estou firme na minha decisão. Era a hora de agir com convicção.

– Não, José Fernandes, essa sopa é para você, só para você! Mas não vai se acostumando, não, hein? – peço, rindo ao arquear a minha sobrancelha.

José começa a rir e diz:

– Ok, tudo bem, e eu fico muito agradecido por essa sopa deliciosa feita por você.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora