Narrado pela rainha Cláudia:
Tudo estava indo às mil maravilhas porque, assim que o José Fernandes concordou em fazer o que fosse preciso para libertar a tal de Maria Clara da masmorra, percebi que o meu plano havia funcionado do jeito que eu havia planejado e executado.
Quando eu vi o José Fernandes entrar no palácio apressadamente, meu coração transbordou de satisfação.
Eu havia conseguido!
Só que houve coisas desafiadoras na conversa que meu filho e eu tivemos.
– Que tipo de pessoa a senhora acha que eu sou? – questiona José Fernandes.
Mas me arrependi de ter dito:
– A mais baixa, a mais miserável, o pior príncipe de todos, que se vendeu para uma mulher qualquer que o jurou amor.
Eu logo quis me desculpar pelo o que foi dito, mas não pude fazer isso.
Sei que ofendi o meu próprio filho com os piores insultos, mas eu precisava ter feito o que fiz para que ele percebesse que eu não estava brincando com as minhas pretensões e ordens.
Às vezes, por querer o bem de uma pessoa, é preciso agir de uma maneira fria e calculada para que essa pessoa possa perceber que a vida não é um mar de rosas, porque águas turbulentas existem.
Não podemos agir sempre com o coração, porque de vez em quando temos que agir com a razão. Amo o meu filho, amo o fato dele ser negro, mas odeio que ele seja ingênuo.
Meu filho nem faz ideia, mas os melhores meses da minha vida foram nove, e foram os meses em que eu ansiava pela chegada dele na minha vida.
Eu não me arrependi de ter tido ele, não me arrependi de ter feito tudo que estava ao meu alcance por ele, mas me arrependi de não ter ensinado a ele a agir com a razão, e menos com o coração, que muitas das vezes pode ser traiçoeiro.
Mas o Gabriel não havia concordado com a minha decisão de prender a curandeira na masmorra, mas se ele queria o José Fernandes de volta, então não havia outro jeito.
– Você não pode fazer as coisas sem o meu consentimento, Cláudia. Sequestrar essa moça foi errado – disse ele, quando eu o contei sobre o guarda que eu mandei para a casa da Maria Clara, que a sequestrou e a prendeu na masmorra.
Odeio quando o Gabriel discorda de mim.
– Eu fiz o que eu tinha que fazer – argumento. – Porque só assim o José Fernandes vai voltar para nós.
Medidas drásticas são e se fazem necessárias.
– Às vezes eu te olho e não te reconheço, Cláudia – disse ele. – Você não parece mais a mulher com quem eu me casei, mas se é isso que vai trazer o nosso filho de volta à razão, então conte comigo, mesmo que eu não concorde.
O Gabriel não concordava com o que eu estava fazendo, mas eu sei que ele também não suportava a ideia de ver o nosso filho desistindo de ser príncipe por causa de uma plebeia curandeira que é completamente insignificante.
– Algumas pessoas precisam alcançar a grandeza, custe o que isso tenha que custar, Gabriel – argumento. – Porque se não possuímos grandeza, então temos que alcançá-la. Alguns nascem grandes, e alguns lutam até que possam conseguir alcançar seus objetivos para poder dizer o quão grande ficamos graças aos nossos esforços.
Gabriel respira fundo e diz:
– Eu só espero que o nosso filho não fique chateado com você.
– Você vai ver que tudo que eu estou fazendo vai valer a pena quando o nosso filho chegar no palácio para negociar com a gente – digo, relaxando os ombros, porque eu sabia perfeitamente bem que estava certa.
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A Curandeira e o Príncipe - A Flor do Sol
Hayran KurguHá muito tempo atrás, em um mundo passado, em que existiam diversos reinos, existiu um lindo príncipe chamado José Fernandes. Desde criança, José foi preparado para, um dia, assumir o trono do grande, e importante reino de Jadya. E sim, sem dúvida...
